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Notícia

Governo fará concurso com 140 vagas para reforçar BC em meio à crise do Master

Por Guilherme Pimenta | Folhapress

Governo fará concurso com 140 vagas para reforçar BC em meio à crise do Master
Foto: Divulgação

Em meio à crise envolvendo o Banco Master e ao debate sobre a capacidade de fiscalização do sistema financeiro, o Banco Central deve reforçar seu quadro de pessoal com um novo concurso público. O MGI (Ministério da Gestão e da Inovação) prepara a autorização para 140 vagas na autarquia, das quais 120 serão destinadas ao cargo de analista e outras 20 à carreira de procurador, segundo apurou a Folha.
 

A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, já comunicou à AGU (Advocacia-Geral da União) a autorização para as 20 vagas de procurador, etapa necessária por se tratar de carreira jurídica. A expectativa, segundo integrantes do governo, é que a autorização para os 120 analistas seja anunciada em breve.
 

Depois do concurso e da posse dos técnicos, parte deles tende a ser direcionados para a área de supervisão bancária, considerada uma das mais pressionadas da instituição. O reforço ocorre em um momento em que a atuação do BC sobre instituições financeiras voltou ao centro do debate após a crise do Master, levando integrantes da autoridade monetária a defenderem o fortalecimento das equipes responsáveis pelo acompanhamento prudencial e pela fiscalização do sistema financeiro.
 

O reforço autorizado, no entanto, ficará abaixo do pleito apresentado pelo Banco Central ao Ministério da Gestão. A autarquia solicitou autorização para realizar concurso com 560 vagas, sendo 410 para auditores (atual cargo de analista), 110 para técnicos e 40 para procuradores. Integrantes do BC argumentaram que a reposição seria necessária para recompor um quadro que vem sendo reduzido ao longo dos últimos anos em razão de aposentadorias e da defasagem na contratação de novos servidores.
 

Conforme revelou a Folha de S.Paulo, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) também terá seu quadro reforçado em cerca de 50 técnicos. O órgão também foi criticado por não ter agido em relação às fraudes envolvendo o Master, principalmente em operações feitas por meio dos fundos de investimento ligados à instituição financeira.
 

Técnicos da instituição afirmam que a perda de quadros tem afetado áreas estratégicas, como supervisão, regulação e tecnologia da informação.
 

Paralelamente à recomposição do quadro, o Banco Central mantém a articulação política em torno da PEC 65/2023, que amplia a autonomia administrativa, orçamentária e financeira da instituição. A proposta foi aprovada pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado em 2026 e aguarda votação no plenário.
 

Defensores da medida argumentam que a autonomia financeira daria maior flexibilidade ao BC para administrar seu orçamento, realizar concursos e gerir sua política de pessoal, reduzindo a dependência de autorizações do Executivo. No governo, no entanto, não há consenso em torno da proposta, que encontra resistência no Ministério da Fazenda devido aos moldes atuais.