Nome de Cláudio Castro e de deputados aparecem em lista de bicheiro preso no Rio
Por Italo Nogueira e José Marques | Flapress
O nome do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e de deputados federais e estaduais aparecem em listas apreendidas pela Polícia Federal e atribuída ao bicheiro Adilsinho, um dos alvos da Operação Unha e Carne desta quinta-feira (2).
Os nomes dos políticos são associados a valores financeiros. A princípio, os investigadores suspeitam de que se trata de caixa dois de campanha, mas apurações ainda estão em curso para analisar os contextos dos possíveis repasses.
Procurado por meio da assessoria de imprensa na tarde desta quinta, o ex-governador ainda não se manifestou. O advogado de Adilsinho foi procurado desde a manhã, mas não respondeu.
O bicheiro já estava preso, mas foi alvo de um novo mandado de prisão expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
A menção ao ex-governador na lista do bicheiro foi divulgada inicialmente pelo site G1 e confirmada pela Folha.
Na operação desta quinta foram expedidos mandados de prisão contra o ex-presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) Rodrigo Bacellar e o pastor Márcio Poncio. Assim como Adilsinho, Bacellar também já estava preso. A defesa de Bacellar e de Poncio também não se posicionou.
A Operação Unha e Carne já investigou suspeitas de vazamento de informações sigilosas que teriam beneficiado o Comando Vermelho.
A PF apura, na ação desta quinta, suspeitas de lavagem de dinheiro praticados pela cúpula do novo jogo do bicho e eventual ramificação do esquema em integrantes do Executivo e Legislativo do Rio.
Segundo a Polícia Federal, a nova fase da operação teve origem na análise de planilhas apreendidas em poder de Adilsinho. Os documentos conteriam registros de supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e uma contabilidade paralela utilizada para ocultar a movimentação de recursos ilícitos.
As anotações também indicariam possíveis repasses diretos de dinheiro a agentes políticos do Estado do Rio de Janeiro, hipótese que passou a ser uma das principais linhas de investigação.
Além dos três mandados de prisão preventiva (ou seja, sem prazo), são cumpridos 14 mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio e de São João de Meriti (Baixada Fluminense). Moraes ordenou o bloqueio de bens e valores de até R$ 22 milhões.
"Esta nova fase teve início após a apreensão de listas em poder do conhecido contraventor indicarem a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais", diz a PF.
"As listas chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Estado do Rio de Janeiro."
O ex-governador já é alvo de investigações da PF por suas relações com o empresário Ricardo Magro, ligado ao Grupo Refit, e com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ele nega as suspeitas.
Após ser alvo de duas operações da PF num intervalo de 11 dias em maio deste ano, o ex-governador desistiu de sua pré-candidatura ao Senado.
