Jovem é condenado em Portugal por incitar tentativa de ataque a escola no Brasil
Por Folhapress
Um jovem de 19 anos foi condenado nesta quarta-feira (1º), em Portugal, a seis anos de prisão por cumplicidade moral em uma tentativa de assassinato cometida por um estudante brasileiro contra colegas, além de outros crimes, informou o Tribunal de Santa Maria da Feira, no norte do país.
O caso, segundo a imprensa portuguesa, ocorreu em 2024 no Espírito Santo e envolveu um garoto de 12 anos. O atentado foi impedido pela polícia.
O réu, que era menor de idade na época dos fatos, também foi condenado por posse de pornografia infantil e por incitar outros adolescentes a cometerem atos de violência contra animais.
No entanto, ele foi absolvido da maior parte das cerca de 230 acusações pelas quais respondia em julgamento realizado a portas fechadas desde fevereiro.
Entre as acusações das quais foi absolvido está a de ter incitado o ataque ocorrido em uma escola de São Paulo, que terminou com a morte de uma estudante e deixou outros três adolescentes feridos. O ataque foi registrado em 23 de novembro de 2023 na Escola Estadual Sapopemba, na zona leste da capital paulista.
Na ocasião, um aluno de 16 anos entrou armado com um revólver calibre 38 na unidade de ensino e atirou contra quatro colegas. Giovanna Bezerra da Silva, 17, morreu.
A investigação conduzida pelo Ministério Público de Portugal apontava que o jovem português, conhecido pelo codinome Mikazz, teria incentivado o ataque por meio da plataforma Discord.
Segundo a acusação, ele liderava o grupo The Kiss (TKS), no qual eram compartilhados conteúdos de violência extrema, automutilação, tortura de animais, pornografia infantil e apologia ao nazismo, além de supostamente estimular adolescentes brasileiros a praticarem ataques em escolas.
Durante o processo, o Ministério Público também sustentou que o acusado teria incentivado outras tentativas de ataques no Brasil. Apesar disso, o tribunal entendeu que não havia provas suficientes para responsabilizá-lo pelo atentado de Sapopemba e o absolveu dessa acusação.
"Toda a narrativa em torno desta situação, segundo a qual o acusado era um monstro capaz das piores ações e o principal responsável por esses atos, foi claramente exagerada, e não ficou comprovado que ele cometeu a grande maioria dos crimes de que foi acusado", afirmou o juiz Pedro Botelho Vieira, citado pela imprensa portuguesa.
O Ministério Público português acusou o adolescente de liderar, no Discord, um grupo de jovens que praticava e gravava atos violentos contra pessoas e animais.
O ATAQUE DE SAPOPEMBA
O autor dos disparos na escola de Sapopemba foi um aluno de 16 anos, estudante do 1º ano do ensino médio do colégio. Ele seria vítima frequente de bullying por parte dos colegas da escola. Ele foi detido e levado para o 70º DP (Sapopemba).
Uma câmera de segurança registrou o momento em que o atirador entrou em uma sala de aula, cheia de alunos, e efetuou disparos. Houve correria, e alunos deixaram a sala em meio a tumulto.
Outras duas alunas da escola foram baleadas no ataque. Elas foram socorridas e levadas para o pronto-socorro do Hospital Sapopemba --uma delas já recebeu alta. Um terceiro aluno, que se machucou na correria, também foi socorrido.
