Hospitais entram em colapso com superlotação de feridos na Venezuela
Por Folhapress
Hospitais de Caracas estão superlotados após receberem centenas de feridos transferidos pelos terremotos na Venezuela, de acordo com relatos do jornal local El Nacional.
Unidades como Dr. Miguel Pérez Carreño, Periférico de Catia, José María Vargas e Domingo Luciani passaram a concentrar atendimento de vítimas vindas do litoral e também da própria capital. Áreas de emergência e salas de espera também estão cheias de familiares em busca de informações sobre parentes resgatados.
Venezuela entra em 3º dia de buscas por milhares de desaparecidosDoações de comida, água e materiais médicos viraram parte do esforço para manter o atendimento. O médico Rodolfo Salcedo, residente de pós-graduação em clínica médica no Pérez Carreño, disse ao El Nacional que a equipe tem atendido os pacientes "com o muito ou o pouco" disponível e que a ajuda de familiares e voluntários tem suprido parte do que falta.
Setores críticos foram pressionados pela quantidade de casos de trauma e cirurgia. A médica Lujuanis Ortega, chefe da emergência matutina, apontou que a maior carência está na pediatria e em itens de uso rápido. "Isso, sim, está acabando bastante e rápido", disse, ao listar necessidades como oxímetros, termômetros digitais infantis, analgésicos, anti-inflamatórios, anti-hipertensivos, gazes, luvas, máscaras e seringas.
No Hospital José María Vargas, funcionários relataram falta de materiais básicos e itens de assistência humanitária. Um trabalhador que falou sob anonimato disse ao jornal venezuelano que há necessidade de "fraldas, leite em pó e roupinhas de bebê, porque temos muitas crianças em situação crítica".
Ele também destacou a resposta da população diante da crise. "A comunidade venezuelana, melhor impossível. Gente de todo lado trouxe doações: comida, roupa, líquidos, água... e até muita comida pronta para o pessoal que está trabalhando", afirmou.
O Hospital Infantil Dr. J.M. de los Ríos, principal centro pediátrico do país, passou a operar parcialmente após danos estruturais. Segundo trabalhadores, pacientes internados foram transferidos e novos casos passaram a ser encaminhados a outras unidades e a uma clínica privada.
Moradores e familiares relataram que a mobilização de voluntários tem sido decisiva para apoiar pacientes e acompanhantes. Natasha Velásquez contou que levou arepas, sucos, luvas e outros itens ao Pérez Carreño: "Nos juntamos a isso porque vemos muito nas redes sociais; nós estamos bem e podemos colaborar, então saímos para fazer".
Pessoas criticam ação governamental. "Como é possível que tudo caia e não tenha ninguém? Não tem nada do governo, nem um militar. (...) Não tem máquinas, nada; que mandem os militares para lá, nem que seja para tirar ferro. Os policiais só ficam olhando", declarou Jhon González, que acompanhava uma prima sobrevivente.
TERREMOTOS DEVASTADORES
O primeiro tremor, de magnitude 7,2, atingiu San Felipe, a oeste de Caracas na quarta-feira. Dados do USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos) sugerem que ele pode ter aumentado a tensão em outra falha geológica próxima, a pouco mais de 5 km de distância.
Isso desencadeou um segundo terremoto de magnitude 7,5, apenas 39 segundos depois. O evento ocorreu a uma profundidade relativamente rasa e foi sentido até mesmo no norte do Brasil.
O primeiro abalo já havia enfraquecido estruturas e comprometido fundações. Já o segundo impacto, mais intenso, provocou desabamentos imediatos, sobretudo na capital, Caracas.
