Dólar abre em leve queda nesta sexta à espera de dados econômicos dos EUA
Por Folhapress
O dólar abriu em leve queda nesta sexta-feira (5) com os investidores à espera de dados de emprego nos EUA e de novidades sobre as negociações entre os norte-americanos e iranianos pelo fim da guerra, que já dura mais de três meses.
Às 9h08, a moeda norte-americana caía 0,14%, cotada a R$ 5,0592. Na quarta-feira (3), o dólar fechou em alta de 1,11%, a R$ 5,066, com incertezas sobre guerra no Irã e novas tarifas dos EUA sobre o Brasil estimulando a busca por ativos de segurança e pressionando o real.
A moeda norte-americana permaneceu em alta durante todo o pregão, refletindo a maior cautela dos investidores diante do cenário global. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,089. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, avançou 0,31%.
A redução do apetite dos investidores por risco também contaminou a Bolsa de Valores brasileira, que fechou em queda de 2,21%, a 170.330 pontos.
A Bolsa terminou o dia no menor patamar desde 20 de janeiro, quando fechou a sessão aos 166.276 pontos. Já o dólar fechou no maior nível desde 15 de maio, quando encerrou o pregão cotado a R$ 5,066.
Na noite de terça-feira, os EUA dispararam um míssil contra um navio-tanque que se dirigia ao Irã, enquanto as forças iranianas lançaram dois mísseis contra o Kuwait e três contra o Bahrein. Uma pessoa morreu e dezenas ficaram feridas no ataque do Irã ao Kuwait.
O evento gerou maior pessimismo entre investidores ao redor do mundo. Em Wall Street, nos EUA, Nasdaq, S&P 500 e Dow Jones recuaram 0,70%, 0,60% e 1,02%, respectivamente. Na Europa, os principais índices também caíram, com o Euro Stoxx 50, referência do continente, e DAX, índice alemão, recuando 0,89% e 1,31% cada.
As cotações de petróleo também subiam. Por volta das 17h, o preço do Brent, referência mundial da commodity, avançava 2,09%, a US$ 98.
O endurecimento do conflito alimenta temores de impasse nas negociações entre os países. Publicamente, o presidente norte-americano, Donald Trump, tem tentado afastar a ideia. Nesta quarta, Trump afirmou que o Irã "concordou em não ter armas nucleares" e que deve se encontrar com o líder supremo do país persa, Mojtaba Khamenei.
"Eles já concordaram que não vão ter armas nucleares", afirmou o presidente americano, sem entrar em detalhes. A interrupção do programa nuclear iraniano é considerada um dos principais impasses entre os países, e o regime vinha demonstrando resistência em relação ao tema.
O conflito paralisa as cadeias de suprimento globais e o tráfego do estreito de Hormuz, via marítima responsável por 20% de todo o petróleo e gás natural produzidos no mundo.
"Esse cenário reforça a percepção de que as negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã esfriaram e de que não há indicações de uma solução rápida para o conflito", diz Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX.
Com o transporte das commodities estrangulado e a subsequente disparada de preços, investidores têm temido um repique inflacionário global. Por consequência, temem também a manutenção das taxas de juros de algumas das maiores economias do mundo em patamar restritivo, em especial a dos Estados Unidos.
Nesta quarta, o Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) afirmou que a repercussão do aumento dos preços da energia devido à guerra no Oriente Médio foi generalizada em seu relatório "Livro Bege". "Os custos relacionados à energia ligados ao conflito no Oriente Médio foram o principal fator de pressão inflacionária, com repercussões em transporte, embalagens, mantimentos e fertilizantes", disse.
Quando os juros de lá estão elevados, operadores costumam optar pela renda fixa americana, considerada um investimento praticamente livre de risco. Com a expectativa da continuação do conflito, ativos mais arriscados, como os de mercados emergentes, tendem a se desvalorizar.
Por aqui, investidores reagiram a nova onda de tarifas dos EUA contra parceiros comerciais; entre eles, o Brasil.
Na madrugada desta quarta, o governo Trump concluiu uma nova análise e propôs uma tarifa comercial de 12,5% contra o Brasil por uso de trabalho forçado. O caso investiga 59 países no total e a União Europeia.
Segundo o relatório do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), embora o Brasil afirme proibir importações produzidas com trabalho forçado por meio da implementação de compromissos assumidos em acordos de investimento e de livre comércio, "essas disposições não vedam legalmente a importação, para comercialização no mercado doméstico, de produtos fabricados total ou parcialmente com trabalho forçado em outros países".
Assim, o USTR indica que a conduta do Brasil em relação ao trabalho forçado é injustificável e impõe obstáculos ou restrições ao comércio dos EUA.
A nova tarifa proposta pelo governo norte-americano pode se somar à sobretaxa de 25% contra o Brasil sugerida na madrugada de terça (2), de acordo com membros do governo Lula (PT) e especialistas do setor privado. Isso elevaria o tarifaço contra itens nacionais a 37,5%. A decisão sobre aplicação ou não das tarifas cabe ao presidente dos EUA, Donald Trump.
Segundo Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, o comportamento foi inverso ao do pregão de terça-feira. "Ontem, o mercado até reagiu bem ao anúncio da tarifa, porque havia outros fatores sustentando o apetite por risco. Mas hoje o mercado recua, refletindo uma preocupação maior com os impactos dessas medidas sobre as empresas exportadoras".
Para Leonel Oliveira Mattos, da StoneX, as medidas representam uma tentativa de retomar as barreiras comerciais proibidas pela Justiça americana através das tarifas recíprocas.
"O risco de novas barreiras comerciais impacta boa parte das economias parceiras dos Estados Unidos e aumenta a percepção de riscos globais. A maior aversão ao risco por parte dos investidores prejudica o desempenho de ativos considerados mais arriscados, como o real, gerando pressão altista sobre a nossa taxa de câmbio", diz.
