Advogado que sofreu infarto diz que pretende voltar à defesa de Jairinho no júri do caso Henry Borel
Por Aléxia Sousa | Folhapress
O advogado Fabiano Lopes afirmou nesta terça-feira (26) que pretende retornar à equipe de defesa de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, durante o julgamento pela morte do menino Henry Borel.
Em declaração à Rádio Itatiaia, Lopes disse que deixou o hospital onde estava internado após sofrer um infarto e manifestou a intenção de voltar ao plenário do júri.
"Não estou mais hospitalizado. Assinei lá uma revelia, assumindo todas as responsabilidades. [...] Os médicos não queriam que eu saísse, que eu continuasse internado. Mas eu tenho que cumprir a minha missão. Não sei se será amanhã, mas eu vou para o plenário, vou terminar o que eu comecei. Vou correr esse risco", afirmou.
A condição de saúde do advogado esteve no centro das discussões que marcaram a abertura do julgamento, na segunda-feira (25), no 2º Tribunal do Júri da Capital, no centro do Rio.
A defesa argumentou que a ausência de Lopes comprometeria a atuação de Jairinho no processo. Em meio ao impasse, o ex-vereador chegou a destituir os advogados que o representavam. Horas depois, porém, voltou atrás, recompôs a equipe de defesa e indicou seu filho, Luiz Fernando Abdul Figueiredo dos Santos, para atuar no caso.
Mesmo diante dos pedidos de adiamento, a juíza Elizabeth Louro manteve o julgamento. Na segunda-feira, ela também rejeitou os 22 pedidos de nulidade apresentados pela defesa de Jairinho e deu prosseguimento à formação do conselho de sentença.
Até o momento, não há confirmação sobre quando Fabiano Lopes deverá comparecer ao tribunal para reassumir sua participação na defesa.
Segundo dia
O julgamento entrou nesta terça-feira em sua fase de instrução, com o início da oitiva das testemunhas de acusação. O primeiro a depor foi o delegado Henrique Damasceno, responsável pelo inquérito que embasou a denúncia do Ministério Público.
Durante o depoimento, Damasceno reafirmou a conclusão da investigação de que Monique tinha conhecimento das agressões sofridas por Henry antes de sua morte. O delegado relembrou episódios identificados durante a apuração, entre eles uma videochamada em que o menino teria dito à mãe que havia sido agredido por Jairinho.
Segundo o investigador, os depoimentos prestados por Monique e Jairinho durante a investigação apresentavam versões compatíveis entre si, mas foram contrariados pelas provas reunidas ao longo do inquérito. Damasceno afirmou ainda que familiares teriam sido orientados antes de prestar depoimento e que houve tentativas de direcionar relatos sobre o caso.
O delegado também sustentou que os laudos periciais afastaram a hipótese de acidente doméstico. De acordo com a investigação, as lesões encontradas no corpo de Henry eram incompatíveis com uma queda da cama ou outro acidente dentro do apartamento onde ele morava com a mãe e o padrasto.
Até o início da noite desta terça-feira, Damasceno continuava sendo questionado pela defesa de Monique Medeiros Costa e Silva. O depoimento teve início por volta das 9h40 e se estendeu por mais de dez horas, com apenas uma interrupção de cerca de uma hora.
Jairinho e Monique respondem pela morte de Henry, ocorrida em março de 2021. A acusação sustenta que o menino foi vítima de agressões praticadas pelo padrasto e que a mãe tinha conhecimento da violência sofrida pela criança. As defesas dos dois réus negam as acusações.
