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Marca Bahia Notícias

Notícia

Operação que levou Deolane à prisão começou com bilhetes encontrados em cela de presídio

Por Francisco Lima Neto e Rogério Pagnan | Folhapress

Operação que levou Deolane à prisão começou com bilhetes encontrados em cela de presídio
Foto: Bruno Fontes / TV Globo

A Operação Vérnix que levou a advogada e influenciadora Deolane Bezerra, 38, à prisão, nesta quinta-feira (21), sob suspeita de participar do esquema de lavagem de dinheiro do PCC (Primeiro Comando da Capital), começou com bilhetes encontrados em uma cela da Penitenciária II, em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, em 23 de julho de 2019.
 

O advogado Rogério Nunes, que defende Deolane, disse que assim que se inteirar do caso vai se manifestar. Já o defensor de Marcola, Bruno Ferullo, afirmou que emitirá uma nota assim que tiver mais informações a respeito da operação.
 

Agentes de segurança fizeram uma revista na cela de Sharlon Praxedes da Silva, o Maradona, e Gilmar Pinheiro Feitoza, o Cigano, e, na caixa de esgoto, encontraram uma grande quantidade de bilhetes escritos à mão.
 

Após análises, foram descobertas negociações do tráfico de drogas dentro do presídio, relacionamentos com a cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital), principalmente como Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, que habitava o mesmo pavilhão de Gilmar, com quem mantinha conversas diárias durante o período de sol.
 

Os manuscritos também revelaram um plano de atentado contra agentes públicos, incluindo o então ex-diretor da unidade, Luiz Fernando Negrão Bizzoto, segundo a Polícia Civil de São Paulo.
 

Um desses bilhetes cobrava a execução do plano de ataques e descrevia que "aquela mulher da transportadora já entregou tudo certinho até o endereço novo do Bizzoto."
 

Esse fato levou à segunda fase da investigação, que descobriu a transportadora Lado a Lado, com sede ao lado do presídio, "em circunstância reveladora do cinismo da estrutura", aponta a investigação.
 

Deolane Bezerra recebeu repasses diretos em sua conta dessa transportadora, diz a polícia.
 

A investigação começou em 2019 e chegou até a influenciadora depois de identificar a ligação dela com Everton de Souza, o Player. Ele é apontado pela polícia como gestor indireto da transportadora Lado a Lado, suspeita de pertencer PCC.
 

Segundo a polícia, a facção colocava na transportadora o dinheiro arrecadado com atividades criminosas, que depois eram repassados para outras pessoas. Everton era o responsável por indicar quem deveria receber a parte referente a Alejandro Camacho, irmão de Marco Camacho, o Marcola, principal líder da facção, diz a investigação.
 

A ordem era dada para Ciro Cesar Lemos, que figura junto com a esposa Elidiane Saldanha Lopes Lemos como proprietários legais da Lado a Lado. Os policiais afirmam que parte desse dinheiro foi depositado em contas de Deolane.
 

Everton também foi preso nessa quinta-feira. Ele tinha uma caixa com dinheiro, em casa, com o nome da influenciadora, afirma a polícia. .
 

A quebra dos sigilos bancários, diz a investigação, demonstrou que Deolane movimentou milhões em nome do PCC, emprestando sua estrutura financeira e "aparente respeitabilidade social" colocar o dinheiro do crime organizado no sistema financeiro formal.
 

Ainda segundo a investigação, a transportadora, apesar de estar no nome do casal Ciro e Elidiane, foi criada pelo próprio PCC e é dirigida por Marcola e Alejandro. No período investigado, a transportadora movimentou mais de R$ 20 milhões, um valor considerado incompatível com as receitas declaradas.
 

O casal já foi condenado na Justiça e é considerado foragido. De acordo com a polícia, eles estão escondidos na Bolívia.
 

Um celular apreendido na casa do casal em uma operação anterior tinha conversas via Telegram que mostravam como o esquema funcionava.
 

Marcola determinava as providências, traçava estratégias e estabelecia a divisão dos lucros da transportadora, diz a políca. As ordens eram transmitidas por terceiros. Seu irmão Alejandro, também preso, dirigia a empresa e determinava a compra de caminhões.
 

Paloma Camacho, filha de Alejandro, e sobrinha de Marcola, foi presa na Espanha. Ela quem recebia as ordens do pai em visitas no sistema penitenciário federal e repassava a Ciro, segundo a polícia
 

Ela também controlava a parte do dinheiro que destinada ao pai e orientava a divisão e a transferência dos valores.
 

O irmão dela, Leonardo Camacho, é um dos beneficiários da divisão dos lucros da facção. Ele recebia 30% dos valores por ordem do pai.
 

DEOLANE FOI PRESA EM 2024 EM OPERAÇÃO CONTRA JOGOS ILEGAIS E LAVAGEM DE DINHEIRO
 

Deolane Bezerra já havia sido presa em investigação sobre jogos ilegais e lavagem de dinheiro. Ela foi um dos alvos da Operação Integration, uma cooperação da Polícia Civil de Recife e do Ministério Público, em 4 de setembro de 2024.
 

Ela foi detida com a mãe, Solange Alves, no bairro de Boa Viagem, zona sul da cidade.
 

Deolane ficou presa na Colônia Penal Feminina do Recife.
 

A investigação, segundo a Polícia Civil, foi iniciada em abril de 2023, para identificar e desarticular organização criminosa voltada à prática de jogos ilegais e lavagem de dinheiro.
 

Conforme o inquérito, a quadrilha usava várias empresas de eventos, publicidade, casas de câmbio, seguros e outras para lavagem de dinheiro feita por meio de depósitos e transações bancárias.
 

"Os jogos ilegais acontecem de várias formas. A ilegalidade dessa organização está lincada a esses jogos que não são autorizados legalmente. Eles operavam também bets. Mas o básico, o crime de origem, diz respeito a esses jogos que não são autorizados pela legislação brasileira. As bets eram utilizadas pela organização criminosa também, além de outras empresas, na lavagem do dinheiro ilícito oriundo desse ramo ilegal de jogos", declarou à época, Renato Rocha, delegado geral da Polícia Civil de Pernambuco.
 

Deolane a mãe foram soltas 20 dias depois, após as prisões preventivas serem revogadas.