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Notícia

Bolsa recua mais de 1% e dólar sobe com cenário eleitoral e guerra no Irã em foco

Por Folhapress

Bolsa recua mais de 1% e dólar sobe com cenário eleitoral e guerra no Irã em foco
Foto ilustrativa: Reprodução / B3

A Bolsa de Valores recua mais de 1% nesta terça-feira (19), com o cenário internacional pesando sobre os ativos de risco e aumentando a procura por ativos de segurança.
 

O movimento é impulsionado pelas incertezas no conflito entre EUA e Irã. No ambiente doméstico, também influencia uma pesquisa eleitoral que mostra o impacto do caso que liga o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro.
 

Às 13h08, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuava 1,41%, aos 174.473 pontos. Na mínima do dia, a Bolsa chegou a cair 1,93%.
 

No mesmo horário, o dólar subia 0,96%, cotado a R$ 5,046 (na máxima, chegou a R$ 5,058). No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes, também avançava, com alta de 0,15%.
 

Leonel de Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX, destaca a maior preocupação de investidores com o impasse diplomático no Oriente Médio. "Há semanas, Estados Unidos e Irã vêm demonstrando grandes divergências nas negociações para tentar alcançar um acordo diplomático que permita o encerramento do conflito e a reabertura do estreito de Hormuz".
 

Segundo ele, o prolongamento do impasse e a ausência de perspectivas de resolução no curto prazo têm mantido os investidores mais cautelosos. "Nesse contexto, aumenta a busca por ativos considerados portos seguros em momentos de estresse e liquidez, como o dólar, movimento que tende a prejudicar o desempenho do real".
 

Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, a falta de previsibilidade mantém a aversão ao risco elevada globalmente.
 

"Um efeito dessa expectativa de inflação mais elevada leva ao avanço nos juros dos títulos norte-americanos, o que atrai capital para os Estados Unidos e drena a liquidez de mercados emergentes", afirma
 

Em entrevista à reportagem, Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, afirmou que o Irã está desenhando um protocolo para permitir a passagem de embarcações pelo estreito de Hormuz, mas navios dos Estados Unidos, de Israel e de países que apoiaram a guerra não poderão trafegar pela via marítima.
 

No domingo (17), o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã caso o país não aceite a proposta norte-americana. "Para o Irã, o tempo está acabando, e é melhor eles se mexerem, rápido, ou não restará nada deles", afirmou o republicano em sua plataforma Truth Social.
 

Na segunda-feira (18), Teerã enviou uma resposta à proposta de paz feita pelos norte-americanos. O Paquistão, negociador entre as partes, confirmou que recebeu o documento e encaminhou aos norte-americanos.
 

Enquanto isso, diplomatas estrangeiros e autoridades ligadas ao governo iraniano estão em estado de alerta máximo, na expectativa de retomada dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
 

Também na véspera, Trump disse ter adiado um ataque ao país a pedido de líderes de países do Golfo.
 

No exterior, o preço do petróleo volta a superar a marca de US$ 110. Por volta das 11h, o barril Brent, referência mundial, era vendido a US$ 110,92, alta de 1,12% —na máxima, chegou a US$ 111,58.
 

O conflito no Oriente Médio tem causado o bloqueio do fluxo no estreito de Hormuz, via por onde passa cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo e gás.
 

A guerra pressiona as cotações do petróleo e adiciona incertezas às cadeias globais de insumos, aumentando a preocupação com uma alta inflacionária no mundo. Além do efeito sobre os combustíveis, há temor de repasses para produtos como alimentos, já que o diesel é um dos principais insumos da cadeia produtiva.
 

No Brasil, o conflito já aparece nos indicadores da inflação e leva o Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, a adotar uma postura mais cautelosa no ciclo de cortes de juros brasileiro.
 

Na ata da última reunião, em maio, o colegiado reforçou que a magnitude e a duração dos cortes serão determinadas conforme novas informações forem divulgadas. Analistas do mercado financeiro já projetam o avanço do IPCA (indicador da inflação) a 4,92%, acima do teto da inflação.
 

A alta acumulada em 12 meses do IPCA foi de 4,39% até abril. O centro da meta oficial para a inflação é de 3%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
 

Internamente, investidores seguem atentos aos desdobramentos do caso que liga o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro, atualmente preso.
 

Pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada nesta terça, revela que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) caiu 6 pontos no cenário de segundo turno contra Lula (PT). Flávio marca 41,8%, enquanto o presidente alcança 48,9% no cenário. Na última pesquisa do instituto, a diferença entre eles era de 0,3%.
 

A queda nas intenções de voto acompanha as revelações do envolvimento do senador com Vorcaro. Na última semana, o site Intercept Brasil revelou que Flávio pediu dinheiro ao ex-banqueiro para financiar o filme "Dark Horse", com um aporte de R$ 61 milhões de Vorcaro. A Folha e o próprio Flávio confirmaram as mensagens —o senador negou ter recebido ou oferecido vantagens por conta disso.
 

A Polícia Federal suspeita que recursos ligados a Vorcaro foram utilizados para financiar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos —onde ele reside desde fevereiro de 2025. Eduardo e Flávio negam.
 

As revelações provocaram a maior alta (+2,24%) do dólar desde 5 de dezembro, data em que a moeda disparou 2,33% após o anúncio de Flávio Bolsonaro como candidato de Jair Bolsonaro, surpreendendo o mercado financeiro, que até então preferia o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
 

Analistas avaliam que o senador tem perfil mais alinhado ao controle de gastos do que o atual presidente, Lula. Integrantes da equipe econômica do pré-candidato defendem um ajuste fiscal inicial equivalente a dois pontos percentuais do PIB (Produto Interno Bruto) em caso de vitória eleitoral.