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Marca Bahia Notícias

Notícia

Anac diz que pode adotar medidas contra chileno preso sob suspeita de racismo em voo

Por Folhapress

Anac diz que pode adotar medidas contra chileno preso sob suspeita de racismo em voo
Foto: Reprodução / X

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) afirmou neste domingo (17) que poderá adotar medidas contra o passageiro preso sob suspeita de xenofobia e racismo na última sexta-feira (15), ao desembarcar no aeroporto de Guarulhos (SP) vindo de Frankfurt, na Alemanha. Ele poderá, por exemplo, ter recusada a compra de bilhetes por empresas aéreas brasileiras, além de sofrer processos judiciais.
 

O executivo chileno foi gravado fazendo comentários racistas e homofóbicos contra um comissário de bordo em um voo da Latam no último dia 10, quando seguia para a Alemanha. Ele acabou preso na volta.
 

Durante a viagem, o homem chamou um funcionário de "preto" e "macaco" e imitou o animal. Ele ainda disse que o comissário tinha "cheiro de negro brasileiro" e que ser gay "é um problema".
 

A reportagem não localizou a defesa do chileno Germán Naranjo Maldini, tampouco teve acesso ao que ele alegou à polícia.
 

O passageiro pode ser condenado a cumprir pena de 2 a 5 anos de prisão pelo crime de racismo (que inclui a injúria racial). Não há direito a fiança.
 

Em nota, a Anac disse que acompanhará a apuração dos fatos e adotará, no âmbito de suas competências legais e regulatórias, "medidas cabíveis em conjunto com a companhia aérea e demais autoridades competentes".
 

"A conduta do passageiro será analisada à luz das normas da aviação civil", diz a nota.
 

A agência reguladora poderá, por exemplo, auxiliar a Latam e demais companhias aéreas a exercer o direito de cancelar ou recusar a emissão de bilhetes para pessoas que representassem riscos operacionais, como tem sido tratado o passageiro chileno, como afrirma a própria agência na nota.
 

"Atos de indisciplina podem comprometer a segurança das operações aéreas, implicando a viagem de todos os passageiros e tripulação do voo", diz a Anac, que também poderá atuar em processos judiciais.
 

Uma regulamentação publicada em 6 de março, entretanto, vai encurecer ações contra passageiros indisciplinados. Ela só vai entrar em vigor em 14 de setembro.
 

Casos como o do chileno poderão ser enquadrados na categoria gravíssima, com a aplicação de multa de R$ 17,5 mil e inclusão do nome do passageiro em lista de impedimento de embarque.
 

"A Anac publicou a sua Resolução 800 [em março] para garantir maior segurança nos voos para passageiros, tripulantes e trabalhadores de aeroportos", diz trecho da nota.
 

A agência, que disse ter tomado conhecimento do caso neste domingo, também manifestou "seu mais veemente repúdio à conduta violenta, racista, homofóbica" do passageiro.
 

Na sexta-feira, Maldini passou por audiência de custódia em que o juiz manteve sua prisão preventiva. Ele foi encaminhado ao CDP (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos, onde se encontra à disposição da Justiça.
 

O chileno teria iniciado as agressões após tentar abrir a porta do avião e ser impedido pela tripulação. O comportamento agressivo foi gravado por um passageiro do voo. No vídeo é possível ouvir os comentários ofensivos e discriminatórios dirigidos a um integrante da tripulação.
 

O agressor era gerente de uma empresa chilena de alimentos e biotecnologia marinha, a Landes. Na sexta-feira, a empresa anunciou que ele seria afastado "formal e preventivamente" de suas funções.
 

"A companhia condena de forma categórica e inequívoca todos os atos de discriminação, racismo e homofobia. Esse tipo de comportamento é totalmente incompatível com os valores da Landes e com sua política de não discriminação, que se aplica a todos os funcionários da empresa. A empresa está reunindo mais informações para tomar as decisões adequadas, de acordo com seus protocolos internos e regulamentações vigentes", disse a empresa, em nota.
 

Também em nota, a Latam disse que repudia veementemente qualquer prática discriminatória e violenta, incluindo crimes de racismo, xenofobia e homofobia, e que presta acolhimento psicológico e suporte jurídico ao funcionário vítima da violência.