PF investiga investimento milionário de fundos de previdência de Cajamar no Master
Por Ana Paula Branco | Folhapress
A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (13), uma operação para investigar suspeitas de gestão temerária no instituto de previdência dos servidores municipais de Cajamar, na Grande São Paulo, após aplicações de cerca de R$ 107 milhões em títulos emitidos por bancos privados.
Batizada de Off-Balance, a operação cumpre seis mandados de busca e apreensão em Cajamar, Boituva e na capital paulista. A Justiça Federal também determinou afastamentos de cargos públicos e indisponibilidade de bens dos investigados. Não foram divulgados os nomes dos investigados. As medidas foram autorizadas pela 9ª Vara Criminal Federal de São Paulo.
A reportagem tenta contato com o instituto.
Segundo a PF, as investigações miram a aplicação de recursos do RPPS (Regime Próprio de Previdência Social), responsável por aposentadorias e pensões dos servidores públicos do município. Os investigadores apuram se houve exposição indevida do patrimônio previdenciário a operações consideradas incompatíveis com o perfil de segurança exigido para fundos públicos de aposentadoria.
O foco da apuração está em quatro letras financeiras emitidas por dois bancos privados. Esse tipo de título não conta com cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), o que amplia o risco em caso de quebra ou intervenção nas instituições financeiras emissoras, como ocorreu com o Master, que foi liquidado pelo BC em novembro de 2025.
Como informado pela Folha de S.Paulo, parte relevante dos recursos teria sido direcionada ao banco de Daniel Vorcaro —que está preso. O instituto de previdência de Cajamar aplicou R$ 87 milhões em letras financeiras da instituição entre outubro de 2023 e março de 2024. O banco entrou no radar de autoridades após sucessivas investigações sobre sua atuação e questionamentos sobre sua solidez financeira.
O caso de Cajamar não é isolado. Nas últimas semanas, a PF abriu investigações semelhantes envolvendo regimes próprios de previdência de municípios paulistas que aplicaram recursos em letras financeiras emitidas pelo Master. Em abril, a Operação Moral Hazard apurou investimentos de cerca de R$ 13 milhões feitos pelo instituto de previdência de Santo Antônio de Posse em papéis ligados ao banco de Vorcaro.
Dados do Ministério da Previdência mostram que institutos de aposentadoria de estados e municípios aplicaram ao menos R$ 1,8 bilhão em letras financeiras do Master sem garantia do FGC entre outubro de 2023 e dezembro de 2024.
Entre os principais investidores estão a Rioprevidência, com cerca de R$ 970 milhões aplicados, a Amprev (Amapá), com R$ 400 milhões, e o Iprev de Maceió, com R$ 97 milhões. Em São Paulo, o instituto de São Roque investiu R$ 93 milhões.
Os institutos afirmam que, à época das aplicações, o Master estava autorizado a operar e contava com classificação de risco considerada adequada.
