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Entorno de MC Ryan tem 'simbiose' com firmas suspeitas de fraudes em bets, aponta PF

Por Tulio Kruse | Folhapress

Entorno de MC Ryan tem 'simbiose' com firmas suspeitas de fraudes em bets, aponta PF
Foto: Instagram

No organograma da Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal há uma semana para desbaratar um suposto esquema de lavagem de dinheiro, o artista Ryan Santana dos Santos —o MC Ryan— está a apenas uma conexão de distância de uma empresa suspeita de praticar estelionato e se beneficiar de apostas ilegais.
 

Trata-se de um assessor do funkeiro que é também seu amigo de infância, segundo documento apresentado pela PF à Justiça Federal. Alexandre Paula de Sousa Santos, conhecido como Belga ou Xandex, recebeu R$ 2,9 milhões num período de dois meses da empresa YCFShop Tecnologia em Ecommerce.
 

A YCFShop é acusada de aplicar golpes em usuários de jogos virtuais, sumindo com o dinheiro de quem tenta retirá-lo das plataformas onde a empresa opera. Ela já teve contas bancárias encerradas por instituições financeiras como a Celcoin e o Nubank, de acordo com a PF, por "falta de fundamento econômico". A reportagem não conseguiu o contato de nenhum representante da empresa.
 

E Belga, segundo relatórios apresentados pela investigação, fez pagamentos diretamente a uma empresa do funkeiro, a MC Ryan SP Produção Artística. Durante seis meses em 2024, o assessor repassou um total de R$ 2,6 milhões ao funkeiro, diz o documento da PF.
 

Apesar da menção a uma "complexa teia criminosa voltada à lavagem de capitais" no documento, nesse caso o caminho entre a suspeita de crimes financeiros e uma conta bancária controlada pelo artista tem só esse intermediário.
 

O advogado Felipe Cassimiro, que representou tanto MC Ryan quanto Belga na audiência de custódia, afirma que a defesa está comprometida com a comprovação do lastro dos pagamentos que o artista e seu entorno recebeu. Ele disse que Ryan já firmou um Acordo de Não Persecução Penal com o Ministério Público de São Paulo que se refere, em boa parte, ao que é investigado agora pela PF.
 

Esses pagamentos são apenas parte do fluxo financeiro considerado suspeito pela PF. O assessor de MC Ryan tem outras fontes que repassaram centenas de milhares de reais e que tiveram apontadas conexões com jogos ilegais, denúncias por retenção dos valores de apostas.
 

A YCFShop aparece ao lado da empresa Golden Cat Processamento de Pagamentos Ltda. em um processo judicial que, em setembro de 2024, resultou no bloqueio de plataformas ilegais de jogos de azar, que tinha o Jogo do Tigrinho como uma das principais atrações.
 

Para a PF, o fato de as empresas serem acusadas no mesmo processo é sinal de que "ambas compõem o mesmo grupo de intermediadoras de pagamentos utilizados pela máfia das apostas para drenar a economia popular brasileira".
 

A defesa de Sun Chunyang, sócio da Golden Cat, afirmou que "demonstrará a absoluta ausência de elementos concretos de que tenha praticado atos ilícitos, exercido comando operacional ou obtido qualquer proveito econômico" relacionado aos fatos investigados na operação. Os advogados Sérgio de Oliveira Júnior, Vitor Eduardo Nunes de Melo e Paulo Carpegiani, que o representam, afirmaram que ele atua como intérprete e intermediador comercial, tem vida regular e histórico de trabalho lícito.
 

Eles disseram que confiam "plenamente no Poder Judiciário" e estão adotando medidas para demonstrar que não há motivo para manter sua prisão.
 

Aberta por sócios chineses em 2023, a Golden Cat é considerada pela investigação "o topo da pirâmide financeira identificada até agora", diz o documento apresentado à Justiça. Enquanto outras empresas de intermediação de pagamentos identificadas no esquema movimentaram milhões no período investigado, ela movimentou mais de R$ 1 bilhão —75% do que foi rastreado no esquema teria passado pelas contas da Golden Cat.
 

"Especialmente a partir do segundo trimestre de 2024, a relação entre a Golden Cat e MC Ryan SP indica uma simbiose operacional em plena atividade, estruturada para a exploração de jogos de azar e lavagem de capitais", diz a representação da PF.
 

De acordo com o documento, a firma chinesa arrecadaria bilhões de reais com plataformas de apostas ilegais e estelionato digital e repassaria esse montante a empresas intermediadoras de pagamento de forma pulverizada.
 

As principais empresas destinatárias do dinheiro da Golden Cat então fariam "o pagamento 'limpo' de comissões para os influenciadores que atraem as vítimas, irrigando diretamente a estrutura de MC Ryan", diz a PF.
 

MC Ryan e seu entorno são suspeitos de ter conexões com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Essa acusação parte principalmente das investigações contra produtoras de funk acusadas de lavar dinheiro da facção criminosa. Os documentos da PF mostram que Ryan e empresas ligadas a ele receberam dinheiro dessas empresas.
 

Além disso, a polícia afirma que um padastro do artista teria conexões com a cúpula da facção e aponta suspeitas de que o início de sua carreira tenha sido financiado por dinheiro do crime.