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Marca Bahia Notícias

Notícia

PF vê indícios de que Careca do INSS corrompeu policiais para forjar furto de Audi

Por Mariana Brasil e João Gabriel | Folhapress

PF vê indícios de que Careca do INSS corrompeu policiais para forjar furto de Audi
Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado

A PF (Polícia Federal) encontrou indícios de que o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, tentou corromper duas policiais de São Paulo para forjar o furto de um carro de luxo e incriminar um ex-assessor.
 

O veículo, um Audi RS6 AV 560CV, foi apreendido durante a Operação Sem Desconto, que investiga o esquema bilionário de fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) por meio de saques não autorizados no pagamento de aposentados.
 

O Audi estava com Antunes quando foi apreendido, mas, de acordo com uma decisão do ministro André Mendonçã, do STF (Supremo Tribunal Federal), pertencia ao ex-funcionário Edson Medeiros.
 

O documento -que está sob sigilo- foi revelado pelo Metrópoles e obtido pela Folha. No texto, o ministro determina que o carro seja restituído a Medeiros, já que o veículo não é fundamental para as investigações.
 

No processo, segundo o ministro, a defesa do Careca do INSS afirmou que o ex-diretor não era o titular do Audi e que o veículo teria sido furtado dele, mas Mendonça refutou essa possibilidade.
 

"Segundo noticiado pela Polícia Federal em sua representação nos autos, há fortes indícios de que Antonio Camilo [Antunes] teria corrompido duas policiais civis do Estado de São Paulo, uma escrivã e uma investigadora, para que forjassem a prática de um suposto crime de furto do veículo Audi", diz o magistrado.
 

À reportagem a defesa de Antunes negou a tentativa de incriminar as policiais e informou que as acusações de furto contra o ex-assessor foram feitas pela subtração de dois outros carros, não pelo Audi -objeto citado na decisão de Mendonça.
 

Em sua decisão, Mendonça ressaltou que mensagens anexadas ao processo mostram Medeiros tratando da documentação de compra do veículo, o que demonstra que ele era o seu titular.
 

Segundo o ministro, depois disso o então funcionário emprestou o carro para Antunes.
 

"Nesse momento é que ocorreu a apreensão do automóvel", disse Mendonça, com referência a operação da PF que encontrou o Audi em posse do Careca do INSS.
 

De acordo com o ministro do STF, as policiais envolvidas na tentativa de forjar o furto do carro foram afastadas de seus cargos.
 

Citando um relato da Corregedoria-Geral da Polícia Civil de São Paulo, o ministro afirmou que foram encontradas com uma delas anotações sobre documentos dos carros de Antunes.
 

A defesa do Careca do INSS afirma que ele registrou uma queixa de furto contra seu ex-assessor. O caso é investigado pela Polícia Civil de São Paulo, mas não diz respeito ao Audi, e sim a outros carros.
 

De acordo com o relatório da ocorrência, Antunes disse que o funcionário subtraiu de uma empresa sua dois veículos de luxo -um Porsche 911 Carrera GTS e uma BMW M5-, um celular iPhone, um iPad, utensílios domésticos e mais R$ 30 mil que estavam no cofre da companhia.
 

Ainda segundo o registro da Polícia Civil, o lobista diz que foi cobrado em R$ 2 milhões para que tudo fosse devolvido.
 

O ex-funcionário foi procurado pela reportagem, mas preferiu não comentar o caso. Nos autos, ele negou as acusações e disse que o lobista devia a ele mais de R$ 1 milhão.
 

Ambos foram sócios e trabalharam juntos, segundo o relato da polícia, que chegou a apreender a BMW, junto com diversos equipamentos eletrônicos, mas não encontrou o Porsche durante as diligências.
 

Mensagens anexadas ao processo indicam ainda que Antunes teria emprestado a BMW ao ex-funcionário.
 

"Nossa manifestação é que Edson [Medeiros] subtraiu bens da empresa e de Antônio [Camilo Antunes], que um dos veículos está desaparecido até o momento e que confia na Justiça", disse, por sua vez, a defesa do Careca do INSS.