Ex-PM é condenado a 32 anos de prisão por homicídio de bicheiro no Rio
Por Folhapress
O 1º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro condenou nesta sexta-feira (10) o ex-policial militar Rodrigo Silva das Neves a 32 anos, 9 meses e 18 dias de prisão, em regime fechado, pelo assassinato do bicheiro Fernando Iggnácio. A condenação é de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e por emboscada).
O crime ocorreu em uma emboscada no estacionamento de um heliponto no Recreio dos Bandeirantes, zona sudoeste do Rio, em novembro de 2020.
Iggnácio era genro de Castor de Andrade, um dos maiores bicheiros cariocas. A morte de Castor, em 1997, desencadeou uma disputa familiar pela herança.
Ao ler a sentença nesta sexta, o presidente do júri, juiz Thiago Portes Vieira de Souza, disse que o conjunto de provas revela um "papel de destaque" de Rodrigo no plano de execução de Iggnácio.
Segundo a sentença, o carro usado no homicídio era clonado e estava sob responsabilidade do ex-policial. No apartamento do acusado, ainda de acordo com o documento, estavam guardadas armas e munições que teriam sido usadas no crime.
O juiz ainda mencionou que Rodrigo exercia a função de policial da ativa à época do assassinato e teria o dever de garantir a segurança pública.
"Mas, ao contrário, optou por, intimamente envolvido com personagens da máfia da contravenção do jogo de bicho, praticar conduta que deveria reprimir, utilizando, inclusive, de seus conhecimentos policiais adquiridos no exercício da função para efetivar o crime e garantir o êxito da empreitada", acrescentou.
Em nota assinada pelo advogado Luiz Felipe Alves e Silva, a defesa de Rodrigo disse que vai recorrer da decisão e aguardar o julgamento de habeas corpus que tramita no STJ (Superior Tribunal de Justiça) buscando a nulidade de uma prova dos autos.
Durante o julgamento, a defesa argumentou que não haveria evidências diretas para vincular o ex-PM à execução do contraventor. Também apontou que o réu não tinha ligação comprovada com os supostos mandantes e que os elementos apresentados pela acusação eram frágeis ou diziam respeito a outros investigados.
Conforme as investigações, a morte de Iggnácio teria sido encomendada pelo bicheiro Rogério de Andrade, sobrinho de Castor.
Embora seja apontado como suposto mandante, Rogério não integrou o mesmo julgamento. Ele nega a acusação e está preso em presídio federal.
Outros dois acusados de participação no crime, os irmãos Pedro Emanuel D'Onofre Andrade Silva Cordeiro e Otto Samuel D'Onofre Andrade Silva Cordeiro, também seriam julgados ao lado de Rodrigo.
Eles, porém, decidiram no início do júri dispensar seus advogados por discordância na estratégia de defesa. Com isso, os dois deverão constituir nova defesa, e outra data deve ser definida para o julgamento.
Ygor Rodrigues Santos da Cruz, outro suspeito de participar da execução, foi encontrado morto em 2022.
