Janela leva pelo menos 114 deputados a trocar de partido para eleição
Por Augusto Tenorio e Raphael di Cunto | Folhapress
A janela partidária encerrada nesta sexta-feira (3) fez com que pelo menos 114 dos 513 deputados trocassem de partido. Nessa dança de 22% das cadeiras, a sigla que mais atraiu parlamentares foi o Podemos. O PL, por sua vez, conseguiu recompor a bancada, conforme já apontava a prévia de mudanças registradas até a semana anterior. A base do presidente Lula (PT) permaneceu estável.
Os números finais ainda devem ter pequenas variações, pois parte das trocas de última hora pode ainda não ter sido informada ao sistema da Câmara.
O Podemos atraiu 10 parlamentares, chegando a uma bancada de 26 integrantes, acima do PSDB, que ressurgiu das cinzas e agora conta com 17 representantes na Câmara.
Os casos do Podemos e do PSDB são parecidos. Ambas as siglas carecem de lideranças regionais, mas possuem uma estrutura partidária consolidada. Dessa forma, são atrativas para parlamentares que desejam controlar uma legenda em seu estado sem precisar fazer uma disputa interna ou dividir poder.
O PL do senador Flávio Bolsonaro (RJ), que é pré-candidato à Presidência da República, foi uma das siglas que mais ganharam com a janela partidária. A sigla de oposição elegeu 99 deputados em 2022, mas foi perdendo quadros aos poucos por desentendimentos dentro da própria direita ou para se aproximar do governo Lula (PT).
A legenda chegou a cair para 87 deputados. Agora, pela parcial apresentada ao fim da janela, o PL conseguiu atrair 9 parlamentares, somando 96.
O PSD de Gilberto Kassab e do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato à Presidência nas eleições de outubro, ficou estável, perdendo 14 deputados e atraindo 14 até o momento. Sua bancada, segundo os dados parciais, fica com os atuais 47 integrantes.
O PDT, por sua vez, perdeu 5 deputados e teve sua bancada encolhida para 12 membros.
Para a maioria das siglas da base de Lula pouca coisa mudou. Não houve troca informada no PT, e os demais partidos que compõem a federação com a legenda, o PV e o PC do B, informaram ter ganhado um deputado cada. Atualmente, essa aliança, que na prática faz as legendas funcionarem como uma só na eleição, conta com 87 cadeiras na Câmara.
O PSB até o momento informou ter perdido 5 deputados, mas a situação pode mudar com a consolidação dos dados por causa da filiação do senador Rodrigo Pacheco (MG) na última quarta (1). Esperava-se que deputados federais da base dele migrassem para a sigla na última hora, visando apoiá-lo no projeto de disputa pelo Governo de Minas Gerais.
A janela partidária é o período em que deputados federais e estaduais podem trocar de partido sem o risco de perder o mandato por infidelidade. Isso porque a Justiça eleitoral entende que o mandato deles pertence aos partidos. Já senadores podem mudar a qualquer tempo. A janela é aberta 30 dias antes da data final para a troca de partido para a próxima eleição, que será em 4 de outubro.
Ter um grande número de deputados fortalece partidos nas negociações políticas para candidaturas, além de facilitar a eleição de uma maior bancada no pleito de outubro. As mudanças também não impactam a divisão do fundo eleitoral, que em grande parte é rateado proporcionalmente aos votos para a Câmara e ao número de deputados eleitos por cada legenda.
Dessa forma, ao mesmo tempo que ter mais deputados tem um lado positivo na questão política, também apresenta um fator de desafio para distribuir o fundo eleitoral para mais pessoas. No caso de quem perdeu, a aposta é que a verba garantida na eleição anterior ajude na votação de novos parlamentares.
Antes mesmo da abertura da janela, 48 deputados federais já tinham trocado de partido, como o ex-ministro Ricardo Salles (SP), que saiu do PL e se filiou ao Novo para concorrer ao Senado, e Luciano Zucco, que trocou o Republicanos pelo PL para disputar o Governo do Rio Grande do Sul com apoio da família Bolsonaro.
Nessas trocas realizadas antes da janela partidária, foi necessário um acordo entre a legenda que perdeu o deputado e a nova sigla para evitar perda de mandato.
