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Deltan Dallagnol busca Senado e monta estratégia contra decisão que o tirou das urnas

Por Catarina Scortecci | Folhapress

Deltan Dallagnol busca Senado e monta estratégia contra decisão que o tirou das urnas
Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

Agora filiado ao partido Novo, o ex-coordenador da Operação Lava Jato no Ministério Público Federal Deltan Dallagnol pretende disputar uma cadeira ao Senado na eleição de outubro próximo, mesmo sob a sombra de uma decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que não o considerou apto para as urnas de 2022.
 

Em entrevista à Folha, o advogado Leandro Rosa, responsável pela defesa de Deltan, disse que aposta na análise do novo registro de candidatura – "o que aconteceu na eleição passada fica na eleição passada" – e de antemão tenta reunir "a mais ampla possível demonstração de provas para reafirmar a elegibilidade dele".
 

Deltan foi o nome mais votado no pleito quatro anos atrás entre os concorrentes a deputado federal pelo Paraná, mas seu registro de candidatura pelo Podemos foi indeferido pelo TSE em maio de 2023, quando ele já exercia o mandato na Câmara.
 

Naquele momento, a corte concluiu que Deltan estava inelegível porque pediu exoneração do MPF no final de 2021 para evitar a instauração de um PAD, um processo administrativo disciplinar. A decisão, unânime, abriu um novo entendimento sobre o tema. Para o ex-procurador da República, tratou-se de "uma perseguição a quem combateu a corrupção".
 

Pela Lei da Ficha Limpa, de 2010, membros do Ministério Público que tenham pedido exoneração na pendência de um PAD são considerados inaptos para as urnas pelo prazo de oito anos. No caso de Deltan, não havia PAD aberto, mas o TSE entendeu que procedimentos em andamento no CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) poderiam gerar um PAD no futuro.
 

"É inequívoco que o recorrido [Deltan], quando de sua exoneração a pedido, já havia sido condenado às penas de advertência e censura em dois PADs findos, e que ainda tinha contra si 15 procedimentos diversos em trâmite no CNMP para apurar outras infrações funcionais", disse o relator do caso no TSE, ministro Benedito Gonçalves, durante o julgamento em 16 de maio de 2023.
 

Para Leandro Rosa, aquela decisão de 2023 foi "circunstancial, específica, possivelmente devido ao ambiente político daquela época, e que muito provavelmente não vai se repetir agora". Antes, no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Paraná, também por unanimidade, o registro de candidatura havia sido deferido.
 

Agora ele afirma que, se o registro de candidatura for novamente questionado, outros elementos devem ser apresentados pela defesa, para tentar demonstrar que "a transposição para a vida política foi um projeto organizado, refletido, e não uma manobra com algum objetivo oculto, para evitar um problema funcional e usar a candidatura como outra alternativa".
 

O advogado Paulo Henrique Golambiuk, presidente do Iprade (Instituto Paranaense de Direito Eleitoral), afirma que a candidatura de Deltan pode ser considerada de "alto risco", já que, independentemente das controvérsias do caso, uma jurisprudência no TSE já foi aberta em 2023.
 

Ele lembra, contudo, que, na Justiça Eleitoral, nenhum pedido de registro de candidatura pode ser sumariamente rejeitado.
 

"Vai ter um novo julgamento. Aqueles argumentos invocados em 2022/2023, para qualquer dos lados, tanto do TRE ou do TSE, naturalmente surgirão como subsídios pelas partes envolvidas, mas os julgadores de 2026 não estão vinculados a isso e inclusive serão outras pessoas", afirma Golambiuk, ao lembrar que as composições dos plenários mudam a cada biênio.
 

Nas eleições de 2024, quando já havia trocado o Podemos pelo Novo, Deltan cogitou se lançar candidato à Prefeitura de Curitiba, mas os planos não avançaram e ele acabou apoiando a candidatura de Eduardo Pimentel (PSD), do grupo de Ratinho Junior (PSD) e vencedor daquele pleito.
 

Naquele ano, ele também ajudou a angariar filiados e a movimentar campanhas de correligionários. O ex-procurador é apresentado como "embaixador nacional do Novo" e recebe salário da legenda.
 

Em 2026, se tiver a candidatura confirmada ao Senado, Deltan deve enfrentar opositores como a ministra Gleisi Hoffmann (PT) e dividir votos com nomes que atuam em um espectro semelhante ao dele, como o deputado federal Filipe Barros (PL) e a ex-candidata à prefeitura de Curitiba Cristina Graeml (União Brasil).
 

A ideia é que ele e Filipe Barros integrem a chapa encabeçada pelo senador Sergio Moro, que é pré-candidato ao Governo do Paraná pelo PL.
 

Barros e Graeml são do campo da direita radical e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena por tentativa de golpe de Estado. Assim como eles, Deltan defende a anistia aos envolvidos no 8 de janeiro de 2023 e rotineiramente faz críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal). Na visão do pré-candidato, a corte "persegue a direita".
 

Na agenda de Deltan, também há a defesa do que ele chama de "princípios cristãos e conservadores". Deltan frequenta a Igreja Batista do Bacacheri e tem levado a política para eventos evangélicos. No final de janeiro, no The Send em Curitiba, ele citou as eleições de 2026 durante sua fala ao público, em um palco montado em um estádio de futebol.
 

Ao microfone e de joelhos, ele pediu para que as pessoas assumissem "o compromisso de votar em quem tem os mesmos valores". Também afirmou que orava para "Deus retirar dos cargos aqueles que praticam corrupção". O The Send é um evento evangélico voltado para jovens e, em 31 de janeiro último, ocorreu em Curitiba e em outras quatro cidades brasileiras.