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Notícia

Greve na Argentina contra reforma trabalhista de Milei cancela voos no Brasil

Por Ana Paula Branco | Folhapress

Greve na Argentina contra reforma trabalhista de Milei cancela voos no Brasil
Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

A greve geral de 24 horas convocada pelas principais centrais sindicais da Argentina nesta quinta-feira (19) em protesto contra a reforma trabalhista do presidente Javier Milei interrompeu o funcionamento dos principais aeroportos do país e provocou cancelamentos e reprogramações de voos entre Buenos Aires e o Brasil.
 

No Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, pelo menos 21 voos com origem ou destino à Argentina foram cancelados nesta manhã, incluindo partidas e chegadas de Buenos Aires e Mendoza.
 

As rotas envolviam companhias como Aerolíneas Argentinas, Gol, Latam, além de voos internacionais operados por Delta, Air France e outras.
 

Os cancelamentos também são informados nos demais aeroportos internacionais do país, como Rio Galeão, no Rio de Janeiro; no Afonso Pena, em Curitiba; e no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre.
 

A Latam Airlines disse, em comunicado, que alterou sua operação diante da adesão formal dos sindicatos que representam trabalhadores da Intercargo —empresa responsável pelos serviços de pista nos aeroportos argentinos— à paralisação. A empresa ressaltou que alguns voos podem operar com mudanças no horário ou data, sem necessariamente serem cancelados.
 

Segundo a companhia, os passageiros afetados pelos cancelamentos e/ou reprogramações do dia 19 de fevereiro poderão optar por alteração sem custo (podendo ser ida e/ou volta) para um novo dia, dentro de um ano, a partir da data original do voo ou reembolso integral da reserva.
 

A Gol afirmou que a greve "impossibilitará todas as operações aeroportuárias" nas principais cidades argentinas —incluindo Buenos Aires, Córdoba, Mendoza e Rosário— e também comunicou aos clientes a possibilidade de remarcações sem custos ou opção por reembolso.
 

A Aerolíneas Argentinas anunciou o cancelamento de 255 voos por causa da adesão de pilotos, funcionários aeronáuticos e até de trabalhadores petroleiros que abastecem aviões.
 

Em comunicado, a companhia afirmou que a greve afetará 31 mil passageiros e terá um impacto econômico de US$ 3 milhões (R$ 15,71 milhões) para a estatal aérea.
 

A companhia argentina disse ainda que aplicará os descontos salariais correspondentes aos funcionários que participarem da greve pelo dia não trabalhado e que adotou medidas para reduzir os transtornos, como reprogramação de voos, antecipações e ajustes fora do período da greve.
 

Sindicatos liderados pela CGT (Confederação Geral do Trabalho) pressionam parlamentares a rejeitarem ou modificarem o texto da reforma aprovada na semana passada no Senado e que começa a ser discutida nesta quinta na Câmara dos Deputados.
 

O projeto reduz indenizações, permite pagamentos em bens e serviços, estende a 12 horas a jornada de trabalho e limita o direito de greve, entre outros pontos.
 

Na visão das entidades, é um retrocesso, pois precariza relações de trabalho e reduz direitos conquistados ao longo de décadas.