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Notícia

Brasileira estreia nos Jogos após acidente adiar sonho

Por Alexandre Araujo | Folhapress

Brasileira estreia nos Jogos após acidente adiar sonho
Foto: Reprodução / Instagram

Bruna Moura estava em uma van, na Itália, a caminho do aeroporto. Ela se preparava para embarcar para Pequim, onde participaria, pela primeira vez, dos Jogos Olímpicos de Inverno. Na cidade de Obervintl, o veículo em que ela estava, porém, colidiu com um caminhão, e a brasileira do esqui cross-country teve de adiar o sonho, que vai ser realizado quatro anos depois, na edição de Milão-Cortina.
 

No acidente, Bruna sofreu oito fraturas somadas nas regiões dos braços, pés e costelas, além de lesões abdominais, nos ombros e uma concussão —lesão cerebral leve e temporária, resultante de impactos na cabeça ou movimentos bruscos do corpo. As credenciais, que estavam na bagagem, tornaram-se apenas uma souvenir de uma experiência que não aconteceu.
 

A colisão resultou na morte do motorista da van. A atleta foi levada a um hospital de helicóptero, ficou dois meses sem conseguir andar e foi submetida a um ano e meio de fisioterapia.
 

"Apesar de todas essas voltas, essas subidas e descidas dessa montanha-russa de todos esses quatro anos desde o acidente, ver que chegamos no final dessa montanha seguros e classificados, é difícil descrever, eu estou muito feliz! Muito feliz mesmo! Caiu a ficha, de certa forma, mas estou tão feliz que, ao mesmo tempo, é difícil de acreditar que isso está acontecendo. Parece algo surreal", afirma Bruna.
 

A atleta, que participou de quatro Campeonatos Mundiais entre 2017 e 2025, admite que ainda há resquícios daquele episódio, mas ressalta que olha para os próximos passos.
 

"Estou muito motivada para os Jogos Olímpicos porque é um sonho que vai se realizar. Logicamente, tem um pouquinho do trauma de 2022. Então, estou super feliz, mas, ao mesmo tempo, [quero] correr o mínimo de riscos possível. Ficar em casa enquanto eu posso, treinar quando eu tiver que treinar e voltar para casa, ficar quietinha, me cuidar", apontou.
 

Apesar dos resultados que a colocaram na briga por vaga olímpica, Bruna revela que ainda tem sequelas do acidente.
 

O primeiro ano, de 2022 para 2023, foi quase inteiro fazendo o tratamento para retornar, ainda com fisioterapia e consultas médicas. Até neste domingo (8) eu ainda tenho muitas dores no meu pé esquerdo, uma sequela do acidente. Então, tem algumas coisas que preciso adaptar, mas isso virou parte da rotina.
 

Há quatro anos, Bruna mora em Nunspeet, na Holanda, com o marido Pascal Luiten. Mudou-se após o acidente e começou a trabalhar em uma loja de bicicletas. No retorno aos treinos, recebeu o apoio da comunidade, que organizou uma espécie de "vaquinha".
 

Em Milão-Cortina, a brasileira vai disputar três torneios: sprint clássico, sprint por equipe livre e 10 km feminino técnica livre.
 

SUPEROU DEPRESSÃO
 

Bruna Moura começou no esporte através do ciclismo mountain bike e tinha como mentora Jaqueline Mourão. Em 2011, porém, foi diagnosticada com um problema no coração — uma condição chamada comunicação interatrial.
 

Impedida de continuar dando novas pedaladas, Bruna apresentou um quadro de depressão, tema que ela já tratou abertamente. O balão tatuado no pulso esquerdo —imagem com origem em um sonho que ela teve— a ajuda a lembrar desse período, mas também a impulsionar corpo e mente a escrever novos episódios.
 

Ela conseguiu realizar a cirurgia e voltar à prática esportiva, mas agora no rollerski. Posteriormente, no esqui cross-country, assim como Jaqueline. E quis o destino que elas disputassem vaga em Milão-Cortina.
 

"Foi uma disputa muito árdua, muito difícil. Eu já imaginava que seria dessa forma, porque estamos falando de Jaqueline Mourão, né? Sempre tive muito respeito por ela, pela trajetória dela, por todos os resultados que ela atingiu até aqui, e sabia que essa classificação não viria de forma fácil, precisaria ter uma temporada muito boa".