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Uso da IA nas empresas vai reduzir número de vagas para iniciantes, diz pesquisa

Por Diego Felix | Folhapress

Uso da IA nas empresas vai reduzir número de vagas para iniciantes, diz pesquisa
Foto: Reprodução

Cerca de 60% dos CEOs brasileiros entrevistados pela consultoria PwC afirmaram que as empresas vão precisar de menos profissionais em início de carreira nos próximos três anos devido ao avanço da inteligência artificial nos processos de produção.
 

Entre os líderes brasileiros, quase metade espera que o corte de vagas seja leve, enquanto no cenário global, essa proporção chega a dois terços.
 

A 29ª edição da pesquisa CEO Survey, divulgada nesta segunda-feira (19), ouviu mais de 4.400 líderes empresariais em 95 países, incluindo o Brasil.
 

Enquanto profissionais juniores terão mais dificuldade no mercado, os líderes globais projetam um impacto menor na redução de vagas para os cargos de nível médio e sênior.
 

Para Marco Castro, CEO da PwC no Brasil, eliminar postos de entrada para profissionais em início de carreira será um dilema que a maioria dos setores precisará resolver no futuro, pois a qualificação das próximas lideranças será incerta.
 

"Você vai ter um plantel de profissionais que não conhecem as etapas, que não passaram pelas experiências. Estamos diante de um momento em que carreiras precisam ser redefinidas, os formatos, o desenvolvimento dessas carreiras precisa ser reestruturado, o próprio tipo de treinamento que você tem que dar para as pessoas é outro, mas eu acho que é algo que ainda não foi completamente observado [pelos CEOs]", diz Castro.
 

Na leitura da PwC, os executivos estão cada vez mais suscetíveis à chamada "opressão de curto prazo", olhando cada vez menos para processos de longo prazo e focando em temas urgentes que reflitam resultados no agora -mesmo reconhecendo que deveriam dar mais atenção ao negócio de longo prazo.
 

Segundo a pesquisa, os líderes brasileiros dizem dedicar, em média, mais da metade do tempo a temas com impacto inferior a um ano. Cerca de um terço do tempo desses executivos é direcionado a temas com intervalos de impacto entre 1 e 5 anos, e menos de 11% do tempo restante é investido em questões de longo prazo.
 

Na China, por exemplo, 49% do tempo dos executivos visa o médio prazo. Em contraposição, nos EUA e na Europa o pensamento também é mais voltado ao curto prazo.
 

O efeito da IA na adequação do dia a dia das empresas promoveu a entrada de novos setores no radar de atuação das companhias. No Brasil, 51% dos CEOs afirmaram que as companhias passaram a operar em novos setores nos últimos cinco anos (a média global é de 42%) e a luta contra a estagnação na diversificação de fontes de receita gerou margens de lucros mais altas na maior parte dos casos.
 

A confiança nas perspectivas de crescimento, por outro lado, caiu vertiginosamente da pesquisa de 2025 para a atual, saindo de 50% para 38% entre os respondentes brasileiros (30% no mundo).
 

O Brasil é um dos países que mais utiliza a IA para processos de geração de demanda, serviços de suporte, produtos e serviços, definição de direcionamento estratégico e atendimento à demanda, mas ainda vê uma parcela baixa desse investimento retornando em valor financeiro.
 

Segundo a pesquisa, 37% dos CEOs brasileiros (29% no mundo) relataram aumento de receita nos últimos 12 meses e mais de um quarto indicou redução de custos. Por outro lado, 56% deles afirmaram que o benefício da IA foi nulo, ou seja, sem impactos de receita ou de custos.
 

"É uma resistência à mudança, porque tem processos que são consagrados, você tem uma série de coisas que estão acontecendo há muito tempo daquele jeito, que estão automatizados, mas as etapas seguem acontecendo daquela forma", afirma Castro.
 

"Você está falando de romper com o passado e criar uma vanguarda completamente diferente, isso afeta o desenvolvimento de carreiras, de pessoas, como é que você vai liderar num ambiente desse? Quem é mais sênior, mais experiente, tem mais dificuldade em adotar ferramentas novas", complementa.
 

Para mais da metade das empresas brasileiras (56%), a inovação é vista como um dos pilares estratégicos, porém a tolerância ao risco é baixa. Cerca de 36% das companhias colaboram com parceiros como startups e universidades para acelerar inovação, mas somente 28% afirmaram testar novas ideias com clientes finais (a média global é de 31%).
 

Ao assumir riscos calculados e gerir falhas, a discrepância fica ainda maior: 20% das empresas nacionais toleram alto risco em projetos de inovação, contra 25% no mundo. Menos de 20% das companhias brasileiras contam com um centro de inovação ou uma divisão de investimentos em startups, proporção que chega a 23% no mundo, e somente 18% delas aplicam processos para encerrar iniciativas de pesquisa e desenvolvimento que apresentaram baixo desempenho, o que mostra dificuldade em aceitar a falha e realocar recursos visando eficiência.
 

Para os CEOs brasileiros, a instabilidade macroeconômica será o principal desafio deste ano, seguido por disrupção tecnológica e inflação. Na edição do ano passado, a falta de qualificação profissional era indicada como o principal desafio.
 

BAIXO INTERESSE DE INVESTIMENTOS NO BRASIL
 

A pesquisa também mapeou o interesse dos executivos em investir fora de suas bases locais. Cerca de 49% dos CEOs brasileiros, afirmam planejar investimentos internacionais, sendo que os Estados Unidos são o principal mercado das companhias fora do país, saindo de 36% no ano passado para 55% neste ano.
 

O aumento da participação dos EUA no cenário de investimentos brasileiros se reflete diretamente na guerra comercial imposta pelo presidente Donald Trump, que acabou forçando as empresas a abrirem operações locais como forma de driblar o aumento das tarifas.
 

A China era interesse de 10% dos executivos brasileiros no ano passado e subiu para 18% na pesquisa mais recente, enquanto a Índia dobrou a participação de 6% para 13%.
 

Na América Latina, México e Argentina perderam espaço, enquanto o Chile ultrapassou a Colômbia. A PwC avalia que isso mostra um deslocamento do interesse empresarial em mercados apontados como mais promissores ou estáveis na região.
 

O Brasil, por outro lado, ainda é visto com pouco apelo entre os CEOs globais para a realização de investimentos, com uma participação que saltou de 4% para 6% nos últimos 12 meses.
 

"O Brasil, na série histórica, faz quatro anos que deixou de estar entre os dez destinos principais de investimento. Teve um momento em que esteve entre os três primeiros lugares. Acho que o Brasil começa, nesse reposicionamento, a ver destacado as suas oportunidades, que são evidentes. É um país grande, que tem consumo, que o ar do negócio é resiliente", explica Marco Castro.
 

A questão climática também foi mapeada no estudo. Quatro em cada dez CEOs brasileiros afirmam que suas empresas estão moderadamente expostas ao risco de perda financeira como resultado das mudanças climáticas.
 

No mundo, os setores de seguros, de energia e serviços de utilidade pública foram os que mais demonstraram exposição, enquanto no Brasil o agronegócio é o setor com a percepção mais acentuada, além dos segmentos de energia, serviços de utilidade pública, varejo e serviços financeiros.