Donald Trump ameaçou processar CBS se entrevista com presidente fosse editada
Por Folhapress
A Casa Branca ameaçou processar a CBS caso fosse editada e não exibida integralmente uma entrevista entre Donald Trump e o atual âncora do programa CBS Evening News, Tony Dokoupil. A informação é do New York Times. Segundo o veículo, a gravação ocorreu na última semana e foi sucedida por um pedido, feito pela secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, a Doukopil e à produtora Kim Harvey.
"Certifiquem-se de não cortar a gravação, certifiquem-se de que a entrevista seja exibida na íntegra'", disse Leavitt, que ainda deixou claro que a ordem vinha do presidente americano. "Ele disse: 'Se não for exibida na íntegra, vamos processar vocês até o último centavo'."
Não é a primeira vez que Trump faz ataques do tipo à CBS, e a ordem vem na esteira de tensões entre Trump e emissoras americanas que têm acontecido desde o começo do governo atual. Em 2025, quando Trump processou a emissora da Paramount pela exibição de uma entrevista, durante as eleições de 2024, que teria favorecido sua ex-adversária Kamala Harris, o acordo final resultou num pagamento de US$ 16 milhões ao presidente americano.
Na época, a Paramount aguardava a aprovação de sua fusão com a Skydance pelos órgãos reguladores, o que foi concedido pouco depois da resolução desse processo. Desde então, o presidente já envolveu outros veículos de informação, como a BBC e o The Walt Street Journal, em disputas judiciais parecidas.
O cancelamento do "The Late Show", apresentado pelo humorista Stephen Colbert, conhecido por ser crítico ao presidente americano, foi anunciado logo após o desfecho da disputa judicial. Na ocasião, a CBS disse que a motivação por trás do fim do programa, que acabará em maio, era financeira.
Segundo a CBS, em comunicado emitido à imprensa neste sábado, a pressão de Trump não interferiu na decisão de se exibir a entrevista na íntegra. A emissora diz que o mesmo já havia sido decidido no momento em que a conversa com o presidente, filmada em uma fábrica da empresa Ford, foi agendada.
O caso levantou críticas semelhantes àquelas feitas contra a CBS na época em que o acordo milionário foi solucionado. Outro motivo para a revolta de artistas e outros profissionais, que afirmam que a emissora tem cedido a sua liberdade perante o governo americano, é o fato da CBS News ter decidido, em setembro, que deixará de editar entrevistas feitas com figuras públicas para o programa "Face the Nation".
A decisão aconteceu após a duração da participação da Secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, ter sido criticado por Trump. Na ocasião, ela fez uma série de declarações falsas sobre o salvadorenho Kilmar Abergo Garcia, que foi deportado dos Estados Unidos, com status legal, por engano. A CBS exibiu apenas um trecho da entrevista na televisão e disponibilizou ela inteira pela internet.
Não suficiente, Trump permanece exercendo pressões mesmo em um momento em que a CBS News se esforça para dar mais espaço a figuras do governo em sua programação. Recentemente, por exemplo, uma entrevista entre Doukopil e o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, ocupou três blocos da programação da CBS pouco depois da invasão americana na Venezuela.
Apesar do anúncio da venda da Warner Bros. Discovery para a Netflix, acordo que aguarda aprovação do governo americano, a nova ameaça de Trump acontece à luz das tentativas da Paramount de minar o acordo após ter tido diferentes propostas recusadas pelo estúdio que estava à venda.
