Safra de grãos mais que dobra em 13 anos no Brasil, diz IBGE
Por Leonardo Vieceli | Folhapress
A safra de grãos do Brasil mais que dobrou em um período de 13 anos, afirmou nesta quinta-feira (15) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Conforme o órgão, a produção saltou de 162 milhões de toneladas em 2012 para o patamar recorde de 346,1 milhões de toneladas em 2025.
A série histórica do IBGE reúne dados a partir de 1975. A divulgação desta quinta integra o LSPA (Levantamento Sistemático da Produção Agrícola), atualizado mensalmente.
Conforme o instituto, enquanto a safra mais que dobrou em 13 anos, a área colhida cresceu menos: 66,8%. Passou de 48,9 milhões de hectares em 2012 para 81,6 milhões de hectares em 2025.
Em nota, o gerente de agricultura do IBGE, Carlos Alfredo Guedes, disse que os ganhos de produtividade das lavouras refletem anos de trabalho de pesquisa de instituições como a Embrapa, que desenvolveu variedades adaptadas aos biomas do país.
"Esses ganhos também se devem às decisões dos produtores rurais, de investirem cada vez mais em tecnologias avançadas, visando alcançar o máximo do potencial produtivo das plantas", acrescentou o técnico.
O IBGE indicou que as safras de soja (166,1 milhões de toneladas), milho (141,7 milhões de toneladas), algodão (9,9 milhões de toneladas), sorgo (5,4 milhões de toneladas) e café do tipo canéfora (1,3 milhão de toneladas) também quebraram recordes.
Houve ajuda de boas condições climáticas em regiões produtoras em 2025.
PREVISÃO DE QUEDA DE 1,8% EM 2026
O instituto prevê queda na produção nacional de grãos em 2026, após a máxima alcançada no ano passado. A nova projeção é de uma safra de 339,8 milhões de toneladas neste ano, o que representaria um declínio de 1,8% ante 2025 (346,1 milhões de toneladas).
O IBGE afirmou que essa retração está ligada, principalmente, às culturas de milho, sorgo e arroz.
"Como a safra de 2025 foi muito boa para esses produtos, partimos de um patamar elevado de comparação, algumas dessas culturas ainda serão implantadas na segunda safra, então dependemos da janela de plantio e das condições climáticas para termos estimativas mais apuradas", apontou Carlos Alfredo.
"Além disso, as margens de lucro estão reduzidas, devido aos preços baixos, o que tem desestimulado os produtores a aumentar a área e os investimentos nas lavouras", completou o gerente.
A queda esperada para a safra de 2026, contudo, ficou menor se comparada à estimativa anterior do IBGE, divulgada há um mês. Na ocasião, o instituto projetava uma redução de 3% para a colheita deste ano.
CENTRO-OESTE RESPONDE POR MAIS DE 50% DA PRODUÇÃO
O órgão disse que, em 2025, a região Centro-Oeste concentrou mais da metade da produção de grãos do país, com 178,7 milhões de toneladas (51,6% do total). O Sul veio a seguir, com 86,3 milhões de toneladas (24,9%).
Sudeste (9%), Nordeste (8%) e Norte (6,5%) completam a lista.
CONAB PROJETA NOVO RECORDE
Nesta quinta, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) também divulgou a sua previsão para a safra a ser colhida em 2026. O órgão, ao contrário do IBGE, segue projetando recorde.
De acordo com a Conab, o Brasil deve produzir 353,1 milhões de toneladas de grãos. Isso representaria um crescimento de 0,3% na série da companhia estatal.
O órgão ponderou que os números são preliminares, uma vez que as culturas de primeira safra estão iniciando a colheita e dependem das condições climáticas.
"Além disso, o calendário de plantio das culturas de segunda e terceira safras, assim como das culturas de inverno, segue até junho deste ano", completou.
