Translado do corpo de brasileira morta em Portugal será pago pelo governo do Ceará
Por Folhapress
O governo do Ceará anunciou que irá pagar pelo translado do corpo de Lucinete Freitas, 55, morta em Portugal pela patroa, também brasileira.
O governador Elmano de Freitas (PT) já determinou que o estado arque com os custos. A informação foi dada na noite de ontem pelo secretário chefe da Casa Civil, Chagas Vieira, ao compartilhar nas redes sociais uma notícia que dizia que a vítima poderia ser enterrada como indigente.
Vieira afirmou ser "o mínimo para atenuar a imensa dor da família". Nos comentários, a população celebrou a decisão e disse estar aliviada com o desfecho do caso. "Desolador, mas ainda bem que a família esta podendo contar com esse aparato do governo do Ceará", escreveu uma pessoa.
Não há informações, no entanto, sobre a data do procedimento. O UOL entrou em contato com o governo do Ceará e questionou se há uma previsão para o translado e aguarda retorno.
Família não conseguia trazer o corpo dela ao Brasil mesmo após um mês de sua morte. "A gente quer fazer um enterro digno aqui para ela, junto com a família, é só isso que a gente quer. Ela não merecia isso", falou a irmã da vítima, Francisca Freitas, à TV Globo, na última semana.
RELEMBRE O CASO
Lucinete desapareceu no dia 5 de dezembro. A família foi informada pela Polícia Judiciária de Portugal, no dia 19 de dezembro, que o corpo havia sido localizado em uma região de mata densa.
Última vez que a babá manteve contato com a família foi por telefone, no dia em que desapareceu. Ao UOL, Teodoro Júnior, marido da brasileira há 15 anos, contou que ela havia se mudado para Portugal fazia sete meses para trabalhar como babá em Amadora, região Metropolitana de Lisboa.
No dia em que ela desapareceu, mensagem do número de Lucinete informou ao marido que ela viajaria para o Algarve, no sul do país, com uma amiga. O objetivo, segundo o recado - que descobriu depois ter sido enviado pela patroa -, seria visitar um apartamento para alugar, já que ela pretendia levar o companheiro e o filho de 14 anos para morar em Portugal.
Patroa teria mentido que levaria a vítima para casa e a conduziu até um lugar ermo no dia 5 de dezembro. Segundo o Ministério Público de Portugal, no local, Lucinete foi agredida violentamente na cabeça com um bloco de cimento. As lesões causaram a morte da vítima. Após confirmar que a brasileira estava morta, a patroa teria colocado entulhos sobre o cadáver para dificultar a localização do corpo.
Após interrogatório em 20 de dezembro, a Justiça local determinou a prisão preventiva da patroa de Lucinete. Ela foi indiciada por homicídio qualificado, profanação de cadáver, posse arma proibida e crime de falsidade informática.
A motivação do crime não foi informada, mas autoridades portuguesas disseram anteriormente que a razão poderia ser motivo fútil. Como ela não teve a identidade divulgada, a reportagem não conseguiu localizar sua defesa.
A investigação do caso ainda prossegue, segundo o MP. O homicídio é apurado pelo DIAP (Departamento de Investigação e Ação Penal) do Núcleo da cidade portuguesa de Amadora, com apoio da Polícia Judiciária local.
