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Marca Bahia Notícias

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Trump ameaça intervir no Irã por repressão a protestos; seria cruzar 'linha vermelha', diz regime

Por Folhapress

Trump ameaça intervir no Irã por repressão a protestos; seria cruzar 'linha vermelha', diz regime
Foto: ABC News

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta sexta-feira (2) ajudar os manifestantes no Irã se as forças de segurança atirarem contra eles. O aceno de Trump ocorre cinco dias após o início de protestos que já deixaram mortos (o número ainda é incerto) e representam a maior ameaça interna às autoridades iranianas em três anos.
 

"Se o Irã atira e mata violentamente manifestantes pacíficos, o que praxe deles, os Estados Unidos irão em seu resgate. Estamos prontos e carregados para agir", escreveu Trump em uma publicação nas redes sociais. Os EUA atacaram instalações nucleares iranianas em junho do ano passado, juntando-se a uma campanha aérea israelense que teve como alvo o programa atômico de Teerã e a liderança militar.
 

O presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, respondeu aos comentários de Trump alertando que a interferência dos EUA em questões domésticas iranianas equivaleria a um "caos em toda a região". Teerã apoia grupos no Líbano, Iraque e Iêmen. "O povo americano deve saber que Trump iniciou o aventureirismo. Eles devem vigiar seus soldados", disse Larijani.
 

Os comentários vieram enquanto um funcionário local no oeste do Irã, onde várias mortes foram relatadas, foi citado pela mídia estatal advertindo que qualquer agitação ou reuniões ilegais seriam enfrentadas de forma decisiva e sem clemência, aumentando a probabilidade de escalada.
 

"Qualquer mão intervencionista que ataque a segurança do Irã sob qualquer pretexto será exposta a uma resposta", escreveu Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo, Ali Khamenei, no X. "A segurança do Irã é uma linha vermelha."
 

MAIORES PROTESTOS EM TRÊS ANOS
 

Os protestos desta semana contra a inflação em alta se espalharam pelo Irã, com confrontos entre manifestantes e forças de segurança concentrados nas províncias ocidentais de Lorestan e Chaharmahal e Bakhtiari.
 

A imprensa ligada ao Estado e grupos de direitos humanos relataram pelo menos seis mortes desde quarta-feira (31), incluindo um homem que as autoridades disseram ser membro da milícia Basij, afiliada à Guarda Revolucionária.
 

O Irã conseguiu conter repetidos protestos nas últimas décadas, muitas vezes com pesadas medidas de segurança e prisões em massa. Mas os problemas econômicos podem deixar as autoridades mais vulneráveis agora.
 

Os protestos desta semana são os maiores em três anos, desde que manifestações nacionais desencadeadas pela morte de uma jovem sob custódia no final de 2022 paralisaram o Irã por semanas, com grupos de direitos humanos relatando centenas de mortos.
 

O presidente Masoud Pezeshkian adotou um tom conciliatório, prometendo diálogo com líderes de protestos sobre a crise do custo de vida, mesmo enquanto grupos de direitos humanos afirmavam que forças de segurança haviam atirado contra manifestantes.
 

Falando na quinta-feira (1º), antes de Trump ameaçar ação dos EUA, Pezeshkian reconheceu que falhas das autoridades estavam por trás da crise.
 

"A culpa é nossa. Não procurem a América ou qualquer outro para culpar. Devemos servir adequadamente para que as pessoas fiquem satisfeitas conosco. Somos nós que temos que encontrar uma solução para esses problemas", disse ele.
 

O governo de Pezeshkian está tentando um programa de liberalização econômica, mas uma de suas medidas, a desregulamentação de algumas trocas de moeda, contribuiu para um forte declínio no valor do rial iraniano no mercado não oficial.
 

A moeda em queda agravou a inflação, que permaneceu acima de 36% desde março, mesmo por estimativas oficiais, em uma economia abalada por sanções ocidentais sobre o programa nuclear.
 

Os ataques israelenses e americanos do ano passado aumentaram a pressão sobre as autoridades, assim como a destituição de Bashar al-Assad da Síria, um aliado próximo de Teerã, e o bombardeio israelense de seu principal parceiro regional, o Hezbollah do Líbano.
 

O Irã continua apoiando grupos no Iraque que anteriormente dispararam foguetes contra forças americanas no país, bem como a milícia houthi que controla grande parte do norte do Iêmen.
 

MORTES E PRISÕES
 

O grupo de direitos humanos Hengaw relatou na quinta-feira que 29 manifestantes foram detidos durante a última onda de manifestações.
 

Na província de Lorestan, lar de grande parte da população étnica lor do Irã e local de alguns protestos intensos, um alto funcionário judicial disse à mídia estatal que não haverá tolerância para ações ilegais que ameacem a ordem pública e a segurança.
 

Chaharmahal e Bakhtiari também testemunharam protestos.
 

A Agência de Notícias semi-oficial Fars relatou na quinta-feira que três manifestantes foram mortos e 17 ficaram feridos durante um ataque a uma delegacia de polícia no oeste de Lorestan.