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Notícia

Ainda longe do pódio, Brasil conta com veterano para evoluir na São Silvestre

Por Bruno Rodrigues | Folhapress

Ainda longe do pódio, Brasil conta com veterano para evoluir na São Silvestre
Giovani dos Santos ficou em oitavo | Foto: Reprodução

Não foi em 2018 que o Brasil retornou ao pódio da corrida de São Silvestre, mas os atletas brasileiros conseguiram pelo menos melhorar seu desempenho em relação à prova do ano anterior.

Em 2017, o país não emplacou ninguém nos cinco primeiros colocados, entre homens e mulheres, pela primeira vez desde 2011. O fato se repetiu agora. Nos tempos e na colocação final, porém, os corredores da casa podem comemorar algum avanço.

O veterano Giovani dos Santos, 37, foi o melhor brasileiro. Ele terminou na oitava posição, com tempo de 46 minutos e 38 segundos. Em 2017, Ederson Pereira, 28, o melhor colocado do país, havia terminado em 12º, 20 segundos acima da marca de Giovani.

Na categoria feminina também houve leve melhora. Jenifer Silva, 27, encerrou a São Silvestre de 2018 em oitavo lugar, com 54 minutos e 5 segundos, um segundo a menos do que Joziane Cardoso no ano passado, que ultrapassou a linha de chegada em décimo.

Nos dois gêneros, os brasileiros chegaram bem depois dos primeiros colocados.

Giovani, que já tem seis pódios de São Silvestre na carreira e atualmente está sem clube, alerta para a falta de renovação do atletismo no país.

"A gente tem pouco apoio. Você não vê hoje alguém novo aparecendo. Acaba ficando só entre os que estão [no circuito]. A gente não vê essa nova era. Como vão descobrir novos talentos?", disse o atleta.

O experiente fundista também comentou o jejum de vitórias brasileiras na corrida. O país não vence a São Silvestre desde 2010, quando Marílson dos Santos conquistou o terceiro de seus três títulos no evento (2003, 2005 e 2010).

"As pessoas veem os brasileiros correndo, mas ninguém pergunta se estão precisando de apoio, treinando no lugar ideal. Treino eu e Deus no asfalto. Precisávamos nos unir mais, a própria CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) poderia fazer um trabalho com os cinco melhores brasileiros e as cinco melhores, para fazermos uma São Silvestre melhor", afirmou ele, que comparou a realidade vivida pelos concorrentes.

"Os africanos sempre estão juntos, treinando em grupo. A gente precisa disso também."

Jenifer Silva, que tem um título de Troféu Brasil nos 5.000 m, em 2016, se disse contente com seu desempenho individual, mas também criticou a formação de atletas e a situação do esporte brasileiro.

"Os mais antigos conseguiam ficar entre os cinco melhores. Falta um pouco mais de apoio nas categorias de base. O Bolsa Atleta era uma parte que ajudava a gente a complementar nosso trabalho", disse a atleta do clube Pinheiros.

Na última semana, o governo Michel Temer (MDB) anunciou um corte de 47,5% no número de bolsas do programa para 2019, além do fim das categorias atleta estudantil e atleta de base.

"Com o meu resultado fico muito feliz, muito satisfeita. Mas tem outras coisas que deixam a gente um pouco chateada", completou Jenifer.

Em janeiro de 2018, a B3, mais forte equipe do país, anunciou o encerramento de suas atividades depois de 16 anos. Agora em dezembro, o Cruzeiro informou os responsáveis pelo atletismo do clube, cuja equipe tem 34 anos, que o departamento será fechado. A São Silvestre marcou a despedida dos mineiros.

VENCEDOR PASSA MAL
O etíope Belay Bezabh, 23, desbancou o bicampeão Dawitt Admasu e ficou com o título da 94ª São Silvestre. Foi a primeira vitória dele na corrida. Quem também obteve conquista inédita foi a queniana Sandrafelis Chebet Tuei, 20.

Após a prova, disputada sob 28ºC em São Paulo, Bezabh passou mal, com dores no peito. Ele participou da premiação, mas antes de dar entrevista precisou de atendimento.

O etíope fez um eletrocardiograma em uma tenda médica e foi encaminhado para ser avaliado na Santa Casa. Segundo a assessoria de imprensa da São Silvestre, o atleta passava bem e ficaria em observação até o fim da tarde.

Ele completou a corrida em 45 minutos e três segundos.

Na prova feminina, Tuei vinha atrás da compatriota Pauline Kamulu até a subida da Brigadeiro Luís Antônio, mas imprimiu ritmo forte na parte final e garantiu o título com 50 minutos e dois segundos.

Desde que o Brasil venceu pela última vez a prova, em 2006, com Lucélia Peres, as quenianas ganharam nove vezes, além de outras três vitórias de etíopes.