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Sexta, 26 de Fevereiro de 2021 - 07:20

'Lockdown à baiana' foi servido sem acompanhamentos

por Fernando Duarte

'Lockdown à baiana' foi servido sem acompanhamentos
Foto: Bahia Notícias

O endurecimento das medidas restritivas na Bahia foi anunciado de maneira atabalhoada. Horas antes de o governador Rui Costa apresentar formalmente as “restrições de atividades”, a prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho, resolveu “furar” o aliado e confirmou o fechamento de atividades não essenciais entre 17h de sexta-feira (26) e 5h de segunda (1º). A medida era esperada. A forma como acabou anunciada, com uma antecedência tão pequena, não.

 

Depois do toque de recolher, a única medida possível era o fechamento de atividades econômicas. Politicamente é a mais provável de ter impacto negativo, já que atinge, indistintamente, quase todos os setores. Apenas supermercados, padarias e farmácias passariam incólumes. Pena que não houve muita clareza no anúncio. Foi preciso muita paciência para entender, por exemplo, que a circulação de pessoas está autorizada e que a proposta é uma espécie de “lockdown à baiana”.

 

Desde o princípio da pandemia, sabíamos que seriam necessários momentos de abertura e fechamento. A restrição deste final de semana é a mais dura adotada no âmbito estadual. Inicialmente programada para 381 municípios baianos, nas cidades já atingidas pelo toque de recolher, foi ampliada para toda a Bahia durante a coletiva em que o governador apresentava o “lockdown”. Mesmo que necessário o endurecimento, é preciso admitir que houve certo grau de amadorismo na condução do processo.

 

Para além de adotar as “restrições de atividades”, como prefere Rui Costa, é preciso explicitar como vai funcionar a eventual fiscalização dessa medida. Durante os períodos de abertura já não é possível identificar facilmente onde estão sendo descumpridas as recomendações sanitárias, com o fechamento será possível? São muitas perguntas cujas respostas não conseguimos encontrar. E nem mesmo o governo consegue responder facilmente.

 

Esse meio-termo entre a “vida normal” e o lockdown real foi uma alternativa encontrada pelos gestores para não decretar a real demanda: todos devem ficar em casa para interromper, mesmo que temporariamente, a cadeia de transmissão do coronavírus. Esse “lockdown à baiana”, apenas no final de semana, pode funcionar como pedagogia. Mas não me parece ser a melhor solução para a crise que não mais bate à porta, pois a arrombou há tempos.

 

Essa falta de preparo para impor uma restrição efetiva, após quase um ano de pandemia, mostra que nem todos aprendemos a lidar com o problema. Nem a sociedade, que insiste em descumprir os protocolos de segurança, nem os governantes, que apostam em fórmulas aparentemente fadadas ao fracasso. Tal atrapalhação tem uma função social ruim: dar munição para quem nega a gravidade do momento.

 

Este texto integra o comentário desta sexta-feira (26) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para a rádio A Tarde FM. O comentário pode ser acompanhado também nas principais plataformas de streaming: Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Google Podcasts e TuneIn.

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