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Segunda, 25 de Janeiro de 2021 - 07:20

Meu reino por uma vacina

por Fernando Duarte

Meu reino por uma vacina
Foto: Jefferson Peixoto/ Secom-PMS

Com a corrida por doses das vacinas contra Covid-19 ficando cada vez mais disputada, é natural que haja o acirramento dos ânimos em busca do imunizante. O Brasil perdeu o timming nesse processo e agora corre atrás do prejuízo, sob o risco de não conseguir doses suficientes no curto espaço de tempo para imunizar os grupos prioritários. Agora é cumprir uma política de redução de danos até que o fornecimento da vacina fique mais regular.

 

Desde o início da possibilidade de uma vacina, falávamos sobre os possíveis fura-filas que tentariam passar à frente para serem imunizados. Estávamos certos. E não só no Brasil. Na Espanha, o chefe do Estado-Maior, autoridade do Exército local, general Miguel Ángel Villarroya, pediu demissão após ser vacinado antes das prioridades estabelecidas pela União Europeia. Essa lógica de passar na frente parece ser bem humana, já que atinge qualquer um que veja a oportunidade de se dar bem, independente de classe social.

 

Em todo o Brasil, foram muitos políticos que argumentaram ser vacinados para darem exemplos. Em um universo de tantas negações, não é de todo ruim. Porém a moralidade deveria falar mais alto, mas quem se preocupa com ela? Com parcas doses de imunizante disponíveis, qualquer uma destinada a outro público que não o prioritário é uma dose a menos para quem precisa. Lembram daquele sentimento de solidariedade que disseram ter aflorado com a pandemia? Era tudo uma brincadeirinha...

 

Enquanto isso, há um esforço para tentar fazer milagres com o pouco disponível. Paulatinamente, vemos as doses da CoronaVac e da CovidShield desembarcando pelas bandas de cá. Percebemos também um investimento para autorizar outros imunizantes, como a Sputnik V, que começou a ser falada cercada de mistérios, agora pode ser uma alternativa viável para aumentar a amplitude dos imunizados. Ainda é pouco, mas é melhor que nada.

 

Como caminhamos para o segundo ano de restrições por causa da Covid-19, um alento, mesmo que pequeno, é algo que nos enche de esperança. Eu daria meu reino pela vacina. Mas como estou longe de ser um nobre, o jeito é esperar pacientemente pela minha vez na fila. E sem furá-la.

 

Este texto integra o comentário desta segunda-feira (25) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para a rádio A Tarde FM. O comentário pode ser acompanhado também nas principais plataformas de streaming: Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Google Podcasts e TuneIn.

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