Bahia quer apoio federal para monitorar região com água contaminada por urânio
Por André Borges | Estadão Conteúdo
Foto: Divulgação/Maura Pezzato/Ascom INGÁ
O governo da Bahia vai pedir apoio de órgãos federais para que seja implantado um programa de monitoramento permanente da água utilizada pela população de Lagoa Real, no sudoeste da Bahia. O governador da Bahia, Rui Costa, vai procurar apoio da Agência Nacional de Águas (ANA), do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama, para que seja criada uma rede de inspeção que envolva todos os poços das famílias que vivem na zona rural do município baiano. A iniciativa foi desenhada pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado da Bahia e será discutida nos próximos dias, em reunião com o governo federal, disse o secretário do Meio Ambiente, Eugenio Spengler. A decisão foi tomada a partir da reportagem publicada pelo jornal "O Estado de S. Paulo" no dia 22 de agosto, sobre a contaminação de um poço com alto teor de urânio em um sítio localizado em Lagoa Real. A estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB), que detém o monopólio de exploração do material radioativo no País, encontrou água com alto teor de urânio no poço
, mas não comunicou o fato ao governo da Bahia, tampouco ao Ibama ou Ministério do Meio Ambiente. A primeira inspeção do poço, realizada pela empresa em outubro de 2014, identificou uma quantidade do minério tóxico mais de quatro vezes acima do limite permitido para consumo humano. Uma segunda checagem feita pela INB em março deste ano voltou a encontrar índice de urânio mais de três vezes acima do permitido pelos órgãos de saúde. Conforme revelou a reportagem, nada disso foi informado aos órgãos estaduais e federais. Apenas no fim de maio é que os dois boletins foram entregues à prefeitura de Lagoa Real. Foi quando a gestão municipal foi até o proprietário do poço contaminado para comunicá-lo de que não deveria mais consumir aquela água. A INB alega que não comunicou os órgãos porque o poço estaria fora da área de sua responsabilidade e que a inspeção foi um favor ao dono do sítio, que pediu à empresa que fizesse o teste em sua água. A estatal afirma ainda que não tem responsabilidade pela contaminação, porque o poço está a 20 km de sua mina e pertence a outra sub-bacia hidrográfica. O programa de monitoramento permanente que será implantado pelo governo baiano, disse Eugenio Spengler, vai englobar inicialmente 96 poços localizados nas proximidades da área de influência da mineração de urânio. "Nós vamos montar essa rede de monitoramento o mais rápido possível. Como é uma região que tem urânio, é muito provável que haja resíduo desse metal em outros poços também", disse Spengler.si
