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Entrevista

BRT Salvador será concluído até o final de 2023, afirma Fabrizzio Muller - 26/12/2022

Por Leonardo Costa

 BRT Salvador será concluído até o final de 2023, afirma Fabrizzio Muller - 26/12/2022
Foto: Bahia Notícias

A finalização da obra do BRT Salvador será no final de 2023. Isso foi o que garantiu o secretário de Mobilidade Urbana de Salvador (Semob), Fabrizzio Muller, ao Bahia Notícias. O chefe da pasta ainda pontuou a necessidade buscar novas formas para o financiamento do custeio do transporte público.

 

“Se a gente quer uma transição energética mais consistente, precisamos intervir. Então, decidimos investir no eletrotermimal, que é um local onde os ônibus elétricos serão abastecidos. Quem está acordando é o município, com recursos próprios. Estamos criando o primeiro eletroterminal em área pública, no BRT. O local foi estudado, para que a gente pudesse ter um ganho de eficiência e não precisasse deslocar, por exemplo, os ônibus para as garagens para que eles pudessem ser abastecidos”, salientou. 

 

Ainda na entrevista, Muller pontuou a necessidade buscar novas formas para o financiamento do custeio do transporte público, tendo em vista de que a tarifa não cobre mais os gastos para colocar o sistema em operação.

 

“Eu acho que uma série de discussões surgiram em torno do financiamento do custeio do transporte público, quando se entende que a tarifa não é mais suficiente para remunerar o sistema. Com isso, vamos ter que buscar outras formas de remuneração do sistema, com recursos extra-tarifários, novas receitas, para que a gente de fato possa custear o transporte público e que de fato seja o que a população espera”, pontuou o secretário. 

 

Caso o eletroterminal conte com energia solar, os ônibus (eletricos) do BRT passam a rodar com 100% energia limpa/renovável. Perguntado sobre o assunto, Muller afirmou: “Já existe um estudo para uma parceria com a Coelba para a implantação de painéis de energia solar, para que a gente possa reverter isso para a utilização dos ônibus”. 

 

Confira abaixo a entrevista completa. 

 

O senhor anunciou a construção de um eletroterminal para abastecer os ônibus elétricos do sistema BRT. Qual a importância desse equipamento?  

Existe um planejamento no município de transição energética, com o objetivo de promover energia mais limpa para o transporte público. Só que ainda é algo muito incipiente no Brasil. O poder público precisa entrar com investimentos de infraestrutura nessa área, mas a gente vê muito pouco nas cidades brasileiras. Todo o custo termina ficando para os concessionários. Se a gente quer uma transição energética mais consistente, precisamos intervir. Então, decidimos investir no eletrotermimal, que é um local onde os ônibus elétricos serão abastecidos. Quem está acordando é o município, com recursos próprios. Estamos criando o primeiro eletroterminal em área pública, no BRT. O local foi estudado, para que a gente pudesse ter um ganho de eficiência e não precisasse deslocar, por exemplo, os ônibus para as garagens para que eles pudessem ser abastecidos. A gente vai ter capacidade de abastecer simultaneamente 20 ônibus, em três horas. Dentro desse ciclo, a gente consegue abastecer 40 ônibus, fora as recargas de oportunidade, que é quando os ônibus estão circulando e param para fazer qualquer tipo de ajuste. 

 

Há planos para ter energia solar no eletroterminal, permitindo que toda a energia aplicada nos veículos seja limpa? 

Já existe um estudo para uma parceria com a Coelba para a implantação de painéis de energia solar, para que a gente possa reverter isso para a utilização dos ônibus.

 

Qual o balanço da operação do BRT que está chegando a 80 dias?

Todas as nossas expectativas foram superadas, principalmente pela avaliação dos usuários. O BRT começou o atendimento com serviço diferenciado. O objetivo era que todas as pessoas tivessem uma percepção diferente do transporte público convencional. Então, todos os detalhes foram pensados, desde a escolha dos locais das estações, do cuidado no atendimento, orientação do usuário, escolha dos motoristas, que foram escolhidos os melhores e que são considerados diamantes. Tudo isso para o usuário ter uma percepção diferente do transporte público. Isso tem se concretizado, porque as pessoas que têm utilizado tem elogiado o serviço. A demanda hoje a gente considera que é ainda pequena, por termos só uma linha em operação, em horário reduzido, mas mesmo assim é um sistema que já transportou ao longo desses quase 80 dias mais de 700 mil pessoas, números bastante significativos que demonstram para a gente que a decisão pelo BRT naquela região foi acertada. Eu tenho certeza que a partir da instalação de novas vias, com os avanços das obras, muitas pessoas vão aderir ao modal, que já está dando muito certo. Em janeiro, tem a entrega da estação Pituba. Com isso, a gente já começa duas linhas e passa a funcionar em horário completo, de 5h às 00h. Hoje, a gente tem funcionado das 6h até as 22h. Com o avanço da obra e finalização na Lapa, outras linhas serão criadas, teremos mais frota, para dar atendimento para a região. Esse trecho até a Lapa a expectativa é até final de 2023.

 

Como a prefeitura tem acompanhado a venda dos terrenos da CSN?

Existem negociações que foram feitas diretamente com a CSN, mas o prefeito Bruno Reis tem participado bastante dessa intermediação entre os compradores e a própria empresa, os agentes financeiros, que tinham parte nos terrenos. O prefeito tem sido um elemento importante nessa negociação e na concretização da venda dos terrenos.

 

Como o sistema de transporte fecha o ano de 2022?  

A gente tem hoje ainda em razão da pandemia da covid-19 uma demanda reduzida, que é uma realidade do Brasil todo. O número de pessoas que utilizaram o transporte público de todo o país reduziu no período de pós-pandemia. Muito em razão da lógica de deslocamento, porque as pessoas estão optando por outros meios. Além disso, ainda tem a questão do trabalho em home office, porque as empresas não voltaram à normalidade. Tudo isso refletiu no transporte público. A gente tem visto discussões internacionais de sistemas que operam em até 70% da sua capacidade ou do seu público. Então é ajustar isso. Eu acho que uma série de discussões surgiram em torno do financiamento do custeio do transporte público, quando se entende que a tarifa não é mais suficiente para remunerar o sistema. Com isso, vamos ter que buscar outras formas de remuneração do sistema, com recursos extra-tarifários, novas receitas, para que a gente de fato possa custear o transporte público e que de fato seja o que a população espera.

 

Quais as ações previstas pela Semob para 2023? 

O que a gente tem agora é um foco muito grande na melhoria do transporte público. Estamos vindo de um sofrimento muito grande, que foi a pandemia, o que gerou problemas no transporte público de diversas capitais. Salvador buscou meios para reequilibrar o seu sistema. Mesmo com o efeito da pandemia, nós conseguimos renovar no ano passado 10% da frota, com ônibus com ar-condicionado. Até março do próximo ano, vão chegar 160 ônibus, com ar-condicionado. O foco é muito grande na conclusão da obra do BRT, no início da operação total do modal, para que ele possa atender a toda região que ele permeia.