Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias
Você está em:
/
Entrevistas

Entrevista

Alan Sanches promete choque de gestão na Câmara de Salvador - 09/02/2009

Por Daniel Pinto

Fotos: Max Haack/Bahia Notícias
"
O prefeito tem meu apoio incondicional enquanto vereador, mas na condição de presidente tenho que zelar pela excelência dos serviços prestados pela Câmara Municipal"

Por Daniel Pinto

Bahia Notícias - O Sr. se lançou candidato à presidência da Câmara Municipal depois da renúncia de Alfredo Mangueira e em meio a um turbulento processo de transição. Mesmo assim, conseguiu ser o nome de consenso. Quais foram os argumentos usados para convencer os seus pares e quais compromissos o Sr. teve que assumir?

Alan Sanches - Ofereci “apenas” minha credibilidade. No decorrer do meu primeiro mandato consegui a confiança de meus colegas. Tanto que em momento algum minha capacidade de gestão foi questionada. A partir do momento que você vive diariamente com seus pares não há como não transparecer suas qualidades e virtudes.

BN - Sua vontade nasceu logo após a renúncia de Mangueira ou já era algo latente?

AL - A proposta da minha vida era disputar a presidência no terceiro mandato. Conseguir a 2º secretaria já foi um grande feito. Cheguei à Mesa Diretora sem padrinhos. Mas, tive que antecipar a disputa pela presidência depois que percebi que a decisão de Mangueira era irrevogável. Bem, decidimos que o PMDB não abriria mão do cargo e que o candidato teria que sair da Mesa. Senso assim, meu nome ganhou força e viabilidade. A partir de então fui pra campo e constatei que minha candidatura era permeável entre todas as correntes.

BN - Além da condição de 2º secretário, o que te colocou em posição melhor do que a de Pedro Godinho?

AL - Acho que o apoio da oposição. Fui o primeiro a defender a permanência da minoria na Mesa Diretora da Câmara Municipal. Sempre prezei pelo equilíbrio político da Casa. Aliás, o único acordo que fiz foi garantir a vaga da oposição. O acordo foi cumprido. Não foi fácil, haja vista que conseguimos dar 30 votos a Vânia Galvão (PT). Acordo é acordo. Um político que não honra compromissos está fadado ao esquecimento. Muitos vereadores foram importantes nesse processo. Posso destacar Alfredo Mangueira, Pedrinho Pepê, Paulo Magalhães e tantos outros que não vou listar para não incorrer no perigo de esquecer alguém. Foi uma construção em conjunto.

BN - Podemos falar em total isenção do Thomé de Souza na eleição ou o prefeito João Henrique “mexeu os pauzinhos” para evitar que a vacância se transformasse numa pendenga judicial? 

AL - Os contatos que tive com o prefeito foram muito bons. Durante toda a transição ele se manteve eqüidistante. Até porque ele sempre colocou a independência entre os poderes como premissa. Ele permitiu que a Casa escolhesse o melhor candidato.


"Fui o primeiro a defender a permanência da minoria na Mesa Diretora da Câmara Municipal"


BN - Agora me diz uma coisa, por que mesmo com um parecer do procurador da Casa o vereador Paulo Magalhães Jr. (DEM) abriu mão do cargo de comando? O documento assinado pelo advogado Francisco Reis não tinha validade jurídica ou faltou apoio político ao democrata?

AL - Olha Daniel, Paulo Magalhães é um excelente quadro da Câmara. Mas, acredito que faltava apoio político. Ele entendeu que era preciso manter o equilíbrio. Foi uma demonstração de maturidade. A corda foi esticada até onde deu. Qualquer um faria o mesmo. Ele tomou a decisão acertada antes que a corda partisse. Ele fez o politicamente correto.

BN - Mas, por que o superman da Câmara é o 1º vice-presidente ao invés do presidente?

AL - Eu fiz essa pergunta à vereadora Léo Kret. Ela me disse que via uma semelhança física muito grande. Não sei se você viu, mas o site o “Aranha” também fez uma montagem em que Paulinho aparecia vestido de superman e Vânia com uma kryptonyta na mão. Acho que o apelido saiu daí (risos).

BN - Já deu tempo de arrumar a Casa? Quais foram seus primeiros atos à frente do Legislativo?

AL - Arrumar a Casa não. A Câmara anda independente do gestor por conta da qualificação dos seus funcionários. Eu comecei a conhecer administrativamente a Casa. Para tanto, fizemos uma reunião com os administradores e chefes de todos os setores. O inusitado é que eles me disseram que nenhum presidente tinha feito isso antes. Imaginava que fosse até uma tarefa rotineira. Bem, vamos lá. É imprescindível que um gestor conheça os funcionários com quem trabalha. Eles conhecem a rotina administrativa da Casa bem mais do que eu. Durante a reunião deixei bem claro que não tenho o perfil centralizador, mas quero saber de tudo porque sou o responsável legal. Não quero que tomem medidas sem o meu conhecimento. Também disse para não me trazerem apenas problemas, mas sugestões e soluções. Agora, dei início a reuniões setoriais. Já fiz com a coordenação de RH e o comandante da Polícia Militar.


"Não quero que tomem medidas sem o meu conhecimento"


BN - Houve uma grande movimentação nos bastidores por conta de possíveis mudanças nos quadros da Câmara, inclusive com a substituição do diretor financeiro José Trindade. O Sr. disse que ficarão aqueles que forem confiáveis e tiverem competência. O Sr. já fez essa avaliação? Trindade está nos planos da Casa?

AL - Essa questão está sendo avaliada. O amadurecimento que a política me deu me fez entender que as decisões não podem ser tomadas de forma açodada. O choque de gestão vai existir. Mas, a mudança não é instantânea. Estamos tomando pé das coisas. Existe muita fofoca no meio político. Tem muita gente dando barrigada por aí. O dinheiro público tem que ser muito bem utilizado. No meu caso, a responsabilidade é bem maior do que a importância do cargo.

BN - Presidente, o grupo dos 11 já demonstrou interesse em presidir algumas comissões permanentes. Mas, segundo o vereador Jorge Jambeiro (PSDB), o grupo não existe enquanto bancada e por conta disso pode ter dificuldades, já que o regimento interno da Câmara prevê a proporcionalidade partidária como critério de formação das comissões. O Sr. pretende garantir a legitimidade ao grupo dos 11 ou alterar a forma de distribuição das comissões?

AL - Oficiosamente o grupo dos 11 existe. Mas, realmente há impedimentos legais que o impede de ser reconhecido enquanto bancada. Regimentalmente existem apenas oposição e situação. O grupo dos novatos é formado por vários partidos. Eles poderiam pleitear o lugar da minoria. Daniel, temos que tomar muito cuidado com isso. Tive o apoio maciço dos 11. Vários deles acreditaram desde o início na minha proposta e demonstraram carinho por mim. Eles participaram da construção desse momento que vivemos. Entretanto, como você observou, na composição das comissões prevalece o caráter da proporcionalidade e são os líderes partidários que indicam os nomes para formação do colegiado. Apesar das movimentações, nem todos os líderes indicaram os nomes. O presidente pode opinar, mas ele não tem voto. As comissões são formadas por sete titulares e dois suplentes. Realmente existe a lei da proporcionalidade, mas acima dela está a lei do entendimento. Acredito que um acordo seja o melhor caminho. Espero que o bom senso seja uma constante desta legislatura. Mas, o que me deixa muito feliz é que essa disputa demonstra a grande vontade dos vereadores de trabalharem por nossa cidade. Os novatos chegaram com todo o gás. Ah! Lembro que no meu primeiro mandato presidi a comissão de Educação, Cultura, Esporte e Lazer. Então, eles também têm legitimidade para fazer o mesmo.


"O dinheiro público tem que ser muito bem utilizado. No meu caso, a responsabilidade é bem maior do que a importância do cargo"


BN - Quais são as comissões mais disputadas?

AL - Transporte, Educação, Planejamento e a comissão da Mulher.

BN - O que de fato houve em relação ao veto do prefeito à manutenção da secretaria municipal de Esporte e Lazer? A Câmara endossa a denúncia da vereadora Aladilce Souza (PCdoB) de que a Prefeitura cometeu uma ilegalidade ao mudar o texto final da fusão entre as secretaria de Esporte e Cultura, além de adotar medidas administrativas na nova pasta sem que ela fosse aprovada pelo Legislativo?

AL - Há um entendimento diferente. A Câmara também cometeu um equívoco na redação final na parte em que se deve numerar os artigos. Quando chegou na Prefeitura, acredito que eles tentaram remendar o erro cometido pelo Legislativo e acabaram causando uma grande confusão. Se a Prefeitura tivesse devolvido à Câmara, a situação seria contornada facilmente. Mas, não percebi em momento algum má-fé. Por isso, estamos enviando para o prefeito um novo autografo com tudo que foi apreciado na sessão em que foi aprovada a reforma administrativa. Com relação à segunda pergunta, acredito que não é bem assim. A lei que está em vigor é a que foi sancionada e, portanto, não há ilegalidade alguma no funcionamento da secretaria. A Prefeitura não está à margem da lei.

BN - Esse episódio pode abalar as relações entre os dois poderes? E mais: o desacordo à decisão de João Henrique pode te trazer complicações partidárias, já que vocês pertencem ao mesmo grupo político?

AL - De forma alguma! Os equívocos estão aí para serem corrigidos. O prefeito tem meu apoio incondicional enquanto vereador, mas na condição de presidente tenho que zelar pela excelência dos serviços prestados pela Câmara Municipal.

BN - O Sr. está inclinado a acabar com a verba indenizatória. Foi justamente o pagamento da verba que motivou a rejeição das três últimas contas da Câmara Municipal. Mas, o ex-presidente Valdenor Cardoso é o único culpado ou os vereadores que recebiam a verba também contribuíram? 

AL - Só pra você ter idéia da minha preocupação, uma das primeiras visitas institucionais que fiz foi ao Tribunal de Contas dos Municípios.

BN - O Sr. esteve com o conselheiro Otto Alencar?

AL - Tanto com Otto quanto com o conselheiro Raimundo Moreira, presidente do TCM. Tivemos uma reunião protocolar, mas conversamos sobre diversos assuntos. Eles se mostraram completamente abertos ao diálogo e tenho certeza que nossa relação será a melhor possível. Quanto à verba, compartilho com a mesma opinião do ex-presidente Mangueira: suspensão até que haja uma posição definitiva da Justiça. Em relação à responsabilidade legal, cabe exclusivamente ao antigo gestor. O presidente é o único ordenador de despesa. Repondo pela Câmara a partir do dia 02 de fevereiro de 2009.


"Cheguei à Mesa Diretora sem padrinhos"


BN - Presidente, o que o cidadão soteropolitano pode esperar da gestão Alan Sanches? 

AL - Antes de tudo, quero aproximar a Câmara da população. Durante a campanha eleitoral, propus a criação do gabinete móvel do vereador Alan Sanches. Agora, quero estender essa vontade para todo o Legislativo. A função do vereador extrapola a criação de leis e fiscalização do Executivo. Temos que intermediar as demandas da população. Somos 41 representando quase três milhões. Quero fazer uma gestão totalmente transparente. Já estamos estudando como podemos massificar a rádio e TV Câmara. Queremos fazer uma nova sala de imprensa que acomode os profissionais de forma adequada. Precisamos acrescentar mais interatividade e transparência ao site do Legislativo. Não posso esquecer o projeto Câmara itinerante que visita as escolas (públicas e privadas) e pretende despertar a cidadania e consciência política em nossas crianças. Enfim, temos muito a fazer.