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Entrevista

É preciso não pagar a dívida pública para dobrar o salário mínimo, diz Vera Lúcia - 18/07/2022

Por Anderson Ramos

É preciso não pagar a dívida pública para dobrar o salário mínimo, diz Vera Lúcia - 18/07/2022
Foto: Marina Nadal / Bahia Notícias

A socióloga Vera Lúcia é, pela segunda vez consecutiva, o nome do PSTU para a disputa pela Presidência da República. A candidata visitou a redação do Bahia Notícias, onde falou um pouco de suas ideias para atrair o eleitorado em outubro.

 

Entre as propostas não falta polêmica. Uma delas tem com meta de dobrar o salário mínimo. “É preciso não pagar a divida pública, por exemplo. Nós precisamos deste dinheiro e é  fundamental que isso aconteça para imediatamente dobrar o salário mínimo e garantir salário para todos os desempregados. Temos que assegurar uma renda para os desempregados até eles conseguirem um lugar no mercado de trabalho, não como está sendo feito com o Auxílio Brasil que só vai até dezembro”, pontuou a candidata.

 

Além disso, outro ponto que rende muitas discussões é o seu plano armamentista para a população, que segundo ela, não tem nada haver com o do atual presidente Jair Bolsonaro (PL).

 

“O de Bolsonaro arma os madeireiros, as mineradoras, os ruralistas, para matarem indígenas, quilombolas e trabalhadores. Bolsonaro é o tipo de gente que é aliado a milícias e polícias que entram nas periferias das cidades e executam negros, filhos da classe trabalhadora e ele comemora isso. Quando nós falamos de autodefesa, tem a ver com o fato de que a classe trabalhadora precisa defender a sua vida”, resumiu. Confira a entrevista completa:

 

Vera Lúcia, candidata do PSTU para a Presidência da República na redação do Bahia Notícais. Foto: Marina Nadal / Bahia Notícias

 

Qual a importância da Bahia no cenário político brasileiro ?

É importante não somente por ser um dos maiores colégios eleitorais do país. A importância da Bahia tem a ver com o fato de que os negros desse estado foram responsáveis, assim como os negros do país, pela construção da riqueza do Brasil e hoje vivem à margem, completamente na pobreza. Além da fome e dos assassinatos, temos dados estarrecedores. Em 2020 por exemplo, todos os assassinatos existentes aqui na Bahia foram de negros. Mesmo sendo produtor de toda essa riqueza responsável pela produção de toda a riqueza desse estado e desse país conseguirem são os que vivem à margem dela. Então vir aqui ao estado da Bahia é poder conversar com esses trabalhadores, com a juventude, com quilombolas, pra que nós possamos abraçando esse projeto que nós estamos apresentando ao país que responde a essas necessidades, mas que ao mesmo tempo requer a organização da classe trabalhadora em cada estado desse país para assegurar emprego, moradia, saneamento básico e que pra isso requer também organização e que tiremos daqueles que tiram de nós.

 

Na ala mais radical da esquerda a gente também tem dois partidos além do PSTU, o UP e PCO, que estão marcando posição. Em algum momento conversa para formarem uma chapa única?

O PSTU não está sozinho. A candidatura que eu represento além de ser do PSTU é do Polo Socialista e Revolucionário. Esse polo ele é constituído de várias organizações da classe trabalhadora brasileira que se organizam no movimento social, no movimento popular, no movimento estudantil, no movimento quilombola, indígenas, trabalhadores de luta por moradia, de luta pela terra, aposentados, tem artistas da cidade, do campo, de todos os cantos desse país, inclusive integrantes de algumas correntes que insatisfeitas com a com o PSOL por ter aderido já a candidatura Lula no primeiro turno de ter abdicado e apresentar um programa seu com candidatura. Além do mais, quando nós fomos fazer isso, foi lançado um manifesto a todos os ativistas e organizações que quisessem constituir esse polo que viesse. É legítimo que outros partidos queiram apresentar as suas candidaturas como a UP e o PCO. Além do mais, o termo ultra-esquerda não nos define. O que define o PSPU é a luta socialista e revolucionária. Porque o ultra-esquerdismo, assim como a ultradireita são aparentemente antagônicos, mas eles estão nos limites de um mesmo sistema social. E nós não dependemos do capitalismo, nós somos daqueles que organizamos o partido e gritamos nas eleições também, mas organizamos o conjunto da classe trabalhadora brasileira e da juventude pra suportar o próprio sistema capitalista.

 

Algumas alas estão insatisfeitas com o PSOL... Você acha que eles estão seguindo o mesmo caminho do PT e indo pro centro ou o fato de não lançarem candidatura é uma coisa pontual?

Olha eu não diria que pontual por isso mas o PSOL só está aderindo a candidatura. Não só abdicou de uma de apresentar uma chapa e um programa nessas eleições. Eles fizeram uma federação com a Rede, que é um partido que integra banqueiros e grandes empresários. Esse é um caminho que tende a seguir muito rapidamente o PSOL. Acredito que, via de regra pelo que temos como ligações com o PT e outras organizações no Brasil e no mundo é que tende a não voltar. A nossa grande preocupação nessas eleições é estimular a classe trabalhadora e dizer que não temos apenas duas opções e que temos um projeto na sociedade brasileira.

 

O PSTU defende a estatização das 100 maiores empresas do Brasil. Como pretende convencer o Congresso a aceitar essa proposta ?

Primeiro nós não vamos convencer o Congresso. Temos candidatos disputando a deputado federal e senadores, mas isso não será o insuficiente. Em um programa como esse que o PSTU está apresentando, requer muito mais. É necessário que o conjunto da classe trabalhadora, organizada nos seus trabalhos, grupos de estudo e sua moradia, nas igrejas, nos terreiros e em qualquer ligar de convívio social, se debata sobre isso. Nós não queremos governar para a classe trabalhadora. Nós queremos governar com a classe trabalhadora. A estatização das 100 maiores empresas é uma condição para começar a resolver questões de ordem mais urgentes da classe trabalhadora, como retirar o Brasil de um caminho de colonização que ele está seguindo de forma bastante acelerada. É preciso não pagar a divida pública, por exemplo. Nós precisamos deste dinheiro e é  fundamental que isso aconteça para imediatamente dobrar o salário mínimo e garantir salário para todos os desempregados. Temos que assegurar uma renda para os desempregados até que eles conseguir um lugar no mercado de trabalho, não como está sendo feito com o Auxílio Brasil que só vai até dezembro. Além disso, é preciso que se estatize os bancos para que possamos controlar todas as operação financeiras porque não sabemos exatamente que operações são essas. Nós precisamos desses recursos para investir nos desenvolvimento do país, na tecnologia, na indústria, na educação e também garantir para subsídio para os pequenos e grandes produtores. Precisamos taxar,  não só as fortunas, mas também os lucros  e dividendos dos grandes empresários e de multinacionais que estão instaladas no país. Precisamos fazer a estatização do agronegócio, porque a fome do povo brasileiro não significa dizer que não temos comida, temos muita comida, e o agro está lucrando absurdamente, em meio a fome e a inflação.

 

Você tem um posicionamento polêmico sobre o armamento da população. O que é que seu programa difere do de Bolsonaro ?

O de Bolsonaro arma os madeireiros, as mineradoras, os ruralistas, para matarem indígenas, quilombolas e trabalhadores. Bolsonaro é o tipo de gente que é aliado a milícias e polícias que entram nas periferias da cidade e executam negros, filhos da classe trabalhadora e ele comemora isso. Quando nós falamos de auto-defesa, tem a ver com o fato de que a classe trabalhadora precisa defender a sua vida. Bolsonaro e a ultradireita têm todo o interesse para acabar com as poucas liberdades democráticas que temos no Brasil. Se você conversar todas as empresas, ou tem a proteção armada direta do Estado, ou têm segurança privada para protegerem seus interesses, seu patrimônio e sua vida. Se formos em bairros de classe média alta, veremos que todos aqueles que defendem o discurso da paz têm segurança privada armada. Quem fica a mercê, que não têm absolutamente nada, que é assassinada, é a classe trabalhadora. O Brasil não é um país armado, mas se mata que uma guerra. É uma grande falácia isso. O que nós queremos é o direito da autodefesa, que é o direto da preservação da nossa vida.

 

Apesar do PSTU estar mais ligado à esquerda não é adepto das fake news.

Não mentir é um princípio para o nosso partido. Nós achamos que devemos dizer a verdade a qualquer momento. O que não é uma realidade nosso país. A gente não diz o que pensa e nem o que quer e nem sempre temos condições para isso. Veja só, eu sou pré-candidata à presidência do país e não sou ouvida em todos os lugares. Ao mesmo tempo o fato de você dizer o que pensa, não significativa que você precisa ofender. Em nome da verdade não se pode dizer qualquer coisa. Um partido como o nosso, luta para que todos nós tenhamos as mesmas condições sociais. Não é assim que várias organizações pensam e agem.