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Entrevista

Nova titular da Secis, Marcelle defende pauta sustentável e nega rompimento com irmão - 02/05/2022

Por Emily Bomfim

Nova titular da Secis, Marcelle defende pauta sustentável e nega rompimento com irmão - 02/05/2022
Foto: Valdemiro Lopes / CMS

À frente da Secretaria Municipal de Sustentabilidade e Resiliência (Secis), a vereadora Marcelle Moraes (UB) acredita que Salvador tem muito a avançar na sustentabilidade. Com projetos para uma produção de energia mais sustentável e ampliação das áreas verdes da cidade, a titular da Secis quer unir a preservação com a informação.

 

Em entrevista ao Bahia Notícias, Marcelle Moraes afirmou que vê a necessidade de atividades educativas em espaços de preservação: “além de existir os parques e a preservação desse espaço, que todos esses parques tenham uma atividade educativa, de quais são as plantas de Mata Atlântica daquela região, quais são as plantas nativas, a história daquele parque, a história dos animais, de preservação que existem naquele parque”.

 

Na política, a secretária falou sobre sua relação com o vereador Geraldo Júnior (MDB), que deixou a base de apoio a ACM Neto (UB) para ser vice-governador na chapa do petista Jerônimo Rodrigues que concorre ao Governo do Estado.

 

“Eu avalio a ida, uma ida pessoal dele que eu não tenho como opinar sobre uma decisão pessoal da vida dele. Isso cabe a ele decidir o que é melhor para ele ou não. Então todos nós temos o livre arbítrio e ele assim julgou que foi a melhor estratégia para vida política dele, só ele pode decidir sobre isso. Sobre a minha caminhada, a minha vida política, eu digo que continuo e continuarei ao lado de ACM Neto como governador do Estado”, declarou.

 

Marcelle também comentou sobre o projeto de urbanização das Dunas do Abaeté e das obras do BRT, alvos de críticas de ambientalistas e de ONGs ligadas à proteção ambiental e sobre sua relação com seu irmão, o ex-deputado estadual Marcell Moraes, com quem teria rompido recentemente.

 

Confira a entrevista na íntegra:

 

Secretária, a senhora assumiu recentemente a Secretaria Municipal de Sustentabilidade e Resiliência (Secis). Já conhecemos a sua atuação na defesa dos animais, na pauta da proteção animal. Mas no âmbito da sustentabilidade, em que a senhora avalia que Salvador precisa avançar?

Bom, acredito que Salvador tem muito a avançar no âmbito da sustentabilidade. E falar em sustentabilidade é falar num universo de um mundo só, onde nós precisamos entender e respeitar cada ser vivo e transformar isso. Tem algumas pautas que eu vou implementar no âmbito da sustentabilidade, que são a questão de resíduos tóxicos que são disparados no ar, o alto consumo de energia, uma forma que nós possamos pensar em diminuir isso. Então, uma energia mais sustentável, com a criação de um parque solar em nossa cidade para que possamos incentivar, educar e produzir energia limpa para nossa população, ampliar as áreas verdes da cidade, levar sustentabilidade, formas de subsistência para as comunidades através das hortas, da agroecologia urbanizada. Trazer esse incentivo para que as pessoas plantem e tenham a sua forma de sobreviver através desses plantios… E diversos outros projetos que ao longo deste meu vínculo, dessa minha gestão da Secis estarei lançando, para que nós possamos evoluir cada vez mais na sustentabilidade na nossa cidade.

 

E em relação ao desmatamento das áreas de Mata Atlântica, existe algum projeto em mente para a preservar essas áreas e transformá-las em potenciais pontos de arrecadação para a cidade? 

Sim, existem projetos. Inclusive, está no planejamento estratégico de Salvador a revitalização dessas áreas de Mata Atlântica. Uma delas é o Parque São Bartolomeu, que fica no Subúrbio. A revitalização desse parque, a construção de um parque em Canabrava, que existe um resquício de Mata Atlântica que a gente pensa em transformar. Inclusive, o projeto Salvador Solar está incluso neste parque. Existe também o Parque de Pitanga, o da Mata Escura… Todos estes parques estão no planejamento estratégico para que a gente consiga revitalizá-los, transformar a área verde em área de visitação, de preservação, onde toda a comunidade, toda a sociedade, todos os soteropolitanos poderão visitar, e inclusive poderão aprender nesses parques. Que exista algum tipo de atividade educativa de preservação. Porque hoje que eu sinto essa necessidade, que além de existir os parques e a preservação desse espaço, todos esses parques tenham uma atividade educativa, de quais são as plantas de Mata Atlântica daquela região, quais são as plantas nativas, a história daquele parque, a história dos animais, de preservação que existem naquele parque. Quais são os animais ameaçados de extinção que existem nesse resquício de Mata Atlântica. Enfim, todo esse trabalho de conscientização que é tão importante quanto a construção desses espaços.

 

Referente a um projeto da Prefeitura de Salvador para a urbanização das Dunas do Abaeté, ele foi muito criticado por ambientalistas e também por pessoas ligadas a religiões afro-brasileiras. Como é que a senhora vê e como é que a senhora se posiciona diante desse projeto da urbanização das dunas? 

Na verdade foi um grande equívoco isso das dunas. Nunca teve uma proposta de excluir a população afrodescendente desse processo, as religiões de matriz africanas… Nunca existiu isso. Na verdade, a nossa intenção é a integração, e a prefeitura está nesse sentido de integrar. As dunas vão continuar existindo. A revitalização é para melhoria daquele espaço, para que as pessoas, toda a população de Salvador, possam frequentar, possam desfrutar, possam aprender naquele espaço e continuar fazendo as suas atividades já rotineiras, já costumeiras, de diversos tipos de religião.

 

Falando sobre política, a senhora sempre foi muito próxima do presidente da Câmara Legislativa de Salvador, o vereador Geraldo Júnior. Eu gostaria de saber como é que a senhora avalia a ida dele para chapa governista. A sua relação com ele segue a mesma? 

Minha relação com Geraldinho segue a mesma. Nós temos uma relação muito próxima, independente de política. Politicamente hoje estamos em caminhos distintos, mas ele é um amigo, um grande irmão, uma pessoa a qual eu admiro muito pela pessoa que é, pela correção e pelo caráter que sempre teve. Eu avalio a ida, uma ida pessoal dele que eu não tenho como opinar sobre uma decisão pessoal da vida dele. Isso cabe a ele decidir o que é melhor para ele ou não. Então todos nós temos o livre arbítrio e ele assim julgou que foi a melhor estratégia para vida política dele, só ele pode decidir sobre isso. Sobre a minha caminhada, a minha vida política, eu digo que continuo e continuarei ao lado de ACM Neto como governador do Estado, porque acredito na gestão de ACM Neto, porque acredito no trabalho que o ACM Neto construiu em Salvador, e que com certeza transformará toda a Bahia. ACM Neto, hoje, é o melhor nome em capacidade técnica para  fazer de fato a transformação que a Bahia precisa. Mas Geraldo continua sendo meu amigo, tenho muito respeito pelo trabalho dele, pela pessoa que ele é, e não existem lados políticos que abalem a relação que nós temos.

 

A reeleição de Geraldo acabou exaltando os ânimos da Câmara. Passado um mês da da reeleição, a senhora acha que a situação já acalmou, que os ânimos já se acalmaram, já está tudo ok?

Eu não estou vendo muito isso não. Eu estou vendo dois pólos extremos, e eu não sou muito dessa política de romper a corda, eu acredito sempre na política do diálogo e da construção. Mas é uma opção que os vereadores têm tomado cada um,defendendo as suas bases. É legítimo, mas não é muito a minha postura. A minha postura é uma postura de diálogo, de entendimento, de construção. Até porque a gente está falando, antes de qualquer coisa, da cidade de Salvador. A Câmara de vereadores legisla sobre a cidade de Salvador. Não é sobre o lado A, lado B. A gente tem que legislar pras pessoas, para os animais, para a cidade, para as inovações, para o que a nossa cidade precisa. Mas eu também respeito o posicionamento de cada vereador e a política que cada um faz. Eu acredito na nova política de construção, mas cada um com seu livre arbítrio para tomar as decisões que achar melhor.

 

E sobre a reeleição de Geraldo Júnior, como é que a senhora vê esse novo mandato dele?

Eu vejo de uma maneira legítima. Ele foi reeleito por vários vereadores, que votaram nele. Então não vejo de outra forma. Os vereadores votaram em Geraldo Junior. Uma eleição inclusive que foi aclamada. Os vereadores aclamaram pela reeleição dele. 

 

Voltando a falar sobre a pauta ambiental, qual a sua opinião sobre as obras do BRT. Foi uma obra bastante criticada por ambientalistas, pela sociedade, existiram questões com o Inema. Hoje, à frente da Secis, como a senhora vê essa obra e os impactos dela pra cidade? 

Bom, as árvores de maiores estruturas foram preservadas. Eu acredito que Bruno [Reis] terá a sensibilidade de preservação das áreas e de tentar viabilizar uma maneira que a gente consiga continuar com aquelas árvores de tão longas datas, de inclusive alguns resquícios de Mata Atlântica e existe um projeto de plantio de árvores também. Então se por um acaso uma árvore for desmatada, existe o plantio de um quantitativo significativamente maior para para que a gente tenha essa esse contraponto. Então, acredito na sensibilidade de Bruno com a causa, ele com certeza ouvirá os ambientalistas, com certeza ouvirá as pessoas do segmento de proteção ambiental e fará o melhor para a cidade, visando sempre o melhor para o meio ambiente. 

 

Secretária, mais uma vez voltando para a situação na Câmara, caso ocorra a cassação da chapa de reeleição de Geraldo Junior, quais os impactos a senhora vê para o legislativo da cidade?

Eu não posso opinar sobre algo que ainda não aconteceu. É algo que ainda está sob decisão do STF. Com certeza o STF julgará de forma imparcial, jurídica se baseando na legislação. E que seja feito melhor pra cidade de Salvador. Nesse momento a gente precisa pensar nisso. Então eu não tenho como opinar como é que vai ser, se eu nem sei se vai ser. 

 

Para finalizar eu gostaria de saber sobre a relação da senhora com o seu irmão, o ex-deputado estadual Marcell Moraes. Correu na mídia um possível rompimento entre vocês dois. Esse rompimento de fato existiu? A relação está abalada por conta de questões políticas?

A minha relação com o Marcell sempre existirá, afinal de contas o Marcell é meu irmão. E uma relação sanguínea não se é cortada jamais. Então eu tenho sempre uma relação de respeito com ele, pela história que construímos juntos. Tenho muita gratidão por Marcell ter me aberto portas, mas, politicamente, hoje caminhamos separadamente. Eu costumo dizer que Marcell foi um pai para mim. Só que todo filho é criado pelo pai, mas na verdade ele foi feito pro mundo. Então, cada um tem o seu trabalho, a sua forma de trabalhar e a sua trajetória. Isso não quer dizer que estamos brigados, não é nada disso. E sim que cada um trabalha na sua área, na sua seara. Marcele é Marcele e Marcell é Marcell. E essa é a minha identidade, porque as pessoas achavam que era uma coisa só. Não existe uma coisa só. Somos seres humanos diferentes, um CPF diferente, personalidades muito diferentes. Apesar de sermos irmãos, temos diversas características diferentes um do outro. Então não existiu um rompimento como muitas pessoas falaram, e sim um estabelecimento de metas, caminhos e projetos distintos, mas continuamos irmãos.