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Segunda, 30 de Agosto de 2021 - 11:10

Leo Prates

por Lula Bonfim

Leo Prates
Foto: Bahia Notícias

O secretário municipal da Saúde em Salvador está otimista. Em entrevista ao Bahia Notícias neste final de semana, Leo Prates declarou que prevê uma pandemia da Covid-19 não superada, mas controlada no verão de 2022. De acordo com ele, a vacinação na capital baiana está caminhando bem e, com o início da aplicação da terceira dose para idosos nesta segunda-feira (30), a cidade vai criar a barreira necessária para enfrentar a chegada da variante Delta.

 

“No Rio de Janeiro, onde a variante delta já teve um avanço maior, a maior parte dos internados são idosos com duas doses. Então a gente acredita que, com a terceira dose dos idosos, nós vamos conseguir segurar essa variante. Com os cuidados, a gente vai conseguir manter a pandemia estabilizada, para, além de salvar a vida das pessoas, salvar os empregos dos pais e mãe de família”, declarou Prates.

 

Em um exercício de futurologia, o titular da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) previu a realização de eventos durante o verão de Salvador, incluindo o carnaval, mas deixou em dúvida o tamanho do público permitido. Leo Prates também afirmou que, provavelmente, a prefeitura deverá exigir o comprovante de vacinação com duas doses.

 

“A nossa expectativa é que a gente possa ter, no verão, eventos, Carnaval, Réveillon, em ambientes controlados, exigindo duas doses de vacina. Podendo até, em um cenário mais rígido, exigir teste, mas que a gente já tenha ambiente de interação social. Qual é a grande dúvida? Qual será o público permitido. Esta será a grande dúvida e o grande xis da questão que nós vamos ter até o início do verão”, disse o titular da SMS.

 

Leo Prates ainda falou sobre as eleições de 2022 e sobre a indecisão acerca de como será a sua participação no pleito. De todo jeito, o secretário já escolheu seu lado. “O que você pode ter certeza é que Leo Prates é um soldado do estado da Bahia e um soldado do grupo político liderado pelo ex-prefeito ACM Neto. Seja na torcida, seja jogando, Leo Prates participará da eleição de 2022”, garantiu.

 

Confira abaixo a entrevista completa com o secretário da Saúde de Salvador:

 

Na última semana, houve o anúncio da chegada da variante Delta na Bahia, com casos registrados há mais ou menos um mês. Mesmo assim, ainda não houve uma disparada de casos ou de mortes em Salvador. O que a prefeitura enxerga como horizonte para os próximos meses: um aumento de casos ou a manutenção da queda nos números?

Em primeiro lugar, a variante Delta é sempre uma variante que preocupa. Onde ela chegou, ela realmente trouxe um avanço de casos considerável. O cenário que nós vivemos hoje é um cenário de atenção, porque você não teria um avanço considerável neste curto espaço de tempo, na minha visão, porque nós, diferentemente de Israel e dos Estados Unidos, que sofreram, da Holanda também, nós não retiramos o uso de máscara e não retiramos os cuidados. Então, em Israel, houve uma facilidade do vírus se proliferar, porque eles já não usavam mais máscara. Então a ideia é chamar a atenção das pessoas para manter os cuidados, com uso de máscara, que deve ser mantido. A gente lamenta, inclusive, a fala do ministro Marcelo Queiroga. O que a gente entende é que a retirada de máscara só deve ser feita com 100% de segurança e, neste momento, nós não temos. Nós temos o surgimento da variante Lambda no Peru, da variante Ota nos Estados Unidos, ou seja, é um vírus que está mudando muito mais rápido do que nós estamos conseguindo vacinar. A boa notícia é que a vacinação Salvador está avançando bem e, onde a vacinação estava avançando bem, você teve uma boa resposta a essa variante. Em relação à perspectiva para o futuro, a nossa perspectiva é que nós consigamos manter os cuidados, os controles rígidos, seguindo os protocolos e, avançando a partir de segunda-feira na terceira dose dos idosos. No Rio de Janeiro, onde a variante delta já teve um avanço maior, a maior parte dos internados são idosos com duas doses. Então a gente acredita que, com a terceira dose dos idosos, nós vamos conseguir segurar essa variante. Com os cuidados, a gente vai conseguir manter a pandemia estabilizada, para, além de salvar a vida das pessoas, salvar os empregos dos pais e mãe de família.

 

Você comentou sobre o início da aplicação de uma terceira dose da vacina contra a Covid-19 para idosos. Já existe um planejamento para que, no futuro, essa terceira dose chegue também para outras faixas etárias?

Olha, Israel conteve o avanço da variante Delta simplesmente com a terceira dose dos idosos, porém, por segurança, Israel já anunciou a vacinação da terceira dose abaixo de 59 anos. Na minha visão, pelo menos as pessoas com mais de 55 anos nós deveríamos chegar. Porque saiu um estudo, publicado até no Bahia Notícias, que a Coronavac tem mais eficiência em pessoas abaixo de 55 anos e nós vacinamos cerca de 264 mil pessoas acima de 60 e ainda temos mais um contingente entre 55 e 60. Então a nossa defesa é a vacinação da terceira dose de todas as pessoas acima de 55 anos, por conta dessa pesquisa que foi relatada pelo Bahia Notícias.

 

E as pessoas com comorbidades, elas também vão entrar nessa lista da aplicação da terceira dose?

Os imunossuprimidos. Mas nós faremos paulatinamente. A nossa prioridade zero, neste momento, são os idosos, pelos dados que nós colhemos em outros países com avanços da variante delta e com os dados que nós temos principalmente aqui do lado, no Rio de Janeiro. Eu falava com o secretário de saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, e ele me dizia que a maior parte dos internamentos que ele tem são de idosos com duas doses. Então, já que a maior parte das pessoas vulneráveis a essa variante tá sendo comprovada que é a questão das pessoas mais idosas, o nosso foco vão ser os idosos aqui em Salvador. Essa é a nossa estratégia.

 

A prefeitura observou, durante a vacinação esses meses de vacinação, alguma faixa etária que resistiu mais à vacina, que foi menos se vacinar?

As pessoas abaixo dos 38 anos. Nós temos que ser bastante incisivos e às vezes até chatos. Nós temos mandado mensagens de WhatsApp quase todos os dias. A última semana foi uma boa semana. Depois de muito tempo, nós conseguimos reduzir o número de retardatários da D1 [primeira dose], que caiu de 125 mil para 98 mil durante toda a semana. E nós continuaremos com a estratégia das mensagens de WhatsApp e da busca ativa, com as equipes de Saúde da Família. Da D2 [segunda dose], nós estamos com a mesma estratégia, então a ideia é buscar mesmo, é correr atrás, porque o que nós estamos atrás é de proteger a sociedade. Quanto mais pessoas vacinadas, mais seguros nós estaremos. 

 

Está havendo uma desmobilização de leitos reservados para Covid-19. Com a oficialização da chegada da variante delta, vocês vão continuar desmobilizando de acordo com a queda da taxa de ocupação ou pretendem dar uma segurada?

Nós vamos continuar o processo de desmobilização. A gente confia muito no trabalho que nós estamos fazendo, de prevenção, mantendo os cuidados, chamando a atenção para os protocolos, junto com o governo do estado. Os dados epidemiológicos são muito bons neste momento e a nossa estratégia vai ser avançar na terceira dose fortemente, para que não aconteça nada. Mas vamos ter um plano de remobilização muito bem estruturado. Para que, rapidamente, possa tudo ser remobilizado caso seja necessário. A gente espera que não. Mas nós não podemos jogar dinheiro público fora. Para você ter uma ideia, um leito de UTI aqui em Salvador custa R$ 2,4 mil por dia, sem utilização. Então o que eu preciso ter é uma remobilização muito rápida e, para não acontecer, como prevenção, uma vacinação muito rápida. Nós estamos acelerando a vacinação aqui em Salvador por determinação do prefeito Bruno Reis.

 

Quanto à defasagem de doses em Salvador, o Ministério da Saúde já começou a repor as doses?

Nós já começamos a receber essas doses da Bahia. Porque as doses são distribuídas com o estado e aí você tem um reflexo em Salvador. Segundo a Sesab [Secretaria da Saúde do Estado da Bahia], nós já temos uma queda da defasagem. Mas ainda temos uma quantidade grande de doses a receber, o que impacta aqui em Salvador, claro, naturalmente.

 

Em condições normais de temperatura e pressão, o verão de Salvador é o momento mais forte do ano na cidade. Para 2022, como é que vocês estão pensando a possibilidade da volta dos eventos e também do Carnaval?

É um exercício de futurologia. Mas eu vou dar minha leitura, de tudo tenho conversado. Nós criamos uma rede até internacional com epidemiologistas. Criamos uma rede nacional de secretários de saúde de capitais. Então, eu tenho praticamente dedicado quase 60%, 50% do meu dia à questão da Covid, porque hoje realmente é a questão que aflige mais as pessoas no campo da saúde e impacta diretamente na economia. E na saúde pública também. Porque a gente não pode salvar as pessoas do coronavírus e matar de fome. A primeira coisa que eu tenho a dizer é que o nosso trabalho é por isso, né? Esse é um setor importante. Se isso vai ser possível, nós não sabemos. Eu acho que é fato, que está comprovado, que nós não estamos conseguindo vacinar na velocidade que esse vírus muda. É impressionante. Nós temos um problema que é mundial. Nós temos um problema na África, onde grande parte dos países só vacinou 10% da sua população. Então é um campo aberto para o surgimento de novas variantes. É isso que a Organização Mundial de Saúde está falando ininterruptamente. Nós temos que aumentar consideravelmente a produção mundial de vacina. Não me refiro só a Salvador. Temos que atualizar as vacinas. Eu não acho que isso vai trazer o cenário de antigamente de volta, pelo menos no próximo ano. Mas nós vamos ter um cenário muito melhor que 2020 e 2021. A gente vai possibilitar ter um verão mais forte. Veja que Israel só começou a terceira dose depois que ela já tinha o pico da delta. Nós já começamos na segunda-feira [hoje]. Então a minha expectativa é ter um cenário não de superação da pandemia, mas um cenário de controle da pandemia, como nós temos agora. A minha expectativa é que a gente possa voltar aos eventos. Por isso, a importância do evento-teste na sexta-feira, para a avaliação dos protocolos. Apesar das chuvas terem prejudicado um pouquinho essa avaliação, logicamente, porque esvaziou o evento, mas ele foi importante para ser averiguado. Os epidemiologistas e sanitaristas daqui da secretaria [da Saúde], que foram acompanhar, ficaram impressionados com a organização e os cuidados. A Saltur está de parabéns, como toda a prefeitura de Salvador. Então a nossa expectativa é que a gente possa ter, no verão, eventos, Carnaval, Réveillon, em ambientes controlados, exigindo duas doses de vacina. Podendo até, em um cenário mais rígido, exigir teste, mas que a gente já tenha ambiente de interação social. Qual é a grande dúvida? Qual será o público permitido. Esta será a grande dúvida e o grande xis da questão que nós vamos ter até o início do verão.

 

A gente viu que a chuva acabou atrapalhando o evento-teste no Centro de Convenções. Qual foi o grau de impacto da chuva e qual foi o público oficial do evento?

Eu não tenho esse público porque esse evento foi liderado pela Saltur e pela iniciativa privada. A nossa avaliação, do ponto de vista da saúde, é que os protocolos estavam bem desenhados, pela avaliação dos epidemiologistas. E o que prejudicou a ausência de público é testar os protocolos com a presença de seres humanos, que é o que vai acontecer nos eventos. Então a gente teve um público aquém. Não deu para a gente ver como os protocolos funcionaram bem. A gente precisa de um ambiente com 500 pessoas que era o que a gente estava querendo testar. Mas, do ponto de vista da análise geral aqui da equipe da Secretaria de Saúde, é que os protocolos foram muito bem feitos, foram muito bem estruturados, foram muito bem cumpridos no evento. O prefeito mesmo falou com vocês, que vai esperar 15 dias para análise. Eu acho um prazo seguro para a análise dos critérios epidemiológicos. A palavra em Salvador tem sido cautela e nós estamos sendo bastante cautelosos. A nossa expectativa é essa, que a gente possa segurar o controle da doença, né? Apesar de eu achar, como já disse, nós temos vários países pobres do mundo que estão com baixa vacinação, então a gente não vai superar essa pandemia tão rápido. Eu rezo para que isso aconteça, mas, de tudo que eu aprendi durante esses quase dois anos na condução dessa pandemia, não acho que a gente vai ter uma superação. Mas a gente vai aprender a controlar. Montamos um sistema de vacinação eficiente, eficaz, que dá resposta muito rápida e estamos com uma adesão da população muito boa. Veja, por exemplo, que Israel estava com 87% de vacinação. Nós aqui em Salvador já estamos com 93%. Já estamos chegando a patamares de países muito desenvolvidos. Qual a grande dúvida aí? É se vai surgir alguma variante que possa furar o bloqueio da vacina. A delta não furou o bloqueio da vacina, ela diminuiu a sua eficácia, mas não furou o bloqueio. Essa é a grande dúvida, que vai persistir, esse ambiente de incerteza, até a gente conseguir ter uma equidade no mundo, em termos de vacinação para que não possa surgir novas variantes.

 

Saindo um pouco da Covid, mas ainda seguindo em vacinação. A prefeitura segue ainda com a imunização contra a gripe? H1N1 e Influenza. Como é que está o andamento?

Seguimos sim. Seguimos com a vacina. Até as doses acabarem, essa é a recomendação. Eu não tenho esse número aqui de cabeça para vocês, mas eu lhe confesso que a gente já fez de tudo. Nós fomos à Feira de São Joaquim, nós fomos a órgãos que normalmente têm pessoas com mais idade, como Tribunal de Justiça, órgãos públicos daqui da prefeitura, do estado... A gente está fazendo a busca ativa para a vacinação contra a gripe, estimulando as pessoas. Mas a adesão não está como no ano passado, até porque também o Ministério da Saúde mandou, neste ano, logicamente, priorizar a vacinação da Covid-19, onde a adesão tem sido muito boa.

 

Quais são os planos de Leo Prates para as eleições de 2022? Você está pensando em voltar a se lançar para a Assembleia? Ou tentando talvez a Câmara dos Deputados? O Senado? Vice de ACM Neto para governador?

Eu já dei provas à minha cidade, ao meu estado, de que eu sou um cara que veio para a vida pública por vocação. Não por falta de opção. Vocação, quer dizer do latim “vocare”, chamado de Deus. Eu acredito muito na espiritualidade e acredito que você vem com a missão. Veja que eu não sou da área de saúde e vim parar à frente de uma Secretaria de Saúde, à frente de uma pandemia. Realmente, foi o maior desafio da minha vida pública e também foi o maior desafio do ponto de vista pessoal. Porque eu vinha muito bem, né? Em uma disputa com o atual prefeito Bruno Reis, dentro do grupo logicamente, para a candidatura a prefeito em 2020. E eu tive que abrir mão dos meus sonhos, porque entendi que não achava justo largar a pandemia na metade, largar as pessoas na mão, por apenas uma ambição pessoal, vamos dizer assim. Então larguei tudo, fiquei aqui à frente, apoiei o que eu considerava melhor para a cidade. E considero que acertei, que foi apoiar o prefeito Bruno Reis. Já provei que realmente estou à disposição para servir na vida pública. Já dei provas à minha cidade, ao meu estado, de que não me falta espírito público. O que eu posso lhe dizer é que eu estou focado em vencer essa pandemia, que é o que eu espero. A gente é uma cidade pobre, um estado pobre, a gente sabe que qualquer tipo de restrição tem um impacto econômico. A minha luta neste momento é por superar essa pandemia. É para isso que eu trabalho todos os dias, incansavelmente, de domingo a domingo. Espero que a gente possa superá-la e, aí, em 2022, a gente fala sobre 2022. O que você pode ter certeza é que Leo Prates é um soldado do estado da Bahia e um soldado do grupo político liderado pelo ex-prefeito ACM Neto. Seja na torcida, seja jogando, Leo Prates participará da eleição de 2022. Mas eu ainda não pensei o que que eu vou fazer ano que vem.

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