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Segunda, 09 de Agosto de 2021 - 11:10

Félix Mendonça Jr.

por Mauricio Leiro

Félix Mendonça Jr.
Foto: Bahia Notícias

Voltar ao passado é uma hipótese que não é cogitada pelo PDT na Bahia. Segundo o presidente estadual da legenda, deputado federal Félix Mendonça, retornar à base de apoio petista é uma possibilidade descartada. "Temos uma linha, estamos com Ciro e o PT está com Lula. Não iremos apoiar quem apoia outro candidato à presidência da República", disse em entrevista ao Bahia Notícias. 

 

Com incertezas nas alianças nacionais, a proximidade com DEM, que derivou de uma aproximação nacional, pode ser reforçada em 2022. "Outro ponto importante é que estaremos na Bahia com quem tiver um projeto afinado com Ciro Gomes, nosso candidato à presidência", comentou o deputado. 

 

Com temas de impacto sendo debatidos na Câmara, entre eles o conhecido "Distritão", a privatização dos Correios e o voto impresso, Félix tem opiniões distintas para os projetos. "É um crime para a nação. Nos EUA temos diversos outros sistemas alternativos, mas tem o dos Estados Unidos. O primeiro presidente dos EUA veio dos correios. Estava até pouco tempo, na linha sucessória lá estava o presidente dos Correios. Aqui gera lucro, é a única empresa que chega em todos os lugares", explicou sobre o projeto da privatização do serviço postal. 

 

"Já sobre o Distritão eu não acredito que dê para implantar. Não acredito em medidas alternativas, em cima da eleição. Soa até oportunista qualquer mudança agora. Ela teria que ser para as próximas eleições, a última eleição tivemos. Não me agrada. Em relação ao voto auditável, penso que é uma polêmica muito grande. Politizando o assunto, contra e a favor do Bolsonaro. Somos a favor dele. É um voto auditável. As urnas já tem impressora. Está tão politizado e o Bolsonaro tão criticado, em geral, que qualquer coisa que ele coloque positiva parece negativa. Na Câmara pode passar, no Senado não sei. Está longe de ser volta ao passado", disse.

 

Foto: Bahia Notícias

 

Deputado, tivemos uma primeira derrota para o voto impresso na Câmara, na Comissão Especial. O que o senhor pensa do projeto? Será que teremos alguma reviravolta?

Eu julgo que é uma polêmica muito grande. Politizando o assunto, contra e a favor do Bolsonaro. Somos a favor dele. É um voto auditável. As urnas já tem impressora. Está tão politizado e o Bolsonaro tão criticado, em geral, que qualquer coisa que ele coloque positiva parece negativa. Na Câmara pode passar, no Senado não sei. Está longe de ser volta ao passado. Pelo clima que há na Casa, não acredito que possa haver uma reviravolta, já que a maioria dos partidos, inclusive os que apoiam o governo, são contra. O PDT é a favor do voto impresso auditável antes mesmo de Bolsonaro começar a falar as besteiras que ele diz. Mas somos a favor não porque acreditamos que as eleições foram fraudadas, e sim como um instrumento a mais de segurança e transparência para o processo eleitoral. É bom que se diga que o projeto que tramita lá na Câmara não acaba com a urna eletrônica e nem passaremos a votar em cédula novamente. Ela apenas cria um recipiente para que o voto que digitamos na urna eletrônica seja impresso e caia nesse recipiente lacrado. O eleitor apenas confere, e não pode levar o voto impresso. 

 

Através do ex-ministro e provável candidato à presidência, Ciro Gomes, o projeto também foi defendido... Qual o tamanho do impacto da não aprovação do projeto para o plano eleitoral em 2022?

Nenhum. Apenas iremos ficar sem um instrumento alternativo para eventual fraude. O mundo cibernético é sujeito e vulnerável. Não haverá impacto algum porque não acreditamos que possa haver fraudes. Não pensamos que as últimas eleições ou que as próximas eleições foram ou serão fraudadas. Isso é uma mentira do presidente. O que queremos ao defender o projeto do voto impresso é uma segurança a mais, ainda mais nesse mundo cibernético onde vemos diariamente criminosos agindo na internet. Não existe, para esses criminosos, sistema inviolável.

 

Ainda na Câmara temos um forte debate também sobre uma reforma política que tenta implementar o conhecido "Distritão". O senhor acredita que isso seja viável?

Eu não acredito que dê para implantar. Não acredito em medidas alternativas, em cima da eleição. Soa até oportunista qualquer mudança agora. Ela teria que ser para as próximas eleições, a última eleição tivemos. Não me agrada, ele simplesmente acaba com o cenário partidário. É um agrupamento de pessoas com ideologia. Acaba com isso. 

 

Foto: Câmara dos Deputados

 

O senhor também foi contrário ao projeto que buscava privatizar os Correios. Queria uma avaliação do senhor sobre o projeto e se acredita que no Senado ele poderá ser aprovado.

Como está esse rolo compressor pode ser aprovado. É um crime para a nação. Nos EUA temos diversos outros sistemas alternativos, mas tem o dos Estados Unidos. O primeiro presidente dos EUA veio dos correios. Estava até pouco tempo, na linha sucessória lá estava o presidente dos Correios. Aqui gera lucro, é a única empresa que chega em todos os lugares. Para que privatizar ela? Não tem sentido. O custo que se vai arrecadar é irrisório. O custo vai ser irrisório. Falam que houve corrupção, o Correio foi roubado. Pode ter havido, mas temos que consertar, ou então vamos vender o Brasil inteiro. É investir e fazer com que fique mais eficiente. Imagine na época de pandemia, entregas em todo o Brasil, os Correios que vão ser usados.

 

Na política nacional, o presidente nacional do partido Carlos Lupi não descartou a possibilidade de uma chapa entre Ciro e Datena. O que acha do nome do apresentador?

Não tenho avaliação maior. Acredito que Ciro tem sido cotado para participar e algumas outras pessoas têm chegado para o nome. Estamos longe das eleições. Temos que fortalecer o nome de Ciro. No próximo ano vamos pensar em coligações. 

 

Ciro poderia ser o nome que aglutinava toda essa polarização?

Veja que nas últimas pesquisas Ciro tem crescido. Ele será imbatível se passar para o segundo turno com Lula ou Bolsonaro. Por isso, é o nome mais forte para aglutinar, principalmente se for para o segundo turno. Hoje, o que Lula e Bolsonaro têm mais em comum é o medo de enfrentar Ciro num segundo turno, porque ambos sabem que perdem a eleição. Existe essa polarização do mal. É só as pessoas ouvirem as ideias dele. Pode sim. 

 

Em Salvador o PDT tem uma relação bastante positiva com o DEM. Queria saber como o cenário nacional pode impactar no local para as eleições?

Essa relação do DEM veio do cenário nacional. Foi feita por Lupi e ACM Neto. Já impactou na eleição de Bruno Reis. Vamos conversar muito ainda. Outro ponto importante é que estaremos na Bahia com quem tiver um projeto afinado com Ciro Gomes, nosso candidato à presidência. Ou seja, tem esse impacto também. Nossa prioridade maior é eleger Ciro Gomes presidente e as alianças que construirmos vão levar isso em conta, caso nós não tenhamos candidato próprio a governador. Isso vai influenciar também na formação dos diretórios municipais e na construção das candidaturas para deputado estadual e federal. Estará no partido quem tiver compromisso com o partido e com nosso candidato a presidente.  

 

Foto: Câmara dos Deputados

 

Na Bahia, o DEM monta um arco de aliança com alguns partidos que também vão buscar espaço nas eleições de 2022. O PDT aceitaria dar apoio mesmo sem espaço na majoritária?

Não chegamos a falar sobre isso. Vamos iniciar ainda. Todo partido quer ter a candidatura majoritária. Não descartamos ainda a candidatura ao governo, queremos disputar. Caso não tenhamos candidato a governador, gostaríamos de estar na majoritária porque sabemos que podemos ajudar na construção de um projeto de desenvolvimento para a Bahia. Temos quadros qualificados para isso. Não queremos estar na chapa, caso isso venha a ocorrer, e caso haja interesse de quem nos convidar, apenas por anseio de poder, como temos visto lá do lado do governador. Tanto que nós apoiamos o PT nas últimas eleições estaduais sem participar da chapa. Mas temos essa vontade de participar mais ativamente da majoritária em 2022 porque achamos que temos muito a contribuir e a somar. Tanto que ainda pensamos em lançar candidato a governador.  

 

Do outro lado se discute bastante sobre o nome que irá concorrer ao governo pela base de Rui. PT, PSD e PP encabeçam essa disputa... Queria saber se pode apoiar algum deles já foi descartada?

Voltar não. Não existe essa possibilidade. Temos uma linha, estamos com Ciro e o PT está com Lula. Não iremos apoiar quem apoia outro candidato à presidência da República. Vale lembrar ainda que o PDT foi retirado do primeiro escalão da base do governo por ciúmes, porque apoiamos o DEM em Salvador em 2020. Ou seja, já partiu deles o rompimento conosco.

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