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Entrevista

'Se tem nome, não pode ter prática autofágica', diz Tia Eron sobre Roma ao governo - 28/06/2021

Por Mauricio Leiro

'Se tem nome, não pode ter prática autofágica', diz Tia Eron sobre Roma ao governo - 28/06/2021
Foto: Divulgação

A deputada federal Tia Eron (Republicanos) acredita que o partido deve ter um nome na disputa ao governo do estado, sob pena de cometer uma prática "autofágica". Eron acredita que o ministro da Cidadania, João Roma, é um "expoente" e a legenda deve rumar com "convergência de ação e foco" para definir o destino do partido em 2022.

 

"Falando em musculatura o partido tem uma cadeira nacional. Acende um farol no país, não apenas pela legitimidade da Bahia. Um republicano pode encher a boca e dizer que vai a Brasília. Um vereador de Eunápolis disse, vou a Brasília, pois tenho uma agenda com Roma, isso é musculatura?", comentou. 

 

Retornando à Câmara dos Deputados, Eron revelou que sua volta foi "intensa" por conta da pandemia que mudou totalmente a dinâmica da atividade. Apesar do retorno ao legislativo federal, Tia Eron disse que ainda segue sem definições para o futuro político e não sabe o destino para as próximas eleições. 

 

"Quando eu fizer planos, vou atrapalhar tudo. É o melhor da vida. O Covid tem uma pedagogia, o Covid tem nos aconselhado", finalizou.

 

Foto: Agência Câmara

 

Deputada, atualmente temos um cenário político polarizado. Queria saber da senhora uma avaliação sobre o governo Jair Bolsonaro e sobre a condução na pandemia.

O momento pandêmico, ninguém pode falar sobre isso sem tratar do aspecto de que nenhum governo está preparado. Todos os governos cometeram falhas e acertos. Até hoje estão buscando acertar, isso é um fato. Quero destacar a Câmara, ela mantém firme as medidas de restrições. Ninguém entra se não estiver acompanhado de deputado. O número é reduzido, estava se tornando um foco. Estive com um técnico de manhã e de tarde ele testou positivo. A Câmara tem tratado disso, contribuído. É o novo normal. Temos mais de 500 mil mortos. São pessoas que perderam as vidas, perdas irreparáveis. Estive em São Paulo, e já se pensa em criar o memorial do Covid. As pessoas podem criticar, mas é preciso criar legado e história. Não conseguimos entabular nossas experiências, tanto que estamos repetindo processos. Uso de máscaras, estamos repetindo práticas de um século atrás. Precisamos disso para que não nos esqueçamos. Nós, população, temos que fazer nossa parte. 

 

Atualmente se fala muito sobre a questão da religião se misturar com a política. O que a senhora acha do tema?

Debatemos isso o tempo todo. Não sou ligada, sou orgânica. A imprensa quando fala de Tia Eron, a imagem é atrelada a instituição. Venho dos primórdios. Acompanhamos dentro do Supremo, falo com Eliana Calmon, percebemos a preocupação de que desequilibra, o abuso do poder religioso, mas esquecem que a igreja presta um serviço de relevância. O menino da pandemia demonstrou que é um serviço essencial. É um "longa manus" do estado, do braço armado do estado. Dado os fatos que já ocorreram. Politicamente é necessário ter representação e não é esse setor que pode ficar de fora. 

 

Deputada, o partido vem crescendo bastante não só na Bahia, mas no Brasil. Como a senhora analisa esse crescimento do Republicanos e a que atribui?

O crescimento já era previsto. É um partido que vem buscando nomes, entendendo que a sigla não se faz com mesa, cadeira, salas. Em 2016, com olhar vanguardista, quando estávamos na presidência do PRB, recebemos João Roma e queríamos muito que o partido disputasse com a vice. Ali já estava o crescimento pelo nome. Ele virou ministro, trazendo os resultados.

 

Foto: Republicanos

 

Como foi retornar a Câmara, a senhora era suplente do agora ministro João Roma. Como tem sido essa retomada?

Tem sido intenso. Penso que estou fazendo entrega ao momento que foi me enviado. Olhamos o Brasil e não podemos perder de vista a Covid, minhas falas têm uma coerência. Chegamos na Câmara e fizemos reuniões. Quero pensar nos órfãos do Covid, ninguém estava preparado ou teve estratégia. Temos que nos apressar e tomar decisões. O auxílio emergencial estava no ar, boa parte das mulheres chefiavam as famílias, ela morrendo e ela deixa filhos. O estado precisava fazer intervenção nessa ponta.  

 

A cada dia que passa vemos o agora ministro da Cidadania mais presente aqui na Bahia. O ministro ao que tudo indica seria o candidato do presidente Jair Bolsonaro [ao governo da Bahia]. O Republicanos tem um vínculo forte com o ex-prefeito ACM Neto e provável candidato na disputa. Para a senhora, o Republicanos deveria apoiar Roma ou Neto?

Eu vou falar de foro íntimo, o que é política de grupo. É você ciscar para dentro. A agremiação só cresce quando existe convergência de ação e foco. O partido tem essa coesão. Se eu tenho nome, expoente, eu não posso ter prática fotográfica. Isso viola, aborrece, aos arrepios da lei do mandato eleitoral, é causa de expulsão. 

 

O secretário de infraestrutura de Salvador, vereador Luiz Carlos comentou que poderia falar musculatura ao partido, o que a senhora acha da candidatura e já existe alguma conversa sobre isso? O partido já se reuniu para discutir o tema?

Esse momento é um momento que o partido está olhando para o Congresso, já se debruça nas matérias do "Distritão", que é o melhor dos mundos pensando em 2022, mas isso é remoto, de forma lenta. Em regra, o Congresso tende a fazer os experimentos nas eleições municipais. Falando em musculatura o partido tem uma cadeira nacional. Acende um farol no país, não apenas pela legitimidade da Bahia. Um republicano pode encher a boca e dizer que vai a Brasília. Um vereador de Eunápolis disse, vou a Brasília pois tenho uma agenda com Roma, isso é musculatura?

 

E sobre o futuro da senhora, já começou a pensar nas eleições de 2022? Vai tentar a Câmara dos Deputados novamente?

Quando eu fizer planos, vou atrapalhar tudo. É o melhor da vida. O Covid tem uma pedagogia, o Covid tem nos aconselhado. Ele tem nos ensinado. Ainda sem definições.