Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Segunda, 07 de Junho de 2021 - 11:10

João Leão

por Lula Bonfim

João Leão
Foto: Max Haack / Ag. Haack / Bahia Notícias

Considerado um dos mais importantes apoiadores do arco de alianças que sustenta politicamente o governo do estado, João Leão (PP) não cansa de falar das obras e realizações que lidera na gestão estadual. Entretanto, em entrevista ao Bahia Notícias, o vice-governador também falou um pouco sobre o horizonte político no estado até 2022. Ele voltou a afirmar que o PT deveria ceder a vez na cabeça de chapa, mas defendeu com ênfase a unidade do bloco governista para as próximas eleições.

 

“Meu desejo é manter todo o nosso grupo político junto. Essa união tem dado certo há quase 14 anos aqui na Bahia, PP, PSD, PT, mas também PSB, PCdoB e todos os partidos que compõem a base do governo do estado. Juntos, estamos fazendo muito pelo povo e devemos seguir assim”, comentou o vice-governador do estado.

 

Antes secretário estadual de Desenvolvimento Econômico e agora como titular da pasta de Planejamento, Leão também criticou o aumento da tarifa de energia elétrica, anunciado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), também para a Bahia. De acordo com o vice-governador, a Bahia é superavitária na produção energética e está pagando por estados que produzem menos.

 

“Acho injusto que o estado esteja pagando uma tarifa de energia mais cara, esteja na tarifa vermelha como todo o resto do país. Somos superavitários na produção energética e estamos pagando pela baixa produção de outros estados. Estou estudando se entro com uma ação junto à Aneel”, revelou Leão. A seguir, leia a entrevista na íntegra.

 

O mundo enfrenta uma grande crise provocada pelo novo coronavírus. Como combate à doença, os governos foram obrigados a adotar medidas restritivas das atividades econômicas, o que provocou aumento do desemprego e diminuição da renda. Como o governo está atuando para minimizar o impacto da pandemia na economia baiana?

O governo do estado tem buscado interiorizar o desenvolvimento, de forma integrada, por meio da Seplan [Secretaria de Planejamento] e SDE [Secretaria de Desenvolvimento Econômico]. Tanto que de 2019 a abril de 2021, 86% dos novos investimentos, incentivados pelo governo, foram para o interior. Neste período, assinamos 251 protocolos de intenções, que resultarão em R$ 47,1 bilhões em investimentos privados e previsão de 17,7 mil empregos diretos. Essa interiorização de novos negócios foi uma marca da minha gestão na SDE e que será continuada por Nelson Leal [atual titular da pasta]. Além disso, a Bahia tem atualmente 198 empreendimentos em processo de implantação, em 72 municípios, com aporte de R$ 45,4 bilhões e oferta potencial de 17,4 mil postos de trabalho. Cerca de 60% desses investimentos estão previstos para entrarem em operação até 2022. Outro ponto importante é a implantação do Pólo Agroindustrial e Bioenergético do Médio São Francisco baiano, mais especificamente nos municípios de Barra e Muquém do São Francisco. Com R$ 9,65 bilhões de investimentos privados previstos, o Polo Agroindustrial gerará em torno de 60 mil empregos diretos e indiretos na região e incrementará em até 12,4 % a receita do estado da Bahia, nos próximos 10 anos. Já são 16 projetos entre em implantação e em prospecção. A primeira usina de açúcar e etanol, a Fazenda Serpasa, do Grupo Paranhos, já tem 12 pivôs de 110 hectares (ha) em operação, uma área de 1,3 mil ha de cana de açúcar plantada, com estimativa de gerar 3,5 mil empregos diretos e indiretos e uma produção anual estimada 87,3 milhões de litros de etanol e 1,44 milhões de sacos de 50 kg de açúcar. As obras da usina estão avançadas, no município de Muquém do São Francisco, e a operação deve iniciar no segundo semestre deste ano.

 

Quais são os próximos passos para a consolidação desse Polo Agroindustrial e Bioenergético na região do Médio São Francisco?

A Bevap Bioenergia assinou protocolo de intenções, no final do ano passado, para instalar a segunda usina de etanol de milho no Polo. Tem previsão de investimento inicial de R$ 500 milhões, podendo chegar a R$ 2 bilhões, entre formação de lavoura e planta industrial, no município de Barra. O empreendimento prevê a geração de 2 mil empregos diretos e até 10 mil indiretos, quando estiver em plena operação. A terceira, Usina São Francisco, assinou protocolo de intenções no início de maio deste ano e projeta investir R$ 400 milhões e promover mais de 8 mil empregos, diretos e indiretos, e será destinada à produção de etanol anidro e hidratado, ração animal e energia elétrica, no município de Barra. Além dos incentivos fiscais e apoio institucional aos projetos, o governo do estado está construindo uma ponte sobre o Rio São Francisco, que liga os municípios de de Barra e Xique-Xique. O equipamento vai ajudar no escoamento da produção e tem previsão de ser inaugurado no dia de São Francisco de Assis, 4 de outubro, com cerimônia religiosa celebrada pelo bispo da diocese de Barra, Dom Frei Luiz Cappio.

 

Falando em questão energética, a Aneel impôs a tarifa vermelha para todo o país. Como a Bahia tem se organizado para produzir cada vez mais energia e lidar com a demanda? Especialmente energia limpa, renovável.

A Bahia é líder nacional na geração de energia eólica. No acumulado de 2020, o estado gerou 29,5%. Este ano, em março, o percentual avançou para 35%. No ano passado, o segmento representou 46% de toda energia gerada no estado. Este ano, em março, a fonte dos ventos representou 54,3% de toda energia produzida no estado. Energia de fonte hidráulica 34,8% e solar 6,7%. Em março de 2021, a média do fator de capacidade, ou seja, o aproveitamento do vento para geração de energia foi de 37%, o que equivale a geração de 1.318 GWh por mês, capacidade suficiente para abastecer 11 milhões de residências ou para beneficiar 33 milhões de habitantes. Ou seja, acho injusto que o estado esteja pagando uma tarifa de energia mais cara, esteja na tarifa vermelha como todo o resto do país. Somos superavitários na produção energética e estamos pagando pela baixa produção de outros estados. Estou estudando se entro com uma ação junto à Aneel. Nós temos 196 parques eólicos em operação, com capacidade instalada de 4,9 GW, temos ainda 137 parques em construção, que devem gerar 55 mil empregos diretos na fase de construção. Já na energia solar fotovoltaica, temos 29 parques em operação e outros 96 em construção, que devem gerar outros 46,4 mil empregos. Além disso, a Bahia tem 541 projetos de eólica cadastrados nos Leilões A3 e A4 da Aneel e 567 projetos de solar nos mesmos certames de energia. Pode ocorrer do mesmo projeto ser cadastrado nos dois leilões.

 

No início de abril, o governo federal concedeu o desenvolvimento e a exploração do trecho um da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol). Quais são as consequências para a Bahia da concessão da Fiol?

A Ferrovia de Integração Oeste-Leste tem extensão de 1.527 quilômetros, entre Ilhéus e Figueirópolis (no Tocantins). O empreendimento está dividido em três trechos. O trecho um, entre Ilhéus e Caetité, com extensão de 537 km, dos quais temos mais de 73,6% de execução física da obra, considerando até julho de 2019. Este é o trecho que foi qualificado para subconcessão. No trecho dois, entre Caetité e Barreiras, com extensão de 485 km, dos quais cerca de 36% das obras estão executadas, também até julho de 2019. E tem o trecho três, entre Barreiras e Figueirópolis, com extensão aproximada de 505 km, que está em fase de estudos e projetos. O investimento total atual previsto para as obras dos trechos 1 e 2 da FIOL é da ordem de R$ 6,4 bilhões. A região ao longo da Fiol se apresenta como muito rica em minérios, destacando-se cobre, cromo, ferro, manganês, ouro, níquel, fosfato, grafite, Rochas Ornamentais (granito/quartzitos), além de Terras Raras e Calcário. Trata-se de um ambiente pouco estudado, portanto, poucas são os depósitos ou minas já definidas, como calcário, manganês e ferro. E em operação. A grande maioria encontra-se em fase inicial de pesquisa. A estrutura de escoamento vai viabilizar a produção de ferro e minerais como o cobre, entre outros, além de impulsionar a produção e o adensamento de cadeias de produção. Esperam-se o desenvolvimento de atividades de metalurgia e siderurgia ao longo do tempo, além da atração de empresas para o beneficiamento da produção baiana de rochas ornamentais. O município de Brumado abriga 15% de toda a Magnesita do mundo, além de reservas de talco e magnésio. A cidade vive da produção mineral, além de outras indústrias e do setor de serviços. Vale ressaltar que a Bahia é o 1º produtor de diamantes em kimberlitos, extraídos na rocha matriz, 2º maior produtor de esmeraldas e 4º maior produtor de ouro. A produção de ouro ocorre nos municípios de Jacobina, Araci e Barrocas, e há a previsão da reabertura de uma mina em Santaluz. A mina de ouro, operada pela Jacobina Mineração, Yamana Gold, no município de Jacobina foi citada pelo Prominer como a 32º maior mina do país. Não obstante, há um projeto de ampliação que prevê aumento da produção anual para 230 mil KOz (onças), para o qual será investido o valor de R$ 300 milhões e estima-se gerar 650 empregos, sendo 400 novas vagas na fase de ampliação e 250 empregos diretos na operação. A produção de diamantes ocorre exclusivamente no município de Nordestina e a mineradora também prevê novos investimentos para os próximos dois ou três anos. Algo na ordem 5,5 milhões de dólares, equivalente a cerca de R$ 29 milhões. Esse valor será destinado a estudos de viabilidade da mina subterrânea e pesquisa mineral em novas áreas. A produção de esmeraldas é feita no município de Pindobaçu, onde a Cooperativa Mineral da Bahia possui uma Permissão de Lavra Garimpeira (PLG) para lavrar a pedra preciosa.

 

Qual é a previsão de início das obras da Ponte Salvador-Itaparica? O quanto a pandemia atrapalha o início da construção?

Todas as fases após assinatura do contrato com o consórcio com as empresas chinesas vencedoras da licitação estão sendo cumpridas. O depósito do Fundo Garantidor já foi feito e os chineses já instituíram a SPE localmente, que vai tocar os contratos com fornecedores, etc. O presidente será o Cláudio Vilas Boas. A ponte terá uma extensão de 12,4 km com acessos em Salvador e Vera Cruz. A concessão do projeto, executado por meio de uma parceria público-privada, terá 35 anos. O consórcio chinês é formado pelas estatais chinesas China Communications Construction Company, CCCC South America Regional Company e China Railway 20 Bureau Group Corporation. Além disso, já estamos prospectando a duplicação da BA-001, ligando todo o Baixo Sul, Sul e Extremo Sul a este complexo rodoviário e uma ligação com o Oeste. Isto trará um boom de desenvolvimento e de arrecadação para o estado, impactando positivamente os municípios do Recôncavo e de diversas outras regiões. Esperamos o avanço da vacinação no país, já que teremos um volume previsto de 7 mil empregos na construção da ponte, para o “start” da obra. Estamos trabalhando para que isto comece até o final do ano.

 

O governo do estado tem mantido uma relação econômica intensa com a China nos últimos anos. Quais são os próximos planos para essa parceria? Quais novos projetos estão sendo discutidos? 

Além do sistema de reconhecimento facial, usado pela SSP, a Ponte Salvador-Itaparica e o VLT do Subúrbio, todos com investidores chineses, estamos prospectando a formatação de uma cidade tecnológica, aos moldes das cidades chinesas, com sustentabilidade, na região entre Valença e Jaguaripe. Estamos em fase de estudo, junto com grupos chineses que não podemos ainda revelar devido à fase de maturação do projeto. Além disso, os chineses têm se interessado por nosso segmento de Energias Renováveis e Sucroenergético. Certamente em breve estaremos anunciando novos negócios e cooperações internacionais com os chineses.

 

Como o PP está se preparando para as eleições de 2022 na Bahia? Ângelo Coronel comentou sobre a possibilidade de uma união do PP e do PSD, como uma alternativa à polarização entre PT e DEM no estado. Você está de acordo?

Eu até acho que é hora do PT ceder a vez para seus aliados na cabeça de chapa. O senador Jaques Wagner tem mais quatro anos de mandato em Brasília, já foi governador por oito anos. O senador Otto foi vice dele. Eu sou vice de Rui. Somos uma aliança que deu certo desde o início, então não tem porque nos separarmos. Meu desejo é manter todo o nosso grupo político junto. Essa união tem dado certo há quase 14 anos aqui na Bahia, PP, PSD, PT, mas também PSB, PCdoB e todos os partidos que compõem a base do governo do estado. Juntos, estamos fazendo muito pelo povo e devemos seguir assim. Vamos falar de eleição ano que vem. Agora é continuar trabalhando pelo povo da Bahia, gerando emprego, ajudando o governador Rui Costa, que é um avião, a cuidar do povo da Bahia. Seguimos lutando contra a pandemia e para ampliar a vacinação para toda a população.

 

Houve convite de ACM Neto ou de alguém do grupo dele para composição junto ao PP em 2022? 

Não. Encontrei até o deputado Paulo Azi em Brasília. Ele me disse que eu seria um bom candidato a senador na chapa deles e eu respondi que eu quero ser é governador e não senador.

 

Nacionalmente, o PP está junto a Bolsonaro, na base de sustentação ao governo federal em Brasília. Já na Bahia, a aliança é com o PT há mais de uma década. Em 2022, o PP-BA estará com Lula ou com o atual presidente?

Na última eleição, estávamos com o candidato do nosso grupo político, Haddad [ex-ministro da Educação, do PT]. Como já disse, espero continuarmos juntos, esse grupo que tem feito muito pela Bahia. E vamos falar de sucessão na hora certa.

Histórico de Conteúdo