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Segunda, 22 de Março de 2021 - 11:10

Otto Alencar

por Bruno Luiz

Otto Alencar
FotoS: Arquivo Bahia Notícias

O senador Otto Alencar (PSD-BA) acredita que o presidente Jair Bolsonaro está forçando um novo golpe militar. Na avaliação do parlamentar, declarações recentes do presidente, como a de que poderia decretar estado de sítio no Brasil em resposta às medidas restritivas tomadas por governadores nos estados, são sinal de que Bolsonaro está acuado com a possibilidade de não se reeleger e quer rumar para a ruptura institucional. 

 

"O Bolsonaro, na minha opinião, não tem condições de renovar o mandato dele. Não tem por causa das mazelas, dos problemas, das crises gestadas por ele mesmo, pelos problemas que ele tem dentro da família dele. Na minha opinião, como ele tem espírito ditatorial e perverso, bem provável é que ele queira caminhar para a expectativa de um novo golpe militar", afirmou Otto, em entrevista ao Bahia Notícias.

 

O senador ainda defendeu a instalação da CPI da Covid no Congresso, para investigar a atuação do governo federal na pandemia. Para ele, o presidente da República e o ministro da Saúde Eduardo Pazuello são os principais responsável pelo agravamento da crise sanitária e merecem ser punidos. 

 

"O Pazuello não foi ministro da Saúde, o ministro foi o Bolsonaro. Pazuello repetiu o que o Bolsonaro dizia, foi apenas um executor de ordens. Esse desastre é culpa exclusiva de dois homens: em primeiro lugar, o presidente Bolsonaro e, em segundo, o ministro Pazuello. É evidente que esses dois nomes não podem sair impunes. O caminho para punir, hoje mais do que nunca, é a instalação da CPI Covid."

 

Questionado sobre a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que anulou condenações na Operação Lava Jato e devolveu a elegibilidade ao ex-presidente Lula (PT), o senador preferiu não comentar. "Seria desumano falar sobre política na pandemia", disse o político. Leia abaixo a entrevista completa:

 

A morte do senador Major Olímpio, vítima da Covid-19, gerou um sentimento no Senado de que é preciso cobrar medidas mais duras e coordenação nacional do presidente Bolsonaro, em relação à pandemia. O senhor acha que vai aumentar a pressão pela instalação de uma CPI no Senado para investigar a atuação do governo?

O Pazuello não foi ministro da Saúde, o ministro foi o Bolsonaro. Pazuello repetiu o que o Bolsonaro dizia, foi apenas um executor de ordens. Esse desastre é culpa exclusiva de dois homens: em primeiro lugar, o presidente Bolsonaro e, em segundo, o ministro Pazuello. É evidente que esses dois nomes não podem sair impunes. O caminho para punir, hoje mais do que nunca, é a instalação da CPI Covid. Tem as assinaturas, o presidente Rodrigo Pacheco está avaliando. O presidente ainda não instalou porque fazer CPI com sessões remotas é sempre um risco. Não dá para fazer oitivas, audiências públicas, convidar pessoas que, talvez, não queiram comparecer, então isso dificulta a implantação da CPI. Na CPI, tem que ser mais presencial. 

 

Mas os senadores vão intensificar as cobranças ao governo após a morte do senador Major Olímpio, que trouxe aos senadores o sentimento de “poderia ser eu”?

Não é só pelo senador Major Olímpio, é por todo mundo que já foi contaminado ou morreu nesta pandemia. Nós estamos trabalhando, correndo risco de vida. inclusive eu. Já fui a reuniões presenciais no Senado, em Brasília. O presidente Rodrigo Pacheco alega que é difícil abrir uma CPI nessas condições. Você tem que ter prudência, mas não pode faltar coragem. Temos que enfrentar isso. A triste conclusão é que o presidente tem muita culpa pelas mortes que estão acontecendo hoje. Ele desqualificou a vacina, disse que só ia comprar vacina se tivesse demanda, desqualificou a máscara, chamou de gripezinha e depois disse que não falou. Ele briga com a verdade. O que o Bolsonaro diz sentado não dá para garantir que ele vai confirmar de pé. Ele não tinha a maior condição de ser presidente.

 

Nos últimos dias, o presidente tem intensificado o discurso contra medidas restritivas e contra os governadores. Como o senhor vê essa postura?

Eu vi hoje o Bolsonaro dizendo que pode decretar estado de sítio. O Bolsonaro, na minha opinião, não tem condições de renovar o mandato dele. Não tem por causa das mazelas, dos problemas, das crises gestadas por ele mesmo, pelos problemas que ele tem dentro da família dele. Na minha opinião, como ele tem espírito ditatorial e perverso, bem provável é que ele queira caminhar para a expectativa de um novo golpe militar. O que eu não sei é se as Forças Armadas vão ou não dar respaldo a ele.

 

 

O senhor teme essa guinada dele?

Não tenho nenhum temor dele. Não estou falando em temor, tenho coragem para enfrentar qualquer situação. Estou fazendo uma avaliação. Com a declaração anterior de que deve declarar estado de sítio, ele vai querer criar essa dificuldade para criar confronto entre quem defende isolamento, distanciamento, lockdown e aqueles que não querem, que, como ele, querem transformar a pandemia em uma guerra, em uma catástrofe nacional, como já está acontecendo, com milhares de pessoas morrendo na porta dos hospitais.

 

O presidente Jair Bolsonaro ingressou com ação no Supremo Tribunal Federal para suspender decretos de toque de recolher na Bahia, Distrito Federal e Rio Grande do Sul. Como o senhor avalia essa medida?

Ele faz esse confronto com os governadores para colocar uma cortina de fumaça nos problemas. O que está acontecendo no Brasil é culpa do próprio Palácio do Planalto e do presidente. Essas coisas todas que estão acontecendo camuflaram coisas graves que ocorreram no país, gestados pelo próprio presidente.

 

 

Com a decisão do STF que devolveu a elegibilidade ao ex-presidente Lula, o senhor acha que o presidente Jair Bolsonaro, que estava surfando sem oposição, ganha um oponente à altura, que traz para ele o perigo de perder a reeleição? E, nesse sentido, como uma possível candidatura de Lula pode interferir nas eleições para o governo da Bahia em 2022?

É desumano falar em política na pandemia. Tratar disso é desumano, quando diz respeito a dor do povo baiano. Não tratarei desse assunto enquanto estivermos na pandemia, de uma doença que mata, deixa sequelas graves. É não ter espírito público, não ter caridade e espírito humanitário.

 

O senhor é membro de uma comissão especial no Senado para monitorar a situação da Covid-19 no Brasil. Quais ações o colegiado tem tomado neste momento em que a pandemia atingiu um nível de gravidade como nunca no país?

Nós já fizemos algumas sessões desta comissão. A última, na quinta (18), foi sobre o suprimento de oxigênio, ouvimos os principais fornecedores. Nós ficamos preocupados com a situação do suprimento de oxigênio. Todos eles disseram do aumento da demanda por oxigênio, do industrial e medicinal. A demanda aumentou muito e estão fazendo um esforço muito grande para atender os hospitais todos, públicos e privados. O grande problema é a falta de cilindros de oxigênio para atender os hospitais menores. Os estados de Rondônia, Amapá e Acre tem hospitais, por exemplo, com suprimento de oxigênio via cilindro. Levamos a situação ao conhecimento do Ministério da Saúde. Existe ameaça de falta de insumos, tais como medicamentos para intubar o paciente, pode ter dificuldade também de suprimentos individuais, equipamentos. Você veja a gravidade a que chegou ao país, por falta de previsibilidade do Ministério da Saúde.

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