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Entrevista

Nelson Jobim: "Se alguém está buscando saída honrosa, não sou eu" - 05/03/2007

Por Samuel Celestino

 


“Se alguém está buscando saída honrosa, não sou eu”.

Por Samuel Celestino

Por que o senhor quer ser presidente do PMDB? Se for eleito, o senhor fará inovações?
Nelson Jobim –
Quero ser presidente do PMDB para ajudar o partido a retomar seu perfil nacional. O PMDB é o maior partido do Brasil, com as maiores bancadas na Câmara e no Senado, é o mais bem estruturado, com maior capilaridade e essa é uma herança que recebemos do deputado Ulysses Guimarães e que devemos preservar. Digo isso, porque o PMDB está perdendo a característica de partido nacional. Hoje o partido colhe votos oriundos de disputas regionais. A inserção nacional que tínhamos há alguns anos atrás acabou diluída. Nós temos história, temos quadros, mas não temos um projeto de poder, um projeto para o Brasil. Portanto, quero ser presidente para resgatar o PMDB que não pode mais ficar discutindo cargos apenas do ponto de vista fisiológico, sem levar em conta questões programáticas e um projeto para o Brasil. Desde o governo Fernando Henrique que o PMDB vem sendo coadjuvante. Chegou a hora de pensarmos em 2010, de construirmos um caminho para 2010.

O senhor conta efetivamente com o apoio do presidente Lula e dos senadores Renan Calheiros e José Sarney na disputa contra Michel Temer?
NJ –
Os senadores José Sarney e Renan Calheiros me apóiam porque estão comprometidos com as mudanças, com o resgate do PMDB e com seu fortalecimento enquanto opção de poder. Tenho também o apoio de seis governadores, 19 senadores e mais da metade da bancada da Câmara dos Deputados. Os grandes nomes, as lideranças mais importantes do PMDB, aquelas que de fato têm interlocução privilegiada com o governo federal por tudo o que representam, têm trabalhado intensamente pela minha candidatura. Estão comprometidos com a modernização do partido, em uni-lo em torno de um grande projeto nacional. Quanto ao presidente Lula, que é meu amigo, ele é do PT e não costuma se envolver nas questões internas dos outros partidos.

Uma disputa pela presidência com Temer não significaria aprofundar o divisionismo, que é uma marca registrada do PMDB?
NJ –
De forma alguma. O PMDB é o único partido que permite, pelo seu estatuto, a existência de correntes internas de diferentes tendências. Minha candidatura é de união. É por isso que a maioria dos governadores, senadores e deputados trabalham pela nossa vitória.

É verdade que o senhor tem encontrado muitas dificuldades e procura uma saída honrosa para sua candidatura?
NJ -
Isso não existe. Tenho trabalhado intensamente, falado com todos os convencionais e nossa perspectiva é vencer com uma margem de pelo menos cem votos. Se alguém está buscando saída honrosa, não sou eu.

Como o senhor vê o PMDB da Bahia, que está em processo de ascensão e é presidido pelo deputado Geddel Vieira Lima, cotado para ser ministro do presidente Lula? O senhor é contra ou a favor de um ministério para Geddel?
NJ –
O PMDB da Bahia tem tudo para ser um dos principais atores do projeto de modernização que propomos. O deputado Geddel Vieira Lima é hoje uma liderança respeitada e foi o único a eleger-se pelo partido na Bahia. Quanto à questão do ministério, quem decide quem merece ou não ser ministro é o presidente da República.