Segunda, 14 de Setembro de 2020 - 11:10

Joel Feldman

por Ailma Teixeira

Joel Feldman
Foto: Reprodução/ Ilustrado

Entre os assuntos que dominaram o noticiário nacional na última semana está a alta do arroz. Consumidores que antes compravam um quilo do produto por algo em torno de R$ 2,75, de repente se depararam com o mesmo pacote por até R$ 5. A Associação Baiana de Supermercados repete o que já foi dito por outros membros do setor: eles não são os vilões.

 

Esse aumento é decorrente de outros três fatores que impactaram a cadeia produtiva do arroz: desvalorização do real frente ao dólar, redução da área de plantio durante a pandemia e aumento do poder de compra das famílias, explica o presidente da Abase, o administrador Joel Feldman.

 

Em entrevista ao Bahia Notícias, ele alerta que o arroz está longe de ser o único produto em situação preocupante. "Estamos num momento crítico do óleo de soja, tendo em vista a grande exportação deste commoditie para o mercado externo, de modo que as duas indústrias que dominam este setor no Brasil não possuem disponibilidade para atender a demanda. Este item seguramente faltará nas prateleiras nos próximos dias", avisa Feldman, que é também sócio da Cesta do Povo. Em Salvador, alguns supermercados já chegaram a impor limite de compra para esses produtos.

 

Para o administrador, é hora do poder público perceber a necessidade de reduzir a carga tributária dos itens da cesta básica, além de adotar a isenção de impostos na importação, como forma de regular o mercado.

 

 

Quantos supermercados são representados pela Abase?

O estado da Bahia possui mais de 15.000 lojas de supermercados entre todos os formatos e a Abase representa todo o setor de supermercados, do pequeno varejo até a maior rede, todos são representados pela associação.

 

Como o setor recebeu a informação de que o Senacon, órgão do Ministério da Justiça, tinha notificado a Associação Brasileira de Supermercados?

Todas as entidades que são estaduais, ligadas a Abras, receberam com tranquilidade, uma vez que a elevação dos preços das commodities não são uma responsabilidade dos supermercados, e sim da indústria, que neste momento tem colocado a produção no mercado externo, especialmente para o mercado chinês. O nosso setor está à disposição do poder público para auxiliar no entendimento das causas que desencadearam nos aumentos destes itens.

 

O movimento feito pelo governo, de determinar a notificação, mas em seguida frisar que não vai tabelar os preços, foi visto como interferência pela entidade baiana? A Abase teme que isso ocorra?

Não vemos espaço na atualidade para uma interferência no livre mercado, pois este mecanismo não tem nenhuma efetividade na regulação dos preços. O mercado atual é global e os fatores externos e cambiais não são controláveis.

 

Muito se falou sobre os motivos que ocasionaram a alta do arroz nas prateleiras? A quais fatores a Abase atribui esse aumento?

Os motivos que ocasionaram a alta dos preços no arroz, especificamente, são três: a desvalorização do real frente ao dólar, impulsionando a venda para o mercado externo; a redução da área de plantio de arroz por parte dos produtores neste período de pandemia; e o aumento do poder de compra das famílias em virtude do auxílio emergencial do governo.

 

Foto: Reprodução/ A Gazeta

 

Além desse, quais produtos devem ficar mais caros nos supermercados?

Além do arroz, estamos num momento crítico do óleo de soja, tendo em vista a grande exportação deste commoditie para o mercado externo, de modo que as duas indústrias que dominam este setor no Brasil – Bunge Alimentos e Cargill – não possuem disponibilidade para atender a demanda de óleo de soja neste momento. Este item seguramente faltará nas prateleiras nos próximos dias. É importante registrar que esses itens em questão são da categoria dos commodities nas lojas de supermercados, que possuem a menor margem, de modo que em virtude da enorme concorrência entre os competidores, já são ofertados com a menor precificação. São itens que entregam resultados inferior a 1,5%, ou seja, não tem muita margem de manobra. Para que cheguem ao consumidor com preços acessíveis, precisam vir da indústria com estes preços ajustados na origem.

 

No caso do óleo de soja, é possível reverter a situação?

Nesse caso, eu acredito que, com o enorme aumento de preços, a venda deste item também deve ser reduzida. Com isso, os estoques se regulam.

 

E quanto ao arroz, o cidadão pode esperar uma queda no preço ou a tendência ainda é de alta?

O arroz segue tendência de alta por mais algumas semanas e, posteriormente, é provável que retorne aos preços anteriores, acreditando que outros fatores não afetem este cenário.

 

Na avaliação da entidade, qual seria a solução adequada a ser adotada pelos governantes? A isenção nas tarifas de importação dos produtos é o caminho ideal?

Esperamos que este momento seja percebido pelo poder público como um alerta e quem sabe possa motivar a redução da carga tributária dos itens da cesta básica, isto somado a isenção de impostos na importação poderá regular o mercado.

 

No contexto atual, há risco de desabastecimento nos supermercados ou isso está fora de cogitação?

Em regra geral, o Brasil é uma enorme potência produtiva, de maneira que não acreditamos no desabastecimento dos itens. A economia é cíclica e, com o aumento da procura, as indústrias também aumentarão a produção, de maneira que em algumas semanas devemos ter uma regularidade.

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