Robinson Almeida dá de ombros a quem contesta falta de formação em comunicação - 24/11/2008
Fotos: Max Haack/ Bahia Notícias
Por Lucas Esteves
Bahia Notícias – Quem é Robinson Almeida?
Robinson Almeida - Eu tenho uma vinculação muito forte com a política. Eu tenho uma presença de militância partidária desde cedo na construção do Partido dos Trabalhadores aqui na Bahia. Profissionalmente eu tenho formação em engenharia, já dei aula e trabalhei nesta área no início da carreira, e depois fui para a atividade partidária, parlamentar, com assessoria ao deputado Walter Pinheiro durante muitos anos. Fui dirigente do PT no estado, da sua executiva, vice-presidente do PT no estado, fui do diretório nacional por duas gestões, diretor municipal do PT, e nesta minha trajetória eu acabei ocupando a área de comunicação do partido em diversas campanhas eleitorais. Participei do marketing criando uma relação com esta área de trabalho, relação com os profissionais de comunicação. Estudei também bastante de forma autodidata sobre a área, tive participação em várias atividades, cursos e seminários, e sempre entendi esta área em sua dimensão de política pública, como um direito da população de ter a comunicação como um serviço. E o governador, quando me convidou (para chefiar a Agecom), convidou pensando nisto de ser um gestor de políticas públicas de comunicação.
BN – Como transitou entre áreas tão distintas como engenharia e comunicação?
Robinson Almeida - Isso já foi feito há algum tempo. Desde os meus trabalhos na assessoria parlamentar e a prefeituras eu já não trabalhava com engenharia. Trabalhava na área política e de comunicação.
BN – Então é um engenheiro apenas por ocasião?
Robinson Almeida - Eu sou engenheiro por formação, eu diria. Fui, ao longo do meu trabalho, da minha opção política, me envolvendo com ela (a comunicação), inclusive exercendo funções executivas no partido na área e, por conta disto, participando de cursos, tendo de estudar e conviver (com o meio). Durante as campanhas eleitorais tendo que trabalhar com a comunicação de campanha, de partido, de candidatos. Então entrei na área de comunicação como reflexo da minha atividade política.
BN – Houve muita polêmica entre os jornalistas na época em que você assumiu a pasta, com muito questionamento à indicação de um profissional de engenharia para a Secretaria de Comunicação. Como lidou com isto na época?
Robinson Almeida - Eu acho natural a reação das pessoas porque estabelece uma leitura de que o profissional de comunicação deve exercer todas as funções correlatas. Mas a função que eu desenvolvo não é a de produzir conteúdos de comunicação e sim gerir uma equipe, uma política de comunicação do governo que não é compatível com a minha formação e experiência profissional. Mas frequentemente se vê profissionais com a formação em algumas áreas e eles ocupam pastas que requerem muito mais um gestor do que um profissional da área.
BN – Então a Agecom atualmente tem a cara de Robinson Almeida por ser muito mais um órgão de gestão do que de produção em si?
Robinson Almeida - Na verdade, ela é muito mais de produção de conteúdo. Tem as suas missões insubstituíveis e aqui todos os profissionais são formados na área de comunicação. Então aqui tem todos jornalistas, radialistas, o pessoal que trabalha em TV, publicidade. Todos os que trabalham aqui são profissionais da área de comunicação. Quem produz conteúdo de comunicação no governo é profissional de comunicação. Eu sou o gestor da política de comunicação, coordeno a área de comunicação.
BN - Como está a retomada dos trabalhos depois da eleição para você, que foi um dos integrantes do governo que mais acompanhou a campanha de Walter Pinheiro?
Robinson Almeida - Eu não parei. Na verdade, eu tinha tarefas diárias das 8h até o fim da tarde e acompanhava a campanha à noite, final de semana, quando me liberava das atividades aqui de trabalho. O governador tinha autorizado os secretários a entrarem nas campanhas, mas mantendo as suas atividades. Então para mim foi apenas cansativo, porque eu trabalhava três turnos e tinha jornada de dezoito horas diárias e o final de semana também integral. Foi uma decisão pessoal minha primeiro por ter uma relação histórica com Walter Pinheiro de mais de 20 anos. Segundo porque sou dirigente partidário do PT e achava importante colaborar com a minha experiência desse período de uma das mais importantes campanhas que o PT participou no estado. Então tomei uma decisão como filiado, militante do partido, e em cima das condições estabelecidas pelo governador de fazer campanha fora do horário de trabalho.
BN - Qual o estilo de trabalho e o cotidiano da Agecom? Ela funciona de fato como um órgão que descentraliza a produção de informação relativa ao Governo do Estado?
Robinson Almeida - Nós temos aqui, que nós acabamos de implantar, um Sistema de Comunicação do Poder Executivo (Sicompe). A Agecom é o núcleo deste Sicompe e trabalha em rede com as “ascoms” (assessorias de comunicação). Nós temos 22 secretarias, cada secretaria tem uma ascom, e tem nas secretarias as chamadas “indiretas”, empresas, superintendências, autarquias. Por exemplo, a Sedur (Secretaria de Desenvolvimento Urbano) tem Embasa e Conder. Então você tem a ascom da Sedur, a ascom da Embasa e a ascom da Conder. É como se fosse um sistema de comunicação que funciona em rede em que a Agecom é o polo organizador, e ele se ramifica nas secretarias e empresas, e nós funcionamos com esta estrutura geral e com as estruturas mais específicas dentro da Agecom. A Agecom tem a estrutura de produção de conteúdo jornalístico que é a sua redação. A redação tem uma estrutura com repórteres, com as coordenações que se articulam para a produção de conteúdo multimídia. Tem uma coordenação de TV, a de rádio, a de jornalismo (impresso, que serve ao Diário Oficial do Estado), a de fotografia e a de internet. Então eles funcionam integrados. Os repórteres são profissionais multimídia, cobrem pautas e produzem conteúdo para as diversas mídias e todo material que nós produzimos é disponibilizado no nosso site, seja na forma de vídeo, de texto, de áudio, de imagem, e o site é o local que recebe toda esta produção. Além disto, nós somos responsáveis pela elaboração do conteúdo jornalístico do Diário Oficial, que sai de terça a sábado, e a Agecom é responsável pela edição desta parte. Quando nós chegamos aqui (o conteúdo total do DO) era oito páginas, e agora aumentamos, desde março de 2008, para 12 páginas. Este jornal é produzido pela estrutura da Agecom em parceria com a rede, porque diversas matérias são elaboradas pelas ascoms das secretarias ou das empresas e enviadas praqui, e o editor do Diário e o de jornalismo fazem a seleção e a edição do jornal diário sai com uma tiragem de 7 mil exemplares. Aqui é o núcleo organizador da comunicação do governo. Além disto, nós temos uma estrutura que chamamos de assessoria de imprensa do governador. Há um assessor de imprensa, um jornalista, um secretário, uma equipe que atende diretamente o governador. A estrutura geral de repórteres da Agecom cobre os eventos do governo que envolvem o governador ou não, damos reforços a inaugurações, e o governador tem uma assessoria permanente que o acompanha em todas as suas atividades. Além desta parte de jornalismo há uma outra, que é a de propaganda. Ela é responsável pelo acompanhamento da execução dos contratos de publicidade. Nós temos quatro agências que prestam serviços de publicidade ao governo, e temos aqui uma coordenação que faz o acompanhamento junto com as ascom, porque cada secretaria tem um contrato, cada empresa tem um contrato, e aí a ascom faz o primeiro atendimnto e é a Agecom que aprova as campanhas, que libera o produto final elaborado pelas agências para disponibilizar à população. Além disto, nós montamos uma área responsável pelo acompanhamento da mídia. Ou seja, tudo o que for informação que saia sobre o governo nós temos um sistema de acompanhamento que repassa estas informações para os órgãos, para as pessoas interessadas e a Agecom faz isto em forma articulada também com as ascoms.
BN - O programa de rádio “Conversa com o Governador” é muito similar ao que o presidente Lula faz em Brasília, o “Café com o Presidente”. É realmente uma tentativa de seguir este exemplo ou o programa baiano tem de fato uma identidade própria?
Robinson Almeida - Existem duas imersões. A primeira é porque achamos que (o programa) é uma experiência importante, a de falar com a população baiana que, depois da TV, tem o rádio como o segundo meio onde as pessoas mais consomem informação. É uma forma de aproximar o governo da sociedade, especialmente nos segmento que ouve rádio. Então nós temos cerca de 150 rádios comerciais no interior do estado e na capital temos dezenas de rádios comunitárias e este é um segmento importante. A distribuição é por adesão das rádios ao conteúdo do programa. Como ele é de relevância, a opinião e a informação do principal dirigente do estado, que é o governador, então há uma adesão de cerca de 80 veículos que retransmitem o programa. Eles são livres para baixar o áudio e transmitirem no ar. Nós enviamos para o mailing deles e também disponibilizamos (o arquivo) no site do governo. Gratuitamente. É um programa de cinco ou seis minutos. É uma das novidades. Esta produção multimídia foi algo que nós ampliamos aqui na nossa gestão. O conversa com o governador também foi um outro produto que nós criamos. A ampliação do número de páginas do DO. Fizemos uma revista de balanço anual do governo no ano de 2007 e vamos fazer uma de 2008. O nosso material de TV é disponibilizado pela internet, distribuiímos este conteúdo nas TVs comercias e também exibimos no nosso site. Então, todo o nosso conteúdo produzido nós disponibilizamos para os segmentos da imprensa que têm o interesse de fazer a sua reprodução, além de qualquer cidadão interessado no site.
BN - O governo Wagner é duramente criticado por não parecer tão eficiente quanto poderia ou deveria. Qual o papel da Agecom em transformar esta visão geral do trabalho da administração estadual?
Robinson Almeida - Na verdade, em todas as pesquisas que nós fazemos há uma avaliação boa do governo. A avaliação de ótimo/bom é o dobro ou o triplo em relação a ruim/péssimo. Temos dois anos de uma gestão que está substituindo um modelo que durou décadas na Bahia, então é uma nova forma de governar, é um novo estilo. É preciso reorganziar a máquina administrativa, e que já reorganizou toda a sua estrutura e concepção de funcionamento, e durante dois anos algumas coisas têm maior visibilidade e outras menor.
BN – E qual o critério usado para distribuir esta visibilidade para que o governo seja visto como algo homogêneo que atua em todo o estado?
Robinson Almeida - Agora nós temos o critério de fazer uma divulgação das chamadas “ações prioritárias das secretarias”. Temos um planejamento de governo onde as secretarias elegem as suas ações prioritárias e em cima delas que há todo um plano de comunicação elaborado. Nós estamos fazendo também planejamentos da comunicação do governo e estas ações têm uma prioridade na sua divulgação. Tem o factual, do dia-a-dia, e tem as ações prioritárias do governo que merecem um tratamento especial. Por exemplo a Educação tem quatro ações prioritárias: O programa Topa (Todos pela Alfabetização), o Trilha, voltado para a juventude, o programa de qualidade chamado Escola Viva e na área de recuperação de prédios. Em cima destas quatro ações é que nós organizamos o plano de comunicação para dar a eles uma visibilidade maior. Isto acontece também com Saúde, Ciência e Tecnologia, Promoção da Igualdade, a Infra-Estrutura, Planejamento. Então é obvio que a partir do segundo ano, onde o que foi plantado no primeiro começa a aparecer, vai ganhando mais visibilidade. Então acho que a constatação de alguns de uma necessidade de uma maior visibilidade em relação às ações do governo vem de acordo com a sua própria evolução. Imagino que no terceiro ano o volume de entregas será bem maior e a visibilidade maior.
BN - Qual a diferença da Agecom do último governo para a de agora?
Robinson Almeida - Eu não vou falar sobre o sistema anterior, especificamente do funcionamento da Agecom, mas acho que nós fizemos a introdução de novos elementos para este momento nos adequando às necessidades do governo. Nós promovemos a I Conferência de Comunicação Social da Bahia, estabelecendo uma nova forma de atuação do órgão de comunicação com a sociedade. Ou seja, nós extrapolamos aquela percepção de ter a área de comunicação só para produzir conteúdo e agregamos a ela à idéia de produzir políticas públicas para o setor. Nós fizemos na Conferência plenárias em todas as regiões do estado, preocupados em entender como o mercado de comunicação funciona em todas as regiões espalhadas pela Bahia, como é a força de cada meio naquela região, do rádio, da TV, da chamada mídia alternativa, mídia comunitária. Reunimos mais de 2 mil pessoas nestas conferências, o que culminou com a Conferência Geral em agosto deste ano. E pudemos perceber que, quando mobilizado, o povo quer discutir sim comunicação como um direito seu, informação como um serviço público, porque se a pessoa não é informada ela não tem acesso ao benefício, aos serviços, então a informação é parte da prestação de serviços. É importante que a sociedade discuta como funciona a comunicação para que isto se traduza em melhorias do acesso ao serviço e a sua própria utilização.
BN - Na Agecom se observa uma continuidade de gestão que não encontra paralelo com a Secom (órgão de comunicação da prefeitura de Salvador), onde frequentemente há a troca de comando. Enquanto muitos se revezaram na liderança da Secom, você continua à frente da Agecom desde a posse de Jaques Wagner. Ao que atribui esta estabilidade?
Robinson Almeida - Na verdade nós fazemos parte de um projeto que o governador lidera, que é um projeto de resgatar as desigualdades sociais da Bahia, promover a justiça, desenvolvimento com democracia e inclusão social. E a comunicação faz parte desta concepção de governo, concepção de mundo, na verdade. E tem mudado no ponto de vista de governo a sustentação a este conceito da comunicação, e o conceito é de que a Bahia tem crescido. Na área da democracia é clara a sensação de liberdade empresarial, liberdade política, para o trabalho da imprensa, que é fruto deste novo momento que o governo estimula e que faz da democracia um instrumento importante. Então há este trinômio desenvolvimento-democracia-inclusão social como base do governo e da nossa comunicação.
BN – Alguns meios de comunicação reclamaram que o PT teria usado a Agecom durante as eleições municipais de Salvador para influenciar conteúdos da imprensa na cidade. Qual a influência que o PT exerce no cotidiano de produção da Agecom?
Robinson Almeida - Uma coisa é partido e outra coisa é governo. As nossas preferências partidárias não devem ser confundidas coma s nossas funções de governo. O partido tem sua estrutura, sua secretaria de comunicação, seus dirigentes, e eles respondem pelo partido. Nós respondemos pela estrutura de governo.
BN – Boa parte da oposição ao governo acusou a Agecom de, na reta final do segundo turno, ter apontado a produção jornalística para Salvador, dando visibilidade a projetos como o Hospital do Subúrbio e a Ronda nos Bairros visando alavancar a campanha de Walter Pinheiro. Isto de fato ocorreu?
Robinson Almeida - Nós planejamos a divulgação das ações do governo quando elas acontecem. Então a comunicação acompanha a execução dos projetos e dos programas de governo. Então o programa Ronda nos Bairros, desde que a segunda fase foi implementada – a primeira foi implementada na região de Tancredo Neves se não me falha a memória em julho ou agosto -, agora em outubro, na região do Subúrbio, como uma ação de governo, nós temos a emissão de divulgar esta ação para a população tomar conhecimento. Então, a coincidência com o período eleitoral não foi nenhuma ação planejada de comunicação. Nós tínhamos a responsabilidade e missão de divulgar neste período o que foi que aconteceu.
BN - Com a atual tensão entre PT e PMDB na administração estadual, há algum atrito entre as ascoms de secretarias comandadas pelo PMDB (Mineração e Infra-Estrurura) e a equipe da Agecom?
Robinson Almeida - Não. Absolutamente. Há um grau de unidade interna muito grande. Como eu falei, as questões partidárias são tratadas pelos partidos, mas há um compromisso da área de governo e das secretarias com o projeto e o programa do governador Jaques Wagner que orienta todas as nossas ações e a dos secretários.
BN - O governador tem adotado recentemente uma nova forma de articulação política, em que usa muito o faça-você-mesmo, negociando apoios e investimentos pessoalmente junto a deputados e senadores, por exemplo. Como secretário intimamente ligado a Wagner, acredita que ele tem perdido a confiança no seu secretariado?
Robinson Almeida - Não, pelo contrário, ele está sempre bem assessorado. Os secretários é quem planejam as suas ações e ele (Wagner) vai (diretamente aos interlocutores) quando é importante a presença dele para acelerar alguns processos. (Na ocasião da viagem a Brasília) era uma negociação com a bancada federal de investimentos para a Bahia, então é natural que o governador acompanhe esta negociação por conta de ter um caráter supra-partidário com integrantes da bancada de diversas matrizes. Então é absolutamente natural e uma ação desempenhada por ele e inclusive eu o acompanhei ainda na posse, em 2006, quando ele ainda estava preocupado com as ações e emendas para o ano de 2007. É uma iniciativa pessoal dele de acompanhar, de participar, de saber como o governo está funcionando, de dar total liberdade de trabalho para os secretários e seus auxiliares em torno de um projeto feito coletivamente.
BN - O próprio Wagner já assegurou que em 2009 dedicará mais o tempo à gestão que à política, dando a entender a muita gente que seu governo anda meio parado e realizando pouco pelo estado. Como a Agecom pode ajudar neste processo da fazer o Governo da Bahia mais “ativo” e “produtivo”?
Robinson Almeida - Nós vamos acompanhar a liderança do governador. É ele que dá o tom, o ritmo dos trabalhos do governo. Então estaremos como estivemos nestes últimos dois anos, acompanhando a sua ação e as suas orientação, porque 2009 é um ano sem eleição, então é mais dedicado às realizações da gestão do Poder Executivo. Ele está estabelecendo esta prioridade para a equipe. O foco para 2009 é o foco da materialização dos projetos que foram iniciados em 2007, e que boa parte deles deve ter conclusão a partir de 2009, 2010, em cima do planejamento previamente estabelecido.
BN - A Agecom pode sofrer alteração de comando devido à reforma política que ocorre na administração atualmente? Você acha que pode ser passado para outra pasta ou mesmo não coordenar mais nenhuma secretaria?
Robinson Almeida - Eu acho que é uma decisão que cabe exclusivamente ao governador de mudanças em qualquer área do governo. Como nós somos dirigentes, liderados pelo governador, ele exclusivamente que tem esta prerrogativa.
BN - As últimas viagens do governador, coincidentemente ou não, foram avisadas à imprensa aparentemente em cima da hora. Há uma intencionalidade atual de poupar Wagner de questionamentos antes de viagens importantes?
Robinson Almeida - As tais viagens são anunciadas sempre com antecedência, mas muitas vezes elas não estão confirmadas com bastante antecedência. Assim que são confirmadas, nós divulgamos não só o seu período e seu destino, mas o que o chefe do Poder Executivo estadual vai fazer. Então nós temos tido como praxe a divulgação prévia.
BN – Como foi o trabalho e o clima da Agecom durante a época da eleição para prefeito?
Robinson Almeida - Tranqüilo por conta de acompanhar as ações do governo no período de suas atividades. Então, nós não tivemos nenhum processo de interrupção das atividades do governador ou o acompanhamento das suas ações institucionais. Nós não acompanhamos as suas ações de campanha propriamente ditas, suas atividades políticas e eleitorais. Nos concentramos no acompanhamento das atividades institucionais.
BN - Você foi um dos petistas mais confiantes na vitória de Walter Pinheiro em Salvador, mas o candidato acabou derrotado por João Henrique. O que acha que deu errado na campanha do partido?
Robinson Almeida - Pinheiro não era nem candidato antes das prévias e terminou sendo eleito candidato do partido. Acho muito vitoriosa a trajetória de quem era, em maio, pré-candidato quase desconhecido, venceu as prévias no dia 5 de maio e 3% nas pesquisas, iniciando a campanha em julho depois de fechar aliança com PCdoB e PSB durante todo mês de junho e atrás de dois favoritos para ganhar a eleição (ACM Neto e Imbassahy) e saiu dos 3% para 30% ao final do primeiro turno. No segundo turno atingiu 42%. Se analisarmos a eleição de 2008 como um processo mais geral, nacional, vamos ver que o fenômeno da reeleição foi o que teve mais força para convencer o eleitor na hora de escolher o seu voto. Só Serafim Correa (Manaus - AM), que é prefeito, não foi reeleito. Todos os outros prefeitos de capitais que tentaram se reeleger conseguiram. Então foi este forte movimento de continuidade que acho que influenciou e decidiu a eleição aqui no segundo turno.
BN - Semanas atrás, Maurício Carvalho, marqueteiro político do PMDB, ressaltou em entrevista ao Bahia Notícias que a campanha do PT no segundo turno foi marcada pelas agressões, inverdades e outros tipos de ataques que contribuíram para a diminuição do nível do debate político. Você concorda com a opinião do publicitário?
Robinson Almeida - Desconheço isto, pelo contrário. A campanha do PT em Salvador foi muito propositiva, com programas importantes para a cidade na área de saúde, transporte, educação, segurança, geração de emprego. Foi muito pautada pela apresentação de uma alternativa com consistência, com apoio político do governo estadual, do federal. Eu acho que foi uma campanha de alto nível.
BN – E o que achou da campanha do PMDB?
Robinson Almeida - A campanha do PMDB foi uma campanha de continuidade que, de cereta forma, se moveu no segundo turno marcando a campanha de Pinheiro, e como tinha a favor este elemento da continuidade, de não mudar, então se moveu como a teoria do “em time que está ganhando não se mexe”.