Segunda, 10 de Agosto de 2020 - 11:10

Dayane Pimentel

por Ailma Teixeira / Matheus Caldas

Dayane Pimentel
Foto: Reprodução / Facebook

Presidente do PSL na Bahia, a deputada federal Dayane Pimentel (PSL) indicou que o partido obteve um crescimento de 6% no estado após a saída do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), numa crise que eclodiu no ano passado e fez com que o chefe de Estado almejasse a criação da sua própria legenda, a Aliança Pelo Brasil, que ainda não saiu do papel.

 

“Desde a saída do presidente, o PSL foi um dos partidos que mais cresceu no Brasil. Aqui na Bahia tivemos um aumento de 6% e vemos que as pessoas se sentem representadas por nossa sigla sem aquele peso de extremismo. Nós estamos aqui na Bahia, onde a política corpo-a- corpo é feita com muito auxílio ao próximo, então o pessoal que quer continuar trabalhando essas questões sociais e essas políticas públicas e sociais, mas são pautadas pelo conservadorismo moral e pautadas pelo liberalismo econômico, tem nos ajudado a crescer o partido”, analisou, em entrevista ao Bahia Notícias.

 

A parlamentar também sinalizou que o partido deve ter cerca de 20 candidaturas próprias a prefeituras em toda a Bahia, incluindo Feira de Santana, onde ela é pré-candidata. 

 

Dentre diversos assuntos abordados na entrevista, Dayane fez avaliações do prefeito Colbert Martins (MDB) em Feira, falou sobre o apoio a Bruno Reis (DEM) na eleição em Salvador e fez avaliações do seu mandato na Câmara. Leia a entrevista completa.

 

O PSL na última eleição teve um fortalecimento muito grande capitaneada pelo presidente Jair Bolsonaro, candidato à época. Com o rompimento do presidente e do partido, qual será a estratégia adotada do PSL para tentar garantir a expressividade nas eleições municipais?

Desde a saída do presidente, o PSL foi um dos partidos que mais cresceu no Brasil. Aqui na Bahia tivemos um aumento de 6% e vemos que as pessoas se sentem representadas por nossa sigla sem aquele peso de extremismo. Nós estamos aqui na Bahia, onde a política corpo-a-corpo é feita com muito auxílio ao próximo, então o pessoal que quer continuar trabalhando essas questões sociais e essas políticas públicas e sociais, mas são pautadas pelo conservadorismo moral e pautadas pelo liberalismo econômico, tem nos ajudado a crescer o partido. Além do que, nós somos um partido com uma das melhores estruturas. Temos o segundo melhor tempo de TV e rádio e temos condições de fazer com que a população se sinta acolhida a nível partidário e que tenham condições de estar concorrendo no nosso partido aos pleitos municipais. Todas essas questões favorecem a expressividade do PSL. Lógico que uma marca a nível de estado, como representado pelo presidente, é muito forte porém nós sentimos que a saída dele do partido teve efeito contrário ao que se esperava. Crescemos e estamos dando prosseguimento a todas as pautas que levantamos em 2018 também nessas eleições de 2020.

 

Como a senhora apontou, o PSL teve um ganho expressivo no tempo de televisão e rádio como resultado da eleição passada, com isso, como anda a articulação do partido para as eleições municipais? O PSL tem sido recrutado?  Convocado para alianças e composições de chapa com partidos que buscam uma aproximação de vocês aqui na Bahia?

Olha, nós não estamos tratando com partidos e sim com gestores. Obviamente, por ter na capital uma junção com o DEM, algumas pessoas confundem que essa aliança vai penetrar por todo o interior da Bahia e não é bem assim. Nós estamos focados na gestão, nas figuras personificadas e não nas partidárias. Obviamente descartamos qualquer tipo de aliança com chapas encabeçadas pelos partidos de extrema-esquerda, que seriam o PCdoB, o PSOL e o PT, mas estamos dialogando com outras figuras de outros partidos com as quais possamos vislumbrar ideias positivas para a sociedade local.

 

Quais por exemplo?
Olha, aqui em Salvador nós temos o DEM com o Bruno Reis e também estamos com eles em Camaçari com o prefeito Elinaldo. Em Ilhéus, temos o prefeito Mário Alexandre (PSD) e em Simões Filho estaremos com o prefeito Dinha (MDB). Esses são os nomes que tenho agora. Estamos também com um pré-candidato nosso em Morro do Chapéu e ele vem pra sucessão do prefeito atual, Leonardo Rebouças (PL). Então nós temos feito essas alianças em alguns municípios visando sempre o retrato da sociedade. 

 

E candidatos próprios? Onde o PSL pretende lançar?
Olha, nós ainda estamos fechando esse quadro mas estamos pensando em lançar em torno de 20 candidaturas próprias. Teremos Feira de Santana, com a minha pré-candidatura, e Vitória da Conquista, que são duas cidades importantíssimas do estado, mas ainda estamos fechando e pensando em como será. Tem muitos partidos chegando pra dialogar nesses últimos momentos, mas temos esses exemplos aí que já estão concretizados.

 

Falando na sua candidatura, como foi o processo de articulação e firmação de apoio para a campanha em Feira nesses tempos de pandemia?

Apesar de estarmos em situação remota, o PSL é um partido que atrai mais esses diálogos do que busca. Nós entendemos que quando existe essa busca, a contrapartida é sempre muito alta então nós preferimos agregar aqueles que querem fazer parte do nosso plano e objetivo de gestão e sociedade. Então quando as pessoas se aproximam é porque elas querem aquele modelo. Quando nós procuramos, a tendência é a barganha e nós queremos começar uma política em Feira de Santana que se mantenha longe dessa barganha. Óbvio que em um momento pontual ou outro nós teremos que fazer um diálogo, mais político do que técnico, e vamos fazê-lo, mas não é a plataforma principal nossa. A nossa plataforma é dizer “Olha, nós estamos aqui, nós temos essas propostas e estamos de braços abertos para quem quiser vir somar conosco”.

 

Aqui em Salvador, o PSL não está mais na disputa pela vaga de vice na chapa de Bruno Reis?

Na verdade, nós nunca estivemos nessa disputa. Sempre deixamos a cargo do próprio grupo de Bruno pois entendemos que neste momento, quem pode falar com mais propriedade sobre esses arranjos soteropolitanos é a a gestão daqui. Nós sabemos que temos um potencial muito forte e queremos fazer parte de uma chapa vencedora e muitas vezes sabemos que abrindo espaço nós conseguimos conquistar essa vitória de forma mais fácil. Então nunca foi imposição nossa, sempre dialogamos de forma muito aberta e nosso objetivo é a vitória. E se para ter essa vitória vamos agregar mais abrindo o espaço, não tem problema nenhum. Seria um grande lisonjeio se fôssemos convidados, mas não vamos impor nada e vamos apenas aguardar dando nossa opinião sobre os escolhidos, pois nos entendemos como protagonistas desse processo, mas não para barrar, impedir ou usufruir disso de forma politiqueira. Vamos entender a escolha e dar a opinião, mas não estamos impondo nada nessa questão do vice não.

 

Houve uma especulação na semana passada de o ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, teria sido convidado a se filiar ao PSL. Esse convite de fato aconteceu?
O convite é feito reiteradamente ao longo desses processos que estamos vivendo nos últimos tempos. O PSL está de portas abertas para o ex-ministro, obviamente seria muito interessante poder lançá-lo a nível presidencial, mas isso ainda será decidido a partir de conversas e diálogos e ele precisa se sentir confortável partidariamente. O PSL busca dar essa garantia de conforto no que diz respeito de ter uma legenda forte onde as pessoas estejam concentradas naquilo que o Moro defende. Então é um convite aberto e para nós seria um motivo de muita felicidade ter o Moro, independente de qual seja sua candidatura. Claro que uma candidatura presidencial seria motivo de muito orgulho, dada a trajetória ilibada do mesmo, e daria mais visibilidade para o partido a nível nacional.

 

Falando ainda na situação do Sérgio Moro, o ministro Dias Toffoli do STF tem defendido uma proposta para que juízes enfrentem uma “quarentena” de oito anos antes de uma candidatura em um cargo no executivo. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, se disse favorável à ideia e lembrou que existem projetos no Congresso com proposta semelhante. Como a senhora avalia essa situação? Seria uma medida que visa atingi-lo? 
Eu não tenho a menor dúvida que a retomada dessa pauta tem como objetivo principal atingir uma possível pré-candidatura do ex-ministro Sérgio Moro. Para mim, isso é muito claro. A gente entende que há uma aproximação muito grande entre o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o ministro Dias Toffoli, assim como a gente entende que hierarquicamente o procurador-geral da República, Augusto Aras, responde ao presidente quando ele deveria ser o maior fiscalizador deste poder. E nós entendemos que essas duas figuras, Aras e Toffoli, se movimentam sempre positivamente em direção aquilo que Bolsonaro espera, e que no meu entender, é o enfraquecimento da Lava-Jato e tornar a candidatura do ex-ministro Sérgio Moro inviabilizada. Então eu vejo com muito lamento e até fiz uma citação hoje no meu twitter dizendo que a maior diferença entre Lula e Bolsonaro em 2018 é justamente a maior semelhança que os dois tem em 2020, que seria justamente o enfraquecimento da Lava-Jato e inviabilizar Sérgio Moro para 2022.

 

Como membro do conselho nacional do partido, a senhora está por dentro das articulações. Para além de Sérgio Moro, o que há de conversa e projeção do partido visando a longo-prazo a eleição presidencial de 2022?
O momento é de observação, né? Temos quase dois anos para fazer essa escolha e tudo depende de quem vem agregar conosco. Temos uma vontade muito grande do ex-ministro Sérgio Moro ingressar nos nossos quadros, mas não depende apenas da nossa vontade. Essa vontade precisa ser bilateral. Também existem outras figuras de expressão que estão conversando, inclusive dentro do nosso próprio partido, e tudo vai depender dos desdobramentos daqui até 2022. Estamos atentos e apesar de ter essa grande vontade de encabeçar a chapa, também sabemos que devemos buscar meios de fazer com que a sociedade se sinta beneficiada. Se isso for algo que também nos beneficie de forma eleitoral, seria unir o útil ao agradável, mas essas conversas não estão concretizadas e o cenário está completamente aberto.

 

Falando do Congresso, temos visto uma postura diferente do presidente, que anda mais contido nas últimas semanas, sem gerar conflito entre os poderes, mas vimos recentemente a deputada Bia Kicis deixar a vice-liderança do governo na Câmara por votar contra o Fundeb  e tivemos MDB e DEM deixando o Centrão o que surge como uma dificuldade para o governo federal. Como você avalia a situação do governo com as pautas que estão sendo tocadas no momento? 

Muitas pessoas acreditam que Bolsonaro adquiriu o Centrão quando a verdade é que o Centrão adquiriu Bolsonaro a partir do receio e temor do próprio com as investigações da justiça envolvendo a sua família. Bolsonaro entendeu que precisava enfraquecer o combate contra a corrupção, pois esse combate poderia chegar na sua porta. E quem seriam as pessoas ideais para que Bolsonaro pudesse levar isso adiante? Os líderes do Centrão que também tem isso em comum. Então essa aliança não é feita a partir apenas da necessidade de votações, pois isso já estávamos fazendo. O governo conseguiu aprovar a reforma da previdência quando o Centrão ainda não estava na base. Então esse clamor e apelo midiático dos parlamentares é muito forte para que a população cobre dos representantes. Anteriormente isso auxiliou também na sua aproximação de Dias Toffoli, que todo mundo sabe que foi o ministro indicado no governo de Dilma Rousseff e tem ali nos seus melindres sociais uma certa simpatia pela esquerda e foi o ministro que Bolsonaro mais se aproximou. Não tenho nada pessoal contra o ministro Dias Toffoli e o PGR, mas entendo que esses movimentos são errôneos. Nós deveríamos estar respondendo para a sociedade com aquilo que as urnas pediram, um combate intransigente contra a corrupção. Então essa aproximação de Bolsonaro com essas figuras diz muito em relação ao temor que Bolsonaro sente em relação as investigações contra seu próprio grupo. Como os deputados se pautam pelas suas bases e não pelas suas políticas ideológicas, é uma troca muito favorável. Colaboram para que o enfrentamento contra a corrupção não se desenvolva e em contrapartida nós vemos uma distribuição grande de emendas, que inclusive teve em 2019 a maior distribuição já feita pelo Palácio do Planalto no Congresso, e a gente entende que essa aproximação de ministros do STF com Bolsonaro cria neles uma expectativa de indicações futuramente para as próprias cadeiras do STF.

Dayane Pimentel era apoiadora do presidente Jair Bolsonaro até a saída dele do PSL | Foto: Reprodução/ Instagram

 

Qual a sua percepção da atuação do Ministério da Saúde nessa pandemia?
Olha, todo mundo sabe que o ministro colocado ali por ele (Bolsonaro) está apenas seguindo ordens e isso é lamentável e vergonhoso. Estarmos no meio de uma pandemia, a pior que a minha memória possa alcançar, e temos um ministro interino que não é técnico. Sendo que na campanha nos foi prometido ministros técnicos, então é uma vergonha total. Não adianta vir com essa história de que o STF passou essa responsabilidade para os governadores e para os prefeitos, excluindo a responsabilidade do governo federal que isso não existe. O que o STF julgou foi que os governadores e prefeitos também teriam essa opção de deliberar da forma que fosse mais conveniente para o seu território. Enquanto isso o presidente erra demais, encara essa pandemia como “uma gripezinha”, temos aí 100 mil mortes, brasileiros que perderam suas vidas quando mais respiradores poderiam ter sido entregues. O Ministério da Saúde não gastou um terço do orçamento direcionado para o combate ao Coronavírus então a pergunta que fica é: O que Bolsonaro tá pensando em fazer com esse dinheiro? Propaganda política para 2022? Enquanto os hospitais tão sofrendo com a falta de respiradores e remédios simples. É uma contradição muito grande. Agora, o governo federal conta com uma máquina forte, cada vez mais próximo das grandes mídias, e com isso consegue disseminar a narrativa que não é verdadeira, mas que acaba a criar na população uma esperança. Como a população ansiava por mudança, acaba por acreditar que a mudança foi feita mas isso é uma grande narrativa mentirosa, se utilizando da máquina pública com sites e blogs bolsonaristas sendo patrocinados por órgãos federais públicos e aí a gente entende que a população está sendo empurrada para o engano.

 

Como a senhora avalia a postura do prefeito Colbert Martins na gestão dessa crise em Feira de Santana?
É uma condução completamente desorganizada. Existe uma pressão muito forte dos comerciantes, uma pressão justa vale salientar, mas é preciso que a iniciativa pública organize essa abertura de comércio para que possa manter. O prefeito tem feito isso de forma muito desorganizada, estava sob essa pressão, mas não sentou com as secretarias e sociedade civil para poder organizar um plano. Um plano geral de higienização, de condução de coletivos para poder transportar esses empregados do comércio, foi feito tudo de forma muito desorganizada e resulta nessa oscilação de abre e fecha. Acredito que quando ele sentar para entender que há uma responsabilidade maior com as vidas do que em responder os comerciantes, poderemos ter uma estratégia melhor. Podemos sim manter o comércio aberto desde que com um plano para isso. Vale lembrar que Feira é um polo comercial de toda uma região e com essa abertura do comércio recebe muitas pessoas de fora. Então precisa de um plano efetivo com pessoas entregando máscaras e álcool em gel o que teria um custo mínimo comparado à essas perdas que estamos tendo no comercial.

 

Quais as novidades do seu mandato?

Eu tenho trabalhado bastante com o direcionamento de emendas, fui a parlamentar que mais contribuiu com a gestão municipal com o direcionamento de recursos, mais de R$ 5,6 milhões, estou buscando fazer outras entregas e tenho direcionado para muitos municípios baianos. Tenho votado muito no Congresso em questão de auxílios que venham favorecer não só os mais vulneráveis como também os pequenos empresários que estão passando por momentos de muita dificuldade. Buscamos a máquina pública neste momento para garantir o mínimo de sobrevivência para nossa sociedade. Inclusive, eu enquanto integrante de partido economicamente liberal, as pessoas costumam questionar, mas eu digo que nossa prioridade é o povo. Quando falamos de enxugar a máquina, falamos em cargos comissionados, privatizar estatais ociosas e não em termos que signifiquem dar condições de sobrevivência para a população.

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