Almir Melo Júnior: "Certeza que o PT de Salvador não fará uma oposição contra a cidade" - 17/11/2008
Fotos: Max Haack/Bahia Notícias
"O calor da eleição já passou. Nós temos que tratar agora da parte administrativa da cidade. Nós temos certeza que o PT de Salvador não fará uma oposição contra a cidade."
Por Evilásio Júnior
B.N - Quais são os planos para o próximo mandato?
Almir - Até o momento, o que nós temos, por determinação do prefeito, é tratar dos projetos e viabilizá-los da maneira mais rápida possível. Tanto os que estavam em andamento, quanto os que foram feitos no compromisso da campanha. Hoje, nós da secretaria, estamos desenvolvendo tanto os projetos da área de infra-estrutura, quanto os projetos da área de transportes.
B.N - Alguma obra especial?
Almir - Nós estamos tratando da via náutica, que vai fazer um misto entre a parte de transportes e infra-estrutura. A via náutica será um novo sistema de transporte hidroviário, e temos que preparar esses equipamentos urbanos, para que tragam conforto à população de Salvador. Não só daqui (parte continental) como também nas ilhas (Maré, Frades e Paramana). Então nós estamos tratando dessa parte do projeto da infra-estrutura, encaminhando à Brasília, para conseguirmos ver se teremos êxito esse ano ou no próximo. E também estamos com o canal do Imbuí, que estamos fazendo os estudos para verificar a possibilidade de enquadramento no ministério da Integração Nacional, junto ao ministro Geddel Vieira Lima, solicitando ao mesmo a liberação de uma etapa da obra, que está na fase conclusiva dos seus projetos.
B.N - Depois da campanha eleitoral, parece que o ritmo de obras sofreu uma desaceleração brusca. O que houve?
Almir – Não houve diminuição de ritmo. O que houve foi um calendário comprido para cada exercício e ano. Os projetos continuam. O que antes da campanha se via muito em ritmo acelerado era a obra da Centenário, que já ficou pronta, e aí tinha aquela quantidade de gente trabalhando, mas obras com recurso federal continuam em plena atividade. Nós estamos agora, por exemplo, concluindo mais uma etapa da obra da Tancredo Neves, em frente à Tok & Stok. Será uma via marginal, uma via interna, que melhorará muito o tráfego. Estamos evoluindo também no mergulho da Ligação Iguatemi-Paralela.
B.N - Mas o banho de asfalto parece que parou. Falta verba hoje na cidade?
Almir – Nós tínhamos uma verba destinada para o banho de asfalto e essa verba foi concluída justamente agora em novembro. Estamos fazendo obras de manutenção na cidade, como a operação tapa-buraco, que continua. Lógico que na cidade do Salvador, o banho de asfalto, como foi uma obra realizada com recursos próprios, teve que parar, pois temos as nossas dificuldades financeiras. Nós temos um calendário financeiro para utilizar o nosso orçamento, que está chegando ao final, e não temos condições de evoluir. Mas no próximo ano, a cidade do Salvador pode ter certeza que continuará a operação banho de asfalto, já com um novo mandato, um novo exercício orçamentário, porque trouxe benefícios não só para o conforto da população, mas também para a maior velocidade do transporte público. Esta é uma determinação do prefeito João Henrique, de que nós tratemos esse transporte público com a maior agilidade e o maior respeito possível.
B.N - Em relação à reforma administrativa anunciada pelo prefeito João Henrique, em que algumas secretarias seriam agregadas por outras. O enxugamento atingirá a Setin?
Almir – Não, olhe bem. A Setin é composta por oito autarquias e empresas. Nós aqui, só pra entendermos melhor, temos sob o comando da secretaria a CTS (Companhia de Transportes de Salvador), que cuida dos trens e do metrô, a SET (Superintendência de Engenharia de Tráfego), STP (Superintendência de Transporte Público) e Agert (Agência Municipal de Regulação dos Serviços de Transportes Coletivos de Passageiros), no transporte. Do lado da Infra-estrutura nós temos Sumac (Superintendência de Manutenção e Conservação da Cidade), Surcap (Superintendência de Urbanização de Capital), Desal (Companhia de Desenvolvimento Urbano do Salvador) e SPJ (Superintendência de Parques e Jardins). Então a reforma administrativa, ela está sendo conduzida pelo prefeito João Henrique, junto com assessores, a gente não está fazendo parte desse entendimento ainda e estamos aguardando a ordem e o que vier, da maneira que vier, tenho certeza de que será melhor para a cidade do Salvador.
B.N - Então não há a possibilidade de a secretaria agregar outras?
Almir - Não, a secretaria em si não. Há a possibilidade de uma superintendência fazer uma junção com outra. Não a secretaria, porque ela já cuida de duas áreas muito importantes para a cidade.
B.N – Já há garantia da continuidade do senhor à frente da pasta?
Almir – Não, não. Eu estou aqui em pleno exercício deste mandato atendendo aos comandos do prefeito. Até o momento nada foi sinalizado, é muito cedo pra falar do assunto e o prefeito é quem determina quem fica e quem sai, pois o mandato é dele. Estamos cumprindo as missões e as tarefas que a nós foram confiadas. E no próximo ano, pode ser que a gente receba o convite de continuar, ou que outra pessoa venha assumir. Isso aí é o prefeito quem vai determinar.
B.N - Sobre a relação PMDB - PT. O senhor acredita que essa parceria ruiu definitivamente em Salvador?
Almir - Não. O calor da eleição já passou. Nós temos que tratar agora da parte administrativa da cidade. Temos certeza que o PT de Salvador não fará uma oposição contra a cidade. Então isso aí nos traz tranqüilidade, porque os projetos que o prefeito enviar para a Câmara (dos Vereadores) serão de interesse do cidadão e tenho certeza que o PT não tratará dessa questão como uma oposição sistemática e sim forçará um acordo para o bem da cidade.
B.N - No Estado, o governo tem procurado a adesão de partidos historicamente rivais, como a polêmica indicação de Roberto Muniz (PP) para a Agricultura. Este é um indício de que o PT já procura se preservar de uma possível debandada dos peemedebistas?
Almir - Quem pode responder isso pra você é o governador Jaques Wagner, que é o dono da caneta (risos). Quem sou eu? Um mero secretário de Transportes e Infra-estrutura do município de Salvador....
B.N - Sim, mas o senhor, enquanto membro do PMDB, não há nenhum direcionamento do partido em sair do governo?
Almir - Não, de maneira nenhuma. Na posse do secretário Roberto Muniz, cumprimentamos o governador, estive lá com o presidente (estadual do PMDB) Lúcio Vieira Lima. Isso aí com o tempo vai ser superado, isso foi o calor da campanha. Tenho certeza que não é pro bem de ninguém esse afastamento, até porque nós conquistamos o governo do Estado juntos. O PMDB teve um papel fundamental na eleição do governador Jaques Wagner e tenho certeza que tudo vai se acalmar.
B.N. - Mas em relação ao governo Wagner, como o PMDB avalia o atual momento? A imagem não está arranhada?
Almir - Nós fazemos parte do governo Wagner, temos lá duas secretarias importantes, tanto o secretário Batista Neves (Infra-estrutura) quanto o secretário Rafael Amoedo (Indústria, Comércio e Mineração) têm feito um brilhante trabalho e nós avaliamos que o papel do nosso partido no governo não tem trazido nenhum prejuízo à imagem do governo. Muito pelo contrário, tem aparecido sempre na imprensa como duas secretarias que desenvolvem um excelente papel.
B.N - É verdade que o senhor é um dos favoritos do ministro Geddel Vieira Lima?
Almir – Não. A gente tem uma relação de amizade muito boa com o ministro Geddel Vieira Lima. Nós sempre desempenhamos todas as missões que o prefeito João Henrique nos dá. A gente tenta desenvolver isso com a maior agilidade possível, e estamos sempre agradecendo a confiança do grupo político ao qual ele pertence, que é o PMDB, de ter me escolhido, tão jovem, para assumir uma responsabilidade tão grande que é a parte de transportes e infra-estrutura do município de Salvador.
B.N - Então, o senhor que tem uma ótima relação com o ministro Geddel Vieira Lima, é verdade que ele é candidato a governador em 2010?
Almir - Não. Geddel...Agora essa é uma pergunta que quem deveria responder era o ministro...Mas eu tenho certeza que não. O ministro Geddel está fazendo o trabalho dele, desenvolve um excelente papel no ministério da Integração. Tenho certeza que o Brasil está ganhando muito com essa nova liderança que veio despontando na parte do Executivo, de uma maneira muito eficiente, muito competente e muito ágil. Ele é cobrador, está muito perto das questões, muito próximo dos problemas e sempre tenta dar soluções muito rápidas. Este estilo é muito importante. Os recursos que tivemos aqui do ministério da Integração, o ministro nos cobrou resultados. Tanto o ministro quanto o prefeito João Henrique. Tem sido uma escola estar participando da Prefeitura. Nós estamos no governo há um ano e sete meses...
B.N - Nós fizemos recentemente uma pesquisa que apontava que o ministro Geddel Vieira Lima e o ex-governador Paulo Souto (DEM) sairiam à frente do atual governador, Jaques Wagner (PT), para concorrer nas próximas eleições (ver enquete). Então, o PMDB não tem essa pretensão de ter um candidato próprio em 2010?
Almir - 2010 ainda está longe. Vamos tratar de hoje. A gente tem projetos para o momento. O prefeito João Henrique acabou de ser reeleito e tenho certeza que tanto o prefeito quanto o ministro estão preocupados, nesse momento, em tratar da administração, cada um na sua esfera.
B.N - Voltando à esfera municipal, quais são as principais dificuldades que a Setin enfrenta hoje?
Almir - O orçamento do município, onde a renda per capta é muito baixa e a arrecadação é pequena em relação às outras capitais. Mas nós temos projetos que estamos viabilizando com o apoio do governo federal, que tem dado movimentação às obras de fundamental importância para a melhoria da vida das pessoas. Posso dar como exemplo várias encostas que foram feitas e algumas continuam em execução. As escadarias drenantes, que trouxe à população benefícios muito grandes para a saúde pública, e te dou como exemplo o Calabar, que vivia em um estado bastante precário. A limpeza e o revestimento dos canais, a parte de asfalto e a parte de infra-estrutura como um todo em Salvador. Eu acho que o gestor público não tem que ficar preso às dificuldades e sim buscar alternativas que tragam resultados para a pasta que ele assume. Na parte de transportes nós tínhamos uma dificuldade muito grande em relação à ampliação de linhas, que nós tivemos a oportunidade de implantar um projeto, o amarelinho, em que a população pode fazer a integração da parte periférica dos bairros para os grandes corredores.
B.N - Mas nós ainda temos muitos gargalos na cidade...
Almir - Com certeza. Mas agora estamos desenvolvendo a Transalvador, que é um projeto muito bom, onde trataremos do transporte público, do sistema viário de Salvador e dos 10 pontos de gargalo. Serão vias integradas de ônibus e viadutos. E nós temos também do nosso lado o PDDU (Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano), em que as contrapartidas das empresas, a exemplo do Salvador Shopping, que fez aquele sistema viário antes até do PDDU. E todo mundo criticava o prefeito João Henrique, dizendo que liberar um shopping naquele local ia piorar o trânsito. Muito pelo contrário, o trânsito melhorou, e temos outras regiões que estamos tratando da mesma maneira. Aquele novo empreendimento no Cabula, da empresa JHSF, a contrapartida será em torno de R$ 44 milhões, onde teremos quatro viadutos que vão sanar em 100% a situação da Rótula do Abacaxi.
B.N - E o metrô? A previsão para o início das operações em maio será cumprida?
Almir - Está com 97% das obras civis concluídas, os trens chegaram e nós estamos a cada dia que passa cobrando mais empenho da empresa (CTS) e dos órgãos gestores para que esse metrô em breve esteja nos trilhos, para que a população de Salvador possa usufruir de um sistema de transporte mais rápido e mais eficiente. A segunda etapa as verbas estão garantidas, A primeira etapa são 6,6 km e a segunda 5,4 km..
B.N. - A segunda etapa levará o metrô da Rótula do Abacaxi até Pirajá. O projeto inicial, claro que não foi elaborado na atual gestão, mas tem a maior parte sobre a BR-324, que é o corredor de tráfego que não precisaria, teoricamente, de uma alternativa de descongestionamento. Enquanto isso o núcleo em volta da Estação Pirajá e de São Caetano fica sobrecarregado. Haverá integração com trens ou algum tipo de transporte alternativo na região?
Almir - O nosso projeto Transalvador integrará todos os transportes, todos os modais. Porque isso vai trazer uma excelente mobilidade para a população de Salvador. A Estação Pirajá tem hoje uma superpopulação. Então nós temos conseguido fazer uma operação especial com frota reguladora e na medida em que a estação está com muita gente, nós colocamos muitos veículos. Só que cada vez que a gente coloca mais veículos, a gente também coloca mais veículos nas mesmas ruas, com a mesma infra-estrutura. Então com a chegada do metrô, imagino que o acesso de Pirajá até o Acesso Norte e até o Campo da Pólvora vai diminuir bastante o número de ônibus e a gente vai ter como fazer um transporte mais dinâmico e eficiente.
B.N. - Então o senhor garante que não haverá rodízio na cidade?
Almir - Não. O que estou dizendo é que a gente está evoluindo nos projetos e que o prefeito vai colocar eles em prática nesses quatro anos, tenho certeza disso, para que a gente evite ao máximo qualquer pensamento de rodízio.
B.N - O PMDB, na história, elegeu Tancredo Neves, participou da administração de Collor com Itamar Franco, que após o impeachment assumiu o posto. Depois o partido foi a grande base de sustentação de Fernando Henrique Cardoso, e agora é a maior base de apoio do governo Lula. Já não está na hora de o PMDB ter um presidente da República, e quem seria esse nome para o senhor?
Almir - Eu acho que nesse momento o papel do PMDB nacional é fortalecer a base do presidente Lula, porque tem demonstrado muito carinho com o partido. E uma das características mais importantes do ministro Geddel Vieira Lima é a fidelidade. Eu tenho certeza que neste momento, o PMDB só pensa em ajudar o presidente Lula e não tem um nome natural agora.
B.N - Mas quem o senhor acredita no PMDB ser o nome mais preparado para disputar esse pleito. Porque Lula está saindo e o PT cogita Dilma Roussef. E quem no PMDB, seria esse grande nome para disputar bem essa eleição de 2010?
Almir - Pra presidente?
B.N - Isso. Quem o senhor acha que poderia disputar pelo PMDB?
Almir - (silêncio) (risos contidos) Eu acho que neste momento o PMDB está desenvolvendo o papel dele no governo federal, muito bem feito, com os seus três ministros. E tenho certeza que essa questão não será discutida agora, tem bastante tempo até 2010, pra verificar qual o melhor caminho que o partido irá tomar. Tem muitos caciques, tem muitos líderes do PMDB. É um partido bastante amplo. É o maior partido do Brasil e tenho certeza que neste momento o PMDB está muito mais preocupado em manter a governabilidade do presidente Lula.

B.N - Então o senhor não tem um nome?
Almir - Não, não, não. Não arrisco um nome não (risos).