Segunda, 30 de Março de 2020 - 11:10

Carlos Andrade

por Jade Coelho

Carlos Andrade
Fotos: Cláudia Cardozo/ Bahia Notícias

A Federação do Comércio da Bahia (Fecomércio) estima um prejuízo diário em torno de R$ 108 milhões até o final do mês no segmento no estado em meio à pandemia do novo coronavírus. Apesar do dano, o presidente da Fecomércio, Carlos Andrade, prega cautela e planejamento e diz que o foco deve estar em preservar vidas e empregos.

 

“Eu vi hoje uma notícia de que o secretário da Fazendo do governo da Bahia estava prevendo um prejuízo em 90 dias de R$ 1 bilhão e meio. Se o governo está perdendo, deixando de arrecadar R$ 1 bilhão e meio, o prejuízo do comércio realmente tinha estimado em um prejuízo diário de R$ 108 milhões até o final do mês”, disse o presidente da entidade há cinco anos. 

 

Ao elogiar as medidas adotadas na Bahia e em Salvador, Andrade diz temer que o fechamento do comércio se estenda por muito tempo. O fato poderia causar danos graves ao setor. Ele afirma que muitas empresas baianas vão acabar indo à falência. “A grande maioria vai fechar, vai quebrar. O mais sério não é a empresa quebrar, porque a empresa é um número. O mais importante, o principal é desempregar as pessoas”.

 

No segmento os mais afetados serão os pequenos e microempresários. Segundo Carlos Andrade, no setor, 92% dos empresários são pequenos, micro e Microempreendedor Individual (MEI). “Nessas é que vai ser o efeito devastador. Porque  médio e o grande vão sobreviver, a duras penas, vão perder dinheiro, mas nesse momento o dinheiro é pouco importante. A vida sempre foi a coisa mais importante. O cara sem a vida, pode ter milhões, bilhões no banco, mas sem a vida não vale nada”, afirmou. 

 

A gente está em meio a uma situação de pandemia. O mundo inteiro adotou medidas para tentar frear a disseminação do novo coronavírus. Aqui em Salvador, houve primeiro a determinação do fechamento de serviços não essenciais, e depois as medidas foram ficando ainda mais restritas. Qual a avaliação do senhor dessas medidas?

Altamente preocupado.  Porque nós somos bem claros em ver o seguinte: temos as responsabilidades sociais de pagarmos nossos encargos e mantermos emprego em nossas empresas. Agora precisamos, antes de mais nada, preservar a saúde daqueles mais velhos. O isolamento social para nós é fundamental, agora também acho que precisamos estudar com muita cautela, por quanto tempo nossas empresas vão ficar fechadas. 

 

De sábado para cá, quando começaram as restrições ao comércio, vocês já tem uma noção de quanto o setor foi impactado? É possível mensurar isso? 

Mensurar isso no momento ainda não. Está muito cedo. Quatro, cinco dias de comércio fechado... Eu acho que nós só vamos ter um retrato disso no dia 31. Porque é final de mês, nós encerramos o mês. Eu acho que nós vamos ter esse impacto. Nós faturamos até o dia 20, e de 20 até 31 quanto nós deixamos de faturar? Aí nós vamos ter esses números mais desenhados. E aí nós setores produtivos vamos ao nosso prefeito, ao nosso governador, que eu entendo que são as pessoas que estão junto da gente, e os dois estão empenhados em ajudar a resolver o problema. Mas não é um problema fácil. Porque o vírus realmente é virulento. E existe nisso tudo as pessoas mais velhas, as crianças, que estão em risco de vida, e a coisa mais importante que nós temos é a nossa vida. 

 

Quais será o impacto se essas medidas durarem mais tempo? Qual a previsão que a Fecomércio faz? De prejuízo, vocês já tem uma noção disso?

Eu vi hoje uma notícia de que o secretário da Fazendo do governo da Bahia estava prevendo um prejuízo em 90 dias de R$ 1 bilhão e meio. Se o governo está perdendo, deixando de arrecadar R$ 1 bilhão e meio, o prejuízo do comércio realmente tinha estimado em um prejuízo diário de R$ 108 milhões até o final do mês. 

 

A gente está se aproximando do Dia das Mães, falta pouco mais de um mês. Essa época é importante para o comércio. Vocês estão temendo pela possibilidade do comércio estar fechado nesta data? 

Eu vou ser bem franco, nós temos é que preservar nossa mãe viva. Eu tenho a minha com 90 e poucos anos, e eu acho que todo empresário quer preservar a mãe e os filhos vivos. Obviamente se o comércio ficar liberado no mês de maio, nós íamos poder presentear as nossas mães. Pior é aqueles que não vão ter nem mãe mais viva para presentear. Isso é que vai ser pior. É lamentável. Nós temos que estar juntos. Nós, empresários, governo, federal, estadual e municipal, mas, nós estamos em contato sempre com o prefeito da cidade e com o governador, que tem nos recebido bem. Mas a solução realmente nós vamos ter que esperar um pouco. O tempo é senhor de tudo, ele é que vai nos dizer, e dizer às autoridades quando poderemos abrir nossas lojas. 

 

Na sua avaliação, há chance de falência de empresas?

Tenho certeza que sim. Muitas. A grande maioria vai fechar, vai quebrar. O mais sério não é a empresa quebrar, porque a empresa é um número. O mais importante, o principal é desempregar as pessoas. Uma empresa que tem três ou quatro funcionários que quebrar, o dono vai sobreviver durante 30, 60, 90 dias. E os três ou quatro empregos dele? Aquelas quatro famílias? E o prejuízo em cascata? Você entende que é grave fechar tudo? Eu não quero nem pensar nisso, no comércio tendo que ficar fechado por muito tempo. Agora isso tudo precisa ter calma, eu tenho certeza que o nosso governador e o nosso prefeito vão tomar as medidas acautelatórias no momento certo. E também de abrir o comércio no momento certo. 

 

O senhor consegue fazer uma comparação desse impacto nos pequenos, médios e grandes empresários? 

Vou ser bem franco, o grande prejudicado é o pequeno e o microempresário. Vou lhe dar um dado: 92% dos empresários do comércio são pequenos, microempresários e MEI [Microempreendedor individual]. Nessas é que vai ser o efeito devastador. Porque  médio e o grande esses vão sobreviver, a duras penas, vão perder dinheiro, mas nesse momento o dinheiro é pouco importante. A vida sempre foi a coisa mais importante. O cara sem a vida, pode ter milhões, bilhões no banco, mas sem a vida não vale nada. 

 

O que o senhor aponta como uma alternativa para esses pequenos, microempresários e MEIs? 

Alternativa é a gente esperar um pouco. Ninguém tem essa bola de cristal com a saída. Porque se tivesse, garanto que já estava na mão do governador e dos prefeitos. A situação é grave, mas nós temos certeza que com diálogo, com conversa, bom senso, planejamento, que é uma coisa que eu tenho me batido com meu pessoal, é preciso planejar o próximo passo para nós reabrirmos nossos negócios.

 

O senhor falou que já se reuniu com o prefeito ACM Neto e que pretende se encontrar com o governador. A Fecomércio preparou alguma medida para apresentar ou sugerir?

Esse reunião com o prefeito ele queria nos ouvir. Ele explicou as medidas, falou que os bairros ainda registravam grande movimentação de pessoas, e essa circulação de gente acarreta a circulação do vírus. Eu estou achando muito prudente o prefeito, de tomar as medidas acautelatórias. Fechou os shoppings, os comércios de rua, agora outros, vamos esperar até o dia 30 para se medir e para não se tomar medidas drásticas.  

 

Na sua avaliação, no pior dos cenários, quanto tempo levará para o comércio se recuperar?

Na minha formação eu nunca fui pessimista. Sou otimista. Prefiro dizer que entre 15 e 30 dias nós temos que abrir o comércio para manter os nossos empregos. Porque não é só o comércio, eu estive vendo o seguinte, há dois meses a bolsa chegou a 120 mil pontos, hoje está em 60 mil. Não é a riqueza que está indo embora, o cara ficar mais rico ou mais pobre, é o custo social. Nós da Fecomércio sempre trabalhamos muito pelo emprego. O cara que tem uma lojinha e que emprega duas pessoas, dois funcionários, é importantíssimo. Eu comecei na Liberdade, tinha uma loja com três empregados, e eu me coloco nesse lugar de 40 anos atrás quando eu abri essa loja. Hoje eu tenho 300 funcionários. E nós temos que ver o seguinte, a coisa mais nobre que tem é o emprego. A nossa preocupação, a preocupação do empresário nesse momento não é ganhar dinheiro, a nossa preocupação é manter a empresa funcionando e manter os empregos, e obviamente ter um planejamento para zelar pela saúde daquele pessoal de risco. 

 

O senhor avalia essa reunião e a relação com o prefeito ACM Neto como produtiva?

Sim, o prefeito sempre ouvir os empresários é muito bom. Porque somos nós que estamos no dia a dia. Nós é que somos quem dá emprego, quem movimenta são os comerciários. É quem toca a cidade.

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