Segunda, 16 de Dezembro de 2019 - 11:10

Davidson Magalhães

por Ailma Teixeira

Davidson Magalhães
Fotos: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

Reeleito presidente estadual do PCdoB, Davidson Magalhães acredita que o partido vai enfrentar um desafio grande no próximo ano com o fim das coligações proporcionais. Mesmo assim, a legenda ambiciona chegar a marca de 300 vereadores, cerca de 100 a mais do que o número atual, e também aumentar seu quadro nas gestões municipais.

 

"Nós aprovamos um projeto político para 2020 e ele passa, primeiro, por dobrar o número de prefeitos. Nossa intenção é chegar a 25. Nós também temos hoje cerca de 200 vereadores, então [queremos] ter vereadores mais orgânicos do partido para garantir nosso projeto eleitoral em 2022", ressalta Magalhães em entrevista ao Bahia Notícias.

 

Para isso, ele explica que seus deputados estaduais e federais já estão em campo, junto com a militância, trabalhando por esse projeto.

 

Na capital baiana, o plano do partido já foi exposto: eleger a deputada estadual Olívia Santana como prefeita de Salvador. Oficialmente pré-candidata, a parlamentar disputa o apoio do governador Rui Costa (PT) com outros diversos nomes da base, a exemplo do deputado estadual Pastor Sargento Isidório (Avante). Diante disso, Magalhães avalia que essa será a primeira batalha a ser travada pelo grupo. "Eu acho que o máximo que vai ter de candidatos seriam três, dois e acho que Olívia está numa posição muito privilegiada para ser um polo aglutinador dentro do bloco de apoio do governador Rui Costa", frisa, acrescendo que ela já desponta em um "patamar muito bom", mesmo sem uma ação da militância organizada.

 

Também secretário de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia (Setre), o político abordou suas ações na pasta. No quesito esporte, ele destaca os investimentos na área de infraestrutura esportiva e na formação, qualificação e apoio aos atletas por meio de programas de incentivo. Da mesma forma, na área econômica, ele pontua os projetos de qualificação e intermediação de empregos formais e também de incentivo ao empreendedorismo. "E não uberização", ressalta.

 

O PCdoB saiu na frente de vários partidos quando lançou a pré-candidatura da deputada Olívia Santana. De lá para cá, como estão as conversas com outras siglas? Alguma delas já sinalizou apoio ao projeto de vocês?

Pelo fato do PCdoB ter tido candidata na última eleição e nas circunstâncias em que nós lançamos, com a dificuldade política que se encontrava, nós consideramos um bom desempenho, tanto é que repercutiu no crescimento da votação de Alice pra deputada federal na cidade. Nós lançamos a candidatura de Olívia, primeiro pelas qualidades, pelo conhecimento que ela tem, pelas relações que ela tem com a cidade. Foi vereadora, secretária de Educação, secretária de Políticas Públicas para as Mulheres, secretária do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte e hoje é deputada estadual com grande votação em Salvador. Está entre as quatro mais votadas para deputada estadual. E temos uma força grande do movimento social, dois vereadores em Salvador e a discussão com outras outras forças já começaram, principalmente porque nós não lançamos ela para ser uma candidata isolada. Nós lançamos Olívia para ser candidata de um campo político, nós representamos um campo político, sempre defendemos as alianças políticas e queremos construir uma candidatura em torno dela, uma candidatura que represente isso, como Alice representou em uma outra circunstância. E acho que as coisas estão andando bem, ela está pontuando bem nas pesquisas e olha que nós não começamos a campanha ainda. Montamos um grupo de direção da campanha agora, temos aí encaminhando pesquisas qualitativas para organizar o nosso discurso, ver o sentimento do eleitorado, como o povo de Salvador imagina Salvador, pensa Salvador e quais são são os seus anseios para nós irmos construindo o nosso programa e a postura da própria candidata. Então, acho que está no momento de decantação das candidaturas, todo mundo vai lançar candidato pra não ficar fora do jogo, da discussão da sucessão. Olívia, pelo que já está apontando sem uma ação da nossa militância organizada, da nossa campanha organizada, ainda refletindo apenas o fato de ter apresentado o nome e o própria recall que ela tem de atuação política, já nos deu um patamar muito bom.

 

Outros nomes, mesmo que não oficializados como candidatos, estão inseridos na discussão. É o caso do Pastor Sargento Isidório (Avante), que tem apoio do PSD, dentro do PT também tem vários nomes, o presidente do Bahia, Guilherme Bellintani está sendo cotado para ser alçado candidato pelo PSB… Então, como o senhor pode respaldar a força do nome de Olívia em comparação com esses potenciais candidatos que estão disputando o apoio do governador?

São características diferentes. Nós temos Isidório, que tem um trabalho social que terminou por projetá-lo como o deputado federal mais votado da Bahia e o filho como o deputado estadual mais votado, com a maior votação em Salvador. É um candidato que reúne condições de disputa com outras características. Nós temos outros postulantes aí ou pelo menos que são mencionados como postulantes porque a gente não viu ainda pré-candidatos, mas eu acho que é normal, isso aí vai sair. Não acredito que fique uma pulverização de candidatos no campo de Rui Costa. Eu acho que o máximo que vai ter de candidatos seriam três, dois e acho que Olívia está numa posição muito privilegiada para ser um polo aglutinador dentro do bloco de apoio do governador Rui Costa. Esperamos ser o principal bloco de apoio, essa é a primeira batalha política, importante, que a gente espera vencer.

 

Agora que o senhor foi reeleito presidente estadual do PCdoB, quais são as ambições e metas que o partido pretende alcançar no estado no próximo ano? Além da almejada candidatura de Olívia na capital, há alguma meta para a eleição de vereadores?

Nesta próxima eleição tem um fato novo: não tem coligação nas chapas proporcionais. Então, esse é um desafio grande, principalmente para o PCdoB e os outros partidos que ao longo do tempo foram sempre fazendo coligações. Mas nós aprovamos um projeto político para 2020 e ele passa, primeiro, por dobrar o número de prefeitos. Nossa intenção é chegar a 25. Nós também temos hoje cerca de 200 vereadores, então [queremos] ter vereadores mais orgânicos do partido para garantir nosso projeto eleitoral em 2022, fazer com que a gente amplie bastante a bancada, especialmente nas cidades médias e grandes. Para isso, a gente conta com os quatro deputados estaduais nossos e os dois deputados federais, que estão em campo já preparando, junto com a militância do partido, a costura desse projeto. Todo o nosso esforço é pra viabilizar o crescimento no número de vereadores pra que a gente chegue a 300 vereadores e que possa aí dobrar o número de prefeitos. O quadro político, que pese ser a primeira eleição sob a batuta do governo federal de extrema direita, que é, portanto, um quadro político difícil, mas na Bahia nós estamos num projeto muito vitorioso, muito aceito pela população enquanto que o projeto nacional tem um nível de rejeição muito grande por falta de políticas. Vou dar exemplo: não recebemos um tostão na área do esporte. E aí há dois pontos que vão nos favorecer, o desgaste do governo federal com o fracasso desse governo, que deve ampliar a crise econômica e segundo que nós estamos com um projeto na Bahia que tem muito respaldo popular.

 

O senhor disse agora que o governo federal reduziu muito os investimentos para o esporte. O que o governo estadual tem feito pra minimizar esse gap?

Nós fizemos o maior investimento dos últimos anos na área de infraestrutura esportiva, foram cerca de R$ 23 milhões investidos na área com reforma de estádios, construção de quadra poliesportiva... Isso no ano 2019. No ano de 2020, o programa é ainda mais ambicioso por parte do governo do Estado. Ele vai reformar quase 100 escolas do estado, nós estamos aí com um projeto de construção de campos de grama sintética. Vamos lançar agora um registro de preço e vamos chegar aí a algo entre 30 e 40 campos de grama sintética no estado da Bahia, com vários convênios com prefeituras. Então, são equipamentos e ações. Nós trouxemos pra Salvador e Bahia grandes evento esportivos. O JUBs [Jogos Universitários Brasileiros], depois de 51 anos, veio para Salvador, veio para Bahia. Foram três mil atletas, com R$ 5 milhões de investimento do governo do Estado. Isso aí gerou pra o Turismo também, que gera emprego e renda. Agora fizemos 20 anos do programa FazAtleta, grande parte dos atletas campeões passam ou passaram pelos nossos programas de iniciação esportiva, como Allan do Carmo [nadador], Verônica [Almeida, nadadora paralímpica], campeões mundias aí de várias categorias. Nós temos cerca de R$ 5 milhões em iniciativas esportivas.

 

Com a realização do JUBs, outras competições nacionais estão no radar da Bahia? 

Com certeza. A Bahia é um dos poucos estados do Brasil que tem uma política integrada de esporte. Nós temos Conselho Estadual de Esporte, nós temos políticas de incentivo fiscal ao esporte e nós temos ações que vão desde a iniciação esportiva, desde o esporte como inclusão social e temos o esporte de alto rendimento. Trazer competições nacionais e internacionais para Bahia é um dos objetivos nossos. Nós fizemos esse ano, por exemplo, o Brasil Ride, que foi em Porto Seguro, uma das maiores competições ciclísticas, de motobike do mundo. Era lá na Chapada, agora foi realizada em Porto Seguro com apoio do governo e foram mais de três mil atletas lá, foi um sucesso. Nós vamos reforçar esse tipo de ação e várias outras iniciativas. Provavelmente, agora em janeiro e fevereiro, nós vamos trazer o Badminton pra Lauro de Freitas e é claro que isso é fundamental pra nós porque, além da divulgação do estado, tem também uma outra interface, que é a área do emprego e renda. Porque o esporte não é só inclusão social, promoção de atletas, descoberta de atletas de alto rendimento e também uma política de integração das comunidades, mas também tem esse objetivo porque é uma atividade econômica. Na medida em que você articula essa ação com a ação de turismo, isso se transforma num instrumento extremamente atrativo.

 

Pra falar agora de emprego e renda, vamos lembrar de uma pesquisa recente do IBGE. O levantamento mostrou que a desigualdade social cresceu no Brasil, com um número maior de pessoas de volta à extrema pobreza. O nível de desemprego também é alto, com crescimento maior de postos na informalidade. O que a Setre tem feito ou planeja fazer para tentar minimizar os danos dessa crise na vida da população baiana?

A geração de emprego e renda ela é, principalmente, resultante da política macroeconômica e [sobre] isso nós temos pouco ingerência. Então, a minha expectativa como economista e professor de economia é de que a tendência é crescer o desemprego no país. Não sou um otimista em relação à economia brasileira pelo que o governo federal está fazendo. Foi um ano terrível para o mundo do trabalho, acabaram com o ministério e foram tirando todas as regulamentações de garantia, como se o Brasil vivesse num paraíso das garantias trabalhistas. Mas não é verdade isso, isso é um absurdo! A precarização do trabalho, que a gente chama de "uberização", é a perda de direitos, de conquistas, de décimo terceiro, de garantias sociais. E o que cresceu? O desemprego foi contido em certa medida, com a existência de trabalhadores autônomos, que não quer dizer que é empreendedorismo, isso é um erro. Uma pessoa que está na no Uber, dirigindo Uber ,não é empreendedor, ele é um trabalhador sem relação de trabalho garantida. É como no século XVI, XV, existiam os trabalhadores por parcelamento, que antes das manufaturas eles produziam uma parcela do trabalho e eram, na verdade, assalariados e não tinham uma relação de trabalho, portanto não tinha relação do empregador. Nós entendemos que essa precarização vai levar a ampliação do desemprego. Isso vai tornando cada vez mais difícil a vida dos trabalhadores e das trabalhadoras. O Brasil, que estava tendo voo de galinha, eu acho que nem de galiha vai ter, o Brasil vai virar um avestruz pesado. Não vai subir a economia brasileira, vai viver alguns espasmos, de privatização, de liberação de FGTS, mas são coisas que não tem consistência.

 

Mas o que está sendo feito pelo governo baiano diante desse quadro?

Primeiro, nós estamos empreendendo uma qualificação pesada, foram mais de quatro mil pessoas qualificadas esse ano, R$ 7 milhões investidos porque nós sabemos que na medida que a disputa do mercado vai ficando mais difícil. Quanto menos qualificado você for, pior sua situação. Então, nós estamos continuando o processo de qualificação através do Qualifica Bahia, fazendo a intermediação porque também isso ajuda — são mais de 30 mil pessoas colocadas esse ano através do sistema Sine e alguns programas que nós implementamos, que foi o Qualifica Direto para o Trabalho. Então, por exemplo, com algumas empresas ou ramos de atividade econômica, nós fizemos uma qualificação com a garantia já de contratação. Fizemos isso com a Abase, Associação dos Supermercados, fizemos intermediação em áreas importantes, como a indústria eólica. Foram mais de mil pessoas intermediadas e parte delas qualificadas pelo sistema. Estamos agora fazendo a intermediação da Ferrovia Oeste-Leste (Fiol), que vai retomar as obras e continuamos. Por exemplo, nós fizemos o Dia D das pessoas com deficiência e foram 900 vagas, que era um direito legal que o presidente [Jair Bolsonaro] no dia do deficiente queria retirar a obrigação legal de se contratar deficiente que é uma coisa importante, social, e [representa uma] perda do ponto de vista psicológico. Fizemos também um trabalho de qualificação na área de Artes Cênicas e as pessoas já saíram empregadas, e outras iniciativas na área do emprego formal e do empreendedorismo, que são pessoas que já desenvolvem atividades empreendedoras ou que querem desenvolver seu pequeno negócio. Nós estamos chegando com o Centro de Economia Solidária, foram R$ 19 milhões que o governador investiu em formação de cooperativas e agora estamos com o Festival de Economia Solidária. São 200 municípios que estão expondo no Salvador Shopping, que ali tem quase três milhões de pessoas que passam nesse período. A partir disso, a gente prepara o empreendendor porque o Brasil é um dos países que mais abre negócio e o que mais fecha porque não tem experiência. Então, a gente qualifica a gestão, instrui e facilita a obtenção de crédito, prepara ele como gestor do negócio dele, melhora o produto dele e ajuda a chegar no mercado.

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