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Entrevista

Victor Ventim: "Não perdemos a Toyota. Só se perde aquilo que já se tem" - 06/10/2008

Por Daniel Pinto


"Portanto, nós não perdemos a Toyota. Só se perde aquilo que já se tem"

Por Daniel Pinto

BN – Neste momento, quais são os principais desafios da FIEB?
VV – Primeiro, é estar sempre à altura dos sindicatos filiados. Seja na formação e qualificação de funcionários, seja no que diz respeito ao lazer para suas famílias. Temos, por exemplo, o SESI, que se dedica à primeira infância e pré-escola, e o SENAI, responsável pela formação profissional. 

BN – Mesmo com uma estrutura como o SENAI ainda há carência de mão de obra qualificada?
VV – Olha, nós oferecemos cursos de formação superior, técnicos e profissionalizantes. Trabalhamos com a demanda de mercado. Quando há carências em determinados setores, trabalhamos para amenizá-la. Nossa missão é atender as necessidades do mercado. 

BN – O sr. tem noção de quantas empresas são representadas pelos 40 sindicatos associados?
VV – Nosso guia industrial tem mais de cinco mil empresas.

BN – Como a FIEB trata as pequenas e médias empresas? Há tratamento ou condições especiais para os grandes industriários?
VV – Veja bem, a FIEB procura atender igualmente a todos. Até porque a grande maioria dos sindicatos representa pequenas e médias empresas. Aliás, eu só oriundo de um sindicato desses. São as empresas de menor porte que precisam dos serviços da Federação. 

BN – Como o sr. avalia a política do governo do estado para o fomento da economia e para atração de novos investimentos?
VV – O governo do Estado tem um papel importante para a economia de uma região. Sem a colaboração dos poderes públicos, a atração de investimentos fica muito prejudicada. Recentemente, procuramos o governo e solicitamos melhores condições estruturais. Temos que oferecer vantagens que compensem a distância da Bahia dos grandes centros consumidores. É claro que nem tudo depende do governo do Estado. Sentimos uma carência maior do governo federal. O Estado projetou a Via Portuária, mas adianta pouco ter uma boa via de escoamento se o Porto não atende as novas demandas do mercado. Precisamos de rodovias, ferrovias, infra-estrutura, mas é imprescindível que tenhamos um porto com boas condições para exportar e importar. 

BN – Então, a economia baiana cresce na proporção inversa dos investimentos em infra-estrutura?
VV – Essa é uma questão histórica. Todos os últimos governos têm responsabilidade sobre isso.


“O governo do Estado tem um papel importante para a economia de uma região. Sem a colaboração dos poderes públicos, a atração de investimentos fica muito prejudicada”

BN – Qual é a real situação do porto da capital?
VV – Recentemente, o porto de Salvador foi considerado o pior do Brasil. É importante destacar a maior responsabilidade sobre o porto é do governo federal. Para a União, tanto fez que um produto saia pelo porto de Suape, Santos ou Salvador. A balança comercial é a mesma. Mas, para a Bahia a história é outra. Com isso, nós perdemos investimentos, geramos menos emprego e perdemos competitividade. 

BN – Um Estado responsável por 57% das exportações da região nordeste merece mais atenção. 
VV – Sem dúvida! O Estado que representa 57% das exportações do nordeste não recebe 57% dos investimentos em zona portuária destinados à mesma região. Recebemos menos investimentos do que Pernambuco, que exporta bem menos do que nós. O governo precisa equilibrar os investimentos de forma compatível com a capacidade de cada Estado. Caso a economia baiana continue com esse ritmo de desenvolvimento e não haja mais investimentos em infra-estrutura portuária, certamente, vamos beirar o colapso. 

BN – O sr. acha que a Bahia tem pecado em relação a concessão de incentivos fiscais?
VV - Os incentivos são apenas um elo da corrente. 


“Recebemos menos investimentos do que Pernambuco, que exporta bem menos do que nós. O governo precisa equilibrar os investimentos de forma compatível com a capacidade de cada Estado”

BN – Será que foi esse fator foi preponderante para a desistência da Toyota?
VV - Creio que não! Não foi o caso! É bom lembrar que em Sorocaba há melhores condições para distribuição do produto, melhor infra-estrutura, além da proximidade de fornecedores e do próprio mercado consumidor. Portanto, nós não perdemos a Toyota. Só se perde aquilo que já se tem. 

BN – O programa Acelera Bahia é realmente um mar de vantagens como garante o secretário da Indústria e Comércio, Rafael Amoedo?
VV – O secretário está muito motivado e tenho ouvido elogios de parte do empresariado. 

BN – A crise no mercado internacional, sobretudo nos EUA, afeta de alguma forma a economia baiana?
VV – Olha, alguns mercados estão mais preparados do que os outros. Mas, numa economia globalizada é incrível imaginar que alguém está completamente imune aos efeitos da crise norte-americana.