Segunda, 05 de Agosto de 2019 - 11:10

Leonardo Prates

por João Brandão

Leonardo Prates
Foto: Priscila Melo / Bahia Notícias

O secretário Municipal de Saúde de Salvador, Leo Prates, afirmou que o orçamento da pasta é vitaminada por 56% do Município, acima do que investe a União e o governo estadual na secretaria.

“Hoje Salvador investe mais que o governo do Estado e governo federal no que se refere à Secretaria Municipal de Saúde. Governo federal e governo estadual representam 44% do orçamento da Secretaria Municipal de Saúde. Olha a inversão da lógica e grandeza do que foi feito pelo prefeito ACM Neto durante esses anos”, cutucou, em entrevista ao Bahia Notícias.

Prates, no entanto, ponderou que a relação dele com o secretário estadual da Saúde na Bahia, Fábio Vilas Boas, é muito boa. “Tem sido a melhor possível. Eu tenho muita satisfação de estar trabalhando com Fábio. Antes de eu vir para a secretaria é um amigo que tenho. E foi uma das pessoas que escutei para assumir a secretaria, e que me estimulou. Espero ter a melhor relação”, disse.

Questionado sobre seus movimentos como conversas com membros do PCdoB, elogios a deputados de esquerda e possibilidade de ir para o PDT, Prates disse que preza pelo diálogo com todos e não descartou incluir uma pessoa de sigla opositora na chapa governista em 2020.

“Posso pensar diferente das pessoas e ser amigo. Eu teria que odiar meu pai e meu padrinho, que são as maiores referências masculinas de vida que tenho, porque meu pai e meu padrinho são comunistas de natureza. Meu pai foi presidente do diretório acadêmico de Engenharia Civil em 1964. Meu tio foi bancário. É possível dialogar. Abaixo esse ódio”, pregou.




Confira a entrevista completa:

Recentemente você foi nomeado secretário de Saúde de Salvador. Quais são os principais desafios da pasta?
Primeiro desafio que o prefeito me deu é dar eficiência a rede, especialmente a rede de atenção primária. São 139 postos, e esses postos eu quero botar para funcionar como a população merece. Eu espero ao final da minha jornada deixar melhor para a população.

A prefeitura é alvo de críticas por ter ainda uma baixa cobertura da atenção básica de saúde. Que medidas pretende tomar para melhorar os indicadores?
Olha, veja. Eu aprendi que números é como você olha. Aprendi com o ex-senador ACM Junior, que pra mim é o cara que mais sabe traduzir números. Número é como você olha. Eu realmente reconheço que precisamos ainda avançar. Há 50% população da cobertura primária, mas vamos avançar, mas você tem que ver o esforço feito pela prefeitura. Saímos de 18% para quase 50%. Meu desejo é passar para 55% ano que vem. 

Apesar de a prefeitura ter ampliado o número de postos de saúde, há uma reclamação constante sobre a falta de médicos. Como pretende resolver este problema?
Quero discordar um pouco dessa falta constante em relação a médicos. Nós temos 400 médicos contratados diretamente, precisamos de mais 77 médicos. Estamos fazendo vários esforços. Há problema em algumas áreas onde há problema de segurança, mobilidade, de uma série de questões que a saúda é multifacetária. Estamos em cada unidade tratando como deve ser a saúde. Eu garanto a vocês: até o final a gente vai colocar todas as unidades, principalmente de atenção primária, com médicos. Esperamos fazer isso até dezembro. Vamos convocar 150 médicos de concurso público. Lembrando que o concurso da prefeitura possibilitou uma das maiores remunerações para médico do país, de R$ 15 mil. 




Está mantido essa convocação dos médicos para esse mês de agosto?
Não! Foi homologada, mas devemos ter médicos nos postos até meados de setembro. Gosto de prazo mais dilatado para não ter erro. Hoje estarei com Thiago Dantas, estamos fazendo trabalho juntos.

Quais unidades serão priorizadas?
As unidades de atenção primária. Nossa tem rede tem 139 postos. Eu quero dizer que o SUS é sistema compartilhado. Ninguém vai resolver nada sozinho. As decisões para terem validade tem que ser conversadas. Aliás, a minha relação com Fábio [Vilas Boas, secretário de Saúde do Estado] tem sido a melhor possível. Eu tenho muita satisfação de estar trabalhando com Fábio. Antes de eu vir para a secretaria é um amigo que tenho. E foi uma das pessoas que ouvi para assumir a secretaria e que me estimulou. Espero ter melhor relação. Ou não damos a mão, ou a saúda não anda. A saúde é uma força não tão grande que se chama de Estado.

O prefeito prometeu ainda na campanha de 2012 construir uma maternidade em Salvador. Ainda hoje a promessa não foi cumprida. Existe a possibilidade desta proposta se concretizar?
É preciso se dizer que Salvador não se resume a posto de saúde e a UPA. Nós temos 18 hospitais conveniados. Por exemplo, o Sagrada Família, é hospital-maternidade de Salvador. Serviços pelos SUS. Nós temos unidades com contratos com Santa Izabel, Aristides Maltez, a rede de saúde se forma com a execução direta com os sistemas suplementar e complementar. É preciso saber que existem esses serviços que são contratados pela prefeitura, e que não é fácil esse esforço. Financiamento da Secretaria Municipal de Saúde, após a gestão de ACM Neto, tem 56% do que nós temos de recurso na saúde municipal hoje já são do Tesouro Municipal ou de financiamento nacional ou internacional que Salvador conseguiu. Hoje Salvador investe mais que o governo do Estado e governo federal no que se refere a Secretaria Municipal de Saúde. Governo federal e governo estadual representam 44% do orçamento da Secretaria Municipal de Saúde. Olha a inversão da lógica e grandeza do que foi feito pelo prefeito ACM Neto durante esses anos. Volto a dizer: ninguém faz nada sozinho. Aí você me pergunta: Mas Salvador só investe 20%. Não são só 20%. Todos esses empréstimos quem vêm para área da saúde não aparecem para o índice, pois não pode contar para índice de investimento na saúde. A grandeza de ACM Neto não está tão visível quando poderia ser.

Mas a maternidade é uma realidade?
Tenho conversando com Fabio Vilas Boas. Fabio está fazendo maternidade de alta complexidade onde era o Batista Caribé, no Subúrbio. Nós estamos estudando. Fiquei de visitar um modelo que ele está nos trazendo. A ideia é trabalhar junto com Fabio Vilas Boas. Eu acredito no trabalho dele. A ideia é nós completarmos o nosso trabalho. A ideia é complementar esse trabalho, fazendo, talvez, algumas unidades para baixa complexidade, ou seja, para estímulo do parto. Lembrando que Salvador já tem uma maternidade referência que está com contrato com a SMS.

Imóvel novo de maternidade, a prefeitura descarta?
Não estou descartando. Você tem três faixas: baixa, média e alta complexidade. Fábio está fazendo uma de alta. Para mim, o que disse a ele, vou estudar suas ações, você estuda as minhas e vamos se completando para Salvador não ter duas maternidades de alta complexidade e nenhuma de baixa. Estamos estudando isso, mas meu desejo é que nosso trabalho seja complementar. Estou vendo a ótima relação que Fabio está construindo com Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde, e vocês estão vendo a boa relação que estou construindo com Fábio. A ideia é dar as mãos em prol da saúde de Salvador. 

Quais são as principais demandas da prefeitura com o governo?
Nós estamos discutindo algumas ações em conjunto. Temos coisas planejadas. Quatro UBS’s que Fábio está construindo na cidade. Está ajudando esse esforço que a prefeitura já faz. Ele vai construir e nos entregar. Ou seja, ele constrói e nós vamos pagar o custeio. Depois, ele está fazendo duas policlínicas que vai nos entregar o custeio. Fábio prometeu que a primeira UBS a gente entrega junto, no mês de setembro.




Como está o teto para média e alta complexidade? Como o senhor  pretende aumentar esse recursos?
Há sempre uma demanda muito grande. Eu acho que no governo Michel Temer há um avanço da possibilidade de emendas para custeio. Estamos conversando com os deputados federais. Na saúde você terá sempre necessidade de recursos. Governo federal demorou de entregar insulinas. Fizemos compra direta pelo Município. A principal missão foi de dar eficiência à rede. Nós vamos melhorar. Não irei resolver tudo, pois não sou mentiroso, mas vamos melhorar muito a eficiência nos postos.

O número de casos de dengue aumentou exponencialmente este ano. Quais são as estratégias para reforçar o trabalho de combate ao mosquito e conscientização da população?
Primeiro motivo dos casos é a dengue tipo 2 que está circulando agora. Está há 17 anos sem assolar a nossa cidade. Muitas pessoas novas não tinham resistência a esse tipo de dengue. Nós com idade mais a frente, a partir de 40 anos já temos algum tipo de resistência. Temos um trabalho contínuo. Salvador tem Malathion, mas governo federal não entrega desde abril o malote de Malathion. Nós não podemos nem fazer compra direta, pois é um medicamento importado.

Eu vi que já foram feiras algumas alterações. Hoje mesmo saiu o diretor-geral de Atenção à Saúde, Tercio Brandão, e entrou Zaida de Barros Mello. É possível ter muito mais mudanças, colocar pessoas da sua confiança?
Estamos buscando alinhamento melhor com o governo do Estado, visando dar maior eficiência a nossa rede. A Zaida estava de um projeto internacional na Secretaria de Saúde. Fábio gentilmente nos cedeu, e ela cuidando está assumindo a direção.

Ao ser nomeado para a Saúde, você assumiu uma pasta com orçamento mais alto que a Sempre. Isso pode fazer com que tenha chance de encabeçar uma chapa majoritária?
Eu não penso em eleição. A pessoa entra na política por três motivos: ganhar dinheiro e para se servir da política, segundo motivo por causa do poder e terceiro motivo para servir a população e ter reconhecimento. Esse é o meu. Estou focado em ser um bom secretário municipal. Estou focado hoje é na SMS. Não é desafio pequeno. 

Mas o senhor concorda que essa pasta dar mais visibilidade para o processo eleitoral.
Não sei. Um amigo meu que consultei, você está saindo de uma Secretaria Municipal de Combate a Pobreza que o povo acha que você está ajudando mais do que o poder público necessita e vai para uma pasta que o povo acha que é uma obrigação. Então, a Secretaria Municipal de Saúde é uma faca de dois gumes. Eu cheguei mais longe do que esperava na vida. Eu agradeço a oportunidade ao prefeito ACM Neto. Estou focado em ter gratidão. 

O senhor descarta ser vice em uma eventual chapa de Bruno Reis?
Deixa eu falar uma coisa com muita sinceridade. A discussão do momento é sobre é quem vai representar a chapa. Prefeito sabe que conta comigo. Grupo político sabe que conta comigo. Prefeito tem dito que em dezembro anuncia. Deve estar ouvindo os partidos, deve estar ouvindo deputados, com todos os vereadores. Com muita franqueza: o que eu quero de verdade é que a prefeitura continue com o grupo político que transformou ela. Tirou ela de uma condição de dependência de governo do Estado, que colocou ela num patamar de independência. Defendo a manutenção desse projeto. Quem vai representar, cabe aos partidos aliados, os deputados, os vereadores e ACM Neto. Posso, inclusive, estar na torcida para o projeto continuar.




Então o senhor não descarta.
Essa discussão não está no momento. Você não existe candidatura a vice. É quem será candidato.

Mas existe uma opinião pessoal do senhor.
Eu não refleti isso. Não fiz modelo de reflexão sobre isso. Vice é uma coisa que é o melhor para o candidato ganhar a eleição. Seja quem for o candidato seja escolhido por Neto, seja Bruno Reis, que é candidato natural, por ter sido deputado, vice-prefeito, seja meu próprio nome, ou se Neto escolher outras pessoas gabaritadas, como Guilherme Bellintani, Geraldo Junior... Seja quem for terá meu apoio. Não defendo, não tenho ambição por cargos. 

Nos últimos meses você se reuniu com PCdoB, fez elogios a Ciro, foi ventilado seu nome no PDT. Esses movimentos fazem parte de uma estratégia para 2020? Qual a sua intenção ao dialogar com esses partidos de esquerda?
Primeiro lugar, estou fazendo eu sempre fiz na vida: dialogar. Venho dos movimentos sociais. Estou fazendo na minha vida o que eu abracei como princípio. A minha geração está ascendendo na politica e são amigos. Posso pensar diferente das pessoas e ser amigo. Eu teria que odiar meu pai e meu padrinho, que são as maiores referências masculinas de vida que tenho, porque meu pai e meu padrinho são comunistas de natureza. Meu pai foi presidente do diretório acadêmico de Engenharia Civil em 1964. Meu tio foi bancário. É possível dialogar. Abaixo esse ódio.

Você acha que a chapa tem quer obrigatoriamente uma pessoa ligada à esquerda? Na eleição de 2012, ACM Neto colocou Célia Sacramento.
Depende do momento. Política é do momento. Bolsonaro ganhou a eleição fugindo da pauta econômica. Bolsonaro vai para pauta dos costumes. Apesar de ser da base de Bolsonaro, eu discordo dessa pauta dos costumes. Pauta que ele encontrou e fez ele presidente da República. Ou seja, essa questão do vice é o momento de quem for o melhor para o candidato escolhido por ACM neto vencer as eleições.

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