Segunda, 29 de Julho de 2019 - 11:10

Jerônimo Rodrigues

por Rodrigo Daniel Silva

Jerônimo Rodrigues
Foto: Priscila Melo / Bahia Notícias

O secretário estadual de Educação (SEC), Jerônimo Rodrigues, criticou, em entrevista ao Bahia Notícias, o alto número de reprovações de estudantes na rede pública. Para ele, a medida tem prejudicado a Educação no estado, pois muitos alunos abandonam as escolas após perder constantemente e ter que repetir a mesma série. 

"Em momento algum, a gente está pedindo aqui para que professores aprovem estudantes que não tenham a capacidade. Mas também não dá para a gente não questionar que estudantes são reprovados sem um critério mais apreciado de fatores", frisou. 

O titular da SEC negou, ainda, que pretenda fechar escolas na Bahia. Segundo ele, vai ocorrer um "reordenamento". "Às vezes, as escolas são vizinhas e divididas por um muro. A escola, às vezes, tem 800 alunos, outra 300, e na outra vizinha tem 200. Aí tem que manter uma estrutura física com três quadras, três auditórios. Mas se tem uma estrutura com uma única escola, com uma boa equipe de professores de ação pedagógica, laboratórios, é isso que a gente chama de reordenamento", declarou.

O secretário voltou a falar que pretende "municipalizar" estudantes do ensino fundamental I e II, que estão na rede estadual. Jerônimo afirmou que quer se reunir com o secretário municipal de Salvador, Bruno Barral, para tratar do assunto. 

No ano passado, surgiu uma polêmica de que a Secretaria de Educação iria fechar algumas escolas em Salvador. Na época, a SEC negou o fechamento, mas disse que faria um remanejamento. O que de fato vai acontecer?
Primeiro é preciso deixar bastante claro que o governador Rui Costa defende que não faltem vagas para estudantes. O fato é ter o reordenamento em municípios onde existam na mesma rua, na mesma quadra, três, quatros escolas. Às vezes, as escolas são vizinhas e divididas por um muro. A escola, às vezes, tem 800 alunos, outra 300, e na outra vizinha tem 200. Aí tem que manter uma estrutura física com três quadras, três auditórios. Mas se tem uma estrutura com uma única escola, com uma boa equipe de professores de ação pedagógica, laboratórios, é isso que a gente chama de reordenamento. Mas o que está posto não se trata de fechar escolas.

Quantas escolas em Salvador podem sofrer este impacto?
Estamos fazendo estudos. Nós não vamos fazer o estudante ficar atravessando a cidade para estudar. Não vamos superlotar escola. Então, estamos fazendo estudo. Não se trata de fechamento de escola, mas de readequação para garantir melhores condições de educação sem fazer com que o estudante fique andando muito.

Como está a questão da evasão escolar no estado?
Nós temos uma fase histórica na Bahia. Não é de 12 anos para cá. Não é de 20 anos para cá. Não foi o governo Wagner, Paulo Souto ou César Borges. É uma fase histórica, onde temos a cultura estabelecida nacionalmente de reprovação na rede pública. Tanto a reprovação quanto a evasão são dois elementos que estamos enfrentando agora. Nós temos evasão causada por jovens que trabalham e precisam sair. Se a gente disser que a secretaria pode suprir essa defasagem, não tem como, porque o mundo do trabalho a gente não tem controle. Nem o governo. Isso é uma política nacional. Temos evasão por ambiente escolar. Onde está localizada a escola não garante a segurança ou algo do tipo. Nós temos evasão escolar possivelmente por causa da escola não ser atrativa. Sobre a atratividade da escola, a gente está fazendo ao garantir infraestrutura na escola e bons professores.

E de quanto é a evasão escolar na Bahia?
Nós temos cerca de 6%. É um número que a gente encontra ao longo do ano e que a gente acha alto. Nós temos uma rede com 800 mil alunos. E a nossa primeira missão é segurar. E mais. A gente tem que ter a coragem de dizer isso. Temos que ter a coragem de enfrentar a reprovação. Em momento algum, a gente está pedindo aqui para que professores aprovem estudantes que não tenham a capacidade. Mas também não dá para a gente não questionar que estudantes são reprovados sem um critério mais apreciado de fatores. Fica uma frase no ar dizendo: "reprova que ano que vem a gente conserta". É real. Uma parte desses jovens abandona a escola porque tem constantes reprovações. Ele não quer ficar na escola que reprova o tempo todo. E o fato de reprovar não é suficiente para consertar um percurso de aprendizado. A gente tem que acolher o estudante com essa preocupação. Se ele vem com essa defasagem, não é culpa dele. E não é só culpa da escola.

Ao assumir a Secretaria de Educação, o senhor enfrentou logo uma greve nas universidades. Como está a relação com os professores universitários?
Espero construir para melhorar. Estamos tendo permanentes relações. Um dos pontos para sair da greve foi uma mesa de negociação. E estamos tendo. Depois da greve, já tivemos três ou quatro reuniões. A corda é esticada o tempo todo, mas quero reconhecer o esforço pela defesa pelas universidades públicas estaduais.

O senhor defendeu o remanejamento de alunos do ensino fundamental I e II para o município de Salvador. Como está o diálogo com o secretário municipal de Educação, Bruno Barral? Vai ocorrer, de fato, esse remanejamento?
Na última entrevista que dei, virou uma celeuma. Mas a gente tem que enfrentar. Minhas falas são muito ponderadas para não criar desequilíbrio com os prefeitos. Não estive ainda com o secretário Barral, mas vou chamar para a gente bater um papo. A maior rede de estudantes é aqui em Salvador. Não se trata de se livrar de estudantes. Não é isso. Mas temos que fazer uma transição do que é responsabilidade pedagógica.


Vai ter eleição interna no PT neste segundo semestre. Quem é seu candidato para presidente do PT da Bahia?
Eu pactuei com minha equipe que vou acentuar cada vez mais minha conversa sobre Educação. Então, no momento correto, eu vou dar o meu voto. E não vou fazer campanha.

E em 2022, na sucessão de Rui Costa, o senhor acha que o PT tem que ter candidato?
Eu tenho uma missão, que é chegar no final de 2022 com uma rede bastante estruturada. Não se mexe em indicador, como o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), em quatro anos. Mas, eu tenho essa missão.

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