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Entrevista

Ednaldo Rodrigues: "Na FBF todos vestem a camisa branca, que é símbolo da transparência, isenção e imparcialidade" - 09/08/2008

Por Daniel Pinto

Foto: Daniel Pinto/Bahia Notícias

“Aqui na FBF todos vestem a camisa branca, que é símbolo da transparência, isenção e imparcialidade”

Por Daniel Pinto

Bahia Notícias - A que o Sr. atribui a sua recondução à presidência da FBF por aclamação?
Ednaldo Rodrigues - Olha, primeiro pela transparência da gestão. Mas, aspectos como dedicação, honestidade e empenho na defesa dos interesses do futebol baiano foram fundamentais. Não quero fazer nenhuma alusão aos antecessores, mas, hoje, a FBF trata todos os filiados indistintamente e não tem rabo preso a nenhuma outra instituição. Me orgulho de ter sido reconduzido por três vezes por aclamação, o que é um fato inédito em quase 100 anos da Federação.

B.N - Como o Sr. tem avaliado a arbitragem nas partidas de Bahia, Vitória, Itabuna e Conquista? Os times baianos ainda continuam sendo perseguidos?
Ednaldo Rodrigues - A qualidade da arbitragem tem evoluído. Mas, isso não quer dizer que não haja mais equívocos. Até porque as decisões partem de interpretação pessoais. O que se cobra é que a lei seja aplicada e que ninguém seja favorecido ou prejudicado.

B.N - Mas, o apito amigo nunca nos favoreceu.
Ednaldo Rodrigues - A situação era bem pior. Hoje, a qualificação dos árbitros é maior e a cobrança por parte da CBF também. Nos dias atuais, não dá mais para falar em arbitragens tendenciosa. Mesmo assim, nos mantemos vigilantes.

B.N - Como a FBF tem se mobilizado para que a Bahia seja sub-sede da Copa do Mundo de 2014?
Ednaldo Rodrigues - Nos colocamos como delegada da CBF na Bahia e, junto com o governo do Estado, vamos fazer de tudo para que esse sonho se concretize. Essa reivindicação é válida e temos condições reais de sediar jogos da Copa. Eu acompanhei a defesa da Bahia na sede da CBF, no Rio de Janeiro, e posso dizer que a proposta foi bem avaliada. Foi uma apresentação extremamente técnica.

“Um time que pretende ficar no G4 tem que jogar com o mesmo vigor dentro e fora de casa"

B.N - Por falar nisso, o Sr. acredita que a reforma no estádio de Pituaçu termine antes da construção da nova arena esportiva para a Copa?
Ednaldo Rodrigues - Pituaçu termina antes (risos). O atraso foi justificado pela greve dos operários e por conta das chuvas. Mas, o governo fez outro cronograma e a obra deve ser entregue no final de setembro. As coisas precisam ser feitas com responsabilidade e ninguém mais do que o governo do Estado tem interesse que a obra seja concluída o quanto antes. 

B.N - Agora, o Sr. acha que a administração de Pituaçu deve ficar a cargo do Bahia? Um dirigente do Vitória disse que vai participar da licitação para construir um espaço multiuso. Nesses termos, o Sr. acha que o Bahia deve ter prioridade?
Ednaldo Rodrigues -Olha Daniel, por ser um patrimônio público, um patrimônio do Estado, só o governador Jaques Wagner pode determinar isso. O governo já sinalizou as diretrizes para quem pretende participar do processo. Mas, pelo fato da interdição da Fonte Nova, o Bahia teria prioridade.

B.N - Tanto a FBF quanto o governo do Estado tentaram intervir para que o Bahia jogasse no Barradão. Mas, não houve avanço nas negociações. O Sr. acha que a diretoria do Vitória agiu de forma passional? Faltou solidariedade?
Ednaldo Rodrigues - Quando a Federação convidou os dirigentes de Bahia e Vitória para intermediar um acordo, a idéia era estabelecer um diálogo com gerentes de empresas. A rivalidade do futebol deveria ficar dentro de campo. Se houvesse conciliação todos ganhariam. O Vitória teria uma renda extra e o Bahia jogaria próximo da sua torcida e, certamente, fortaleceria o seu caixa. Depois disso, o governo do Estado fez uma proposta que incluía até uma compensação na infra-estrutura do Barradão. Mas, pelo que me consta, a situação ainda está indefinida. Espero que haja um desprendimento de vaidade e que a solidariedade e o profissionalismo prevaleçam. 

B.N - Presidente, quais foram os argumentos da FBF na ação contra o Sergipe e o Flamengo?
Ednaldo Rodrigues - Com relação à série “C”, no jogo contra o Itabuna, o Sergipe usou o atleta Chicão que havia sido punido pelo STJD em duas partidas. Ele cumpriu apenas uma e atuou de forma irregular. Então, pedimos que o regulamento da competição fosse aplicado e o Sergipe perdesse seis pontos. A comissão disciplinar acatou a denúncia, mas coube recurso. Creio que, pela jurisprudência, o Itabuna vai ser favorecido. Já no caso da série “A”, o Flamengo, respaldado por uma informação do departamento técnico da CBF, colocou o atleta Vandinho para atuar contra o Cruzeiro no último dia 03, quando o atleta tinha três cartões amarelos vindo da equipe do Avaí. Pelo regulamento geral da CBF no seu parágrafo segundo do artigo 32, o atleta deveria levar consigo os cartões. O Flamengo teve um parecer do diretor técnico da CBF, Vergílio Elísio.

“As coisas precisam ser feitas com responsabilidade e ninguém mais do que o governo do Estado tem interesse que a obra seja concluída o quanto antes”

B.N - Houve má fé nessa interpretação?
Ednaldo Rodrigues - Não quero levar por esse lado. 

B.N - Saindo do campo jurídico, como o Sr. tem visto o desempenho da dupla BA-VI no campeonato brasileiro das séries A e B?
Ednaldo Rodrigues - O Vitória tem feito uma campanha muito boa. Eles conseguiram montar um elenco forte, jovem e qualificado, o que é imprescindível para uma competição de pontos corridos. Mas, podia ser melhor. A equipe tem perdido muitos pontos fora de casa. Contra o Ipatinga e o Atlético Mineiro, por exemplo, o Vitória deveria se impor.

B.N - O Leão amarelou?
Ednaldo Rodrigues - Não digo isso, até porque ele tem conquistado resultados bons também. Mas, um time que pretende ficar no G4 tem que jogar com o mesmo vigor dentro e fora de casa.

B.N - E o Bahia?
Ednaldo Rodrigues - O Bahia vive uma situação delicada principalmente pela falta da Fonte Nova. A grande verdade é que o Bahia perdeu quase 90% de sua receita e esse fator impediu que fosse montada uma equipe mais competitiva. O Bahia chega em Feira de Santana só na hora do jogo. Além da distância da sua torcida, não há nenhuma interação com a comunidade local. Falta estratégia. Falta uma ação de marketing. A impressão é que o Bahia é o visitante, quando na verdade ele joga em seu mando de campo. Mas, no jogo contra a Ponte Preta houve uma postura diferente. Esperamos que esse espírito permanece e a equipe possa subir para a elite do futebol nacional.

B.N - Por falar nisso, como o Sr. viu a invasão ao Fazendão e a reivindicação de eleição direta no clube?
Ednaldo Rodrigues - Olha, qualquer manifestação pacífica e ordenada é válida. Condenaríamos qualquer tipo de violência. Mas, as coisas foram conduzidas com respeito, tanto é que houve avanços. Essa é a relação que o clube tem que ter com seus torcedores.

B.N - E quanto à eleição direta, existe alguma restrição aos federados que não elegem seus dirigentes de forma democrática?
Ednaldo Rodrigues - A Constituição assegura que os federados têm liberdade administrativa. Por isso, nós respeitamos o que o estatuto do clube determina. Mas, os clubes sabem que, por orientação do Ministério Público, é preciso ter eleição direta para estabelecer convênios com o governo do Estado.

B.N - Agora, com a experiência que o Sr. tem no futebol, o Sr. diria que a evolução do Vitória se deve a nova forma de gestão do clube?
Ednaldo Rodrigues - É difícil analisar a questão apenas por essa ótica. Mas, claro que a gestão profissional é de suma importância. Mas, em relação ao Bahia, em outros tempos essa mesma diretoria teve sucesso e conquistou títulos importantes, inclusive o brasileiro de 1988.  Mas, de qualquer forma, é imprescindível controlar os gastos de qualquer empresa e gastar apenas aquilo que se ganha.

“Mas, pelo fato da interdição da Fonte Nova, o Bahia teria prioridade”

B.N - Fale um pouco sobre o projeto da FBF em criar uma competição para as escolas de futebol.
Ednaldo Rodrigues - A intenção é fomentar o futebol em todo o Estado e revelar grandes talentos. A saída para qualquer equipe é investir nas divisões de base. Vamos fazer um campeonato estadual de escolinhas para mobilizar a garotada e também para valorizar o trabalho dos professores. Se você procurar saber, vai ver que atletas como Leandro e Cleiton Domingues vieram de escolinhas de futebol. Queremos fortalecer a base para formar os atletas do futuro.

B.N - Só mais uma coisa: qual o time que mexe com o seu coração?
Ednaldo Rodrigues - Você quer me complicar?! (risos) Olha, aqui na FBF todos vestem a camisa branca, que é símbolo da transparência, isenção e imparcialidade. Todo profissional tem que ter essa postura. Acredito que você também seja assim. Mas, o cidadão Ednaldo Rodrigues torce pelo Vitória, mas isso não me impede de defender os interesses do Bahia ou de qualquer outro filiado da nossa instituição.