Segunda, 13 de Maio de 2019 - 11:10

Adolfo Viana

por João Brandão

Adolfo Viana
Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

O presidente estadual do PSDB  na Bahia, Adolfo Viana, afirmou ao Bahia Notícias que o partido vai trabalhar para ter candidatura própria à prefeitura de Salvador em 2020, apesar de ter feito elogios ao vice-prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), considerado candidato natural à sucessão de ACM Neto.

“Bruno é muito meu amigo. A gente iniciou junto na Assembleia Legislativa. Quadro muito qualificado, trabalhador e tem todas as condições de ser candidato do DEM a prefeito de Salvador. Muito meu amigo, mas o PSDB vai buscar ter a sua candidatura. Lá na frente estaremos prontos para conversar. Momento é o PSDB construir seu nome, a sua caminhada. Para que no momento oportuno tome a sua decisão”, enfatizou ele.

Um dos nomes citados pelo deputado federal foi o de David Rios, deputado mais votado da oposição na capital baiana. “David Rios é um fenômeno eleitoral. Se você observar, David Rios teve 39 mil votos em Salvador. Ele não é aquele deputado que mais gosta da tribuna, que mais gosta dos discursos. Não é esse grande orador, mas é um cara que trabalha demais e que tem naturalmente o reconhecimento do povo de Salvador”, disse.

Viana fez uma autocrítica sobre a sua sigla. “[O PSDB] Cometeu alguns erros, naturalmente. Se desconectou das ruas, e esse é momento que precisamos ficar reconectados com a população”, disse. Para ele, o governo de Bolsonaro “está amadurecendo”. “Está precisando encontrar o seu melhor modelo. Tenho certeza que logo em breve eles vão ajustar os ponteiros”, completou.

Confira a entrevista completa:

 

O senhor assumiu o PSDB da Bahia recentemente. Quais os principais desafios?
A gente encontrou o PSDB bastante estruturado, organizado. A gestão do presidente João Gualberto permite a gente avançar em todo o interior da Bahia. Partido totalmente organizado. Acho que o grande desafio é avançar no interior. Abrir as portas do partido para que as mulheres participem da política de maneira mais efetiva. Temos a maior bancada feminina. Isso está sinalizando para que as mulheres venham e se sintam bem no PSDB. O grande desafio é avançar no interior e atrair as mulheres.

Apesar de eleito como presidente do PSDB de maneira consensual, há uma disputa interna entre os grupos ligados aos ex-deputados João Gualberto e Antonio Imbassahy. Você está numa espécie de meio termo. Como evitar que essa tensão cause e implosão de um partido já pequeno?
As divergências ocorrem em todos os partidos. Partidos grandes têm divergências. Mas existe uma relação harmoniosa e vamos trabalhar para que todos remem na mesma direção. A gente tem o privilégio de ter esses dois grandes quadros. Imbassahy tem grande história de politica, de sucesso. João Gualberto tem grande história na política e na iniciativa privada. Temos também Jutahy Magalhães e João Almeida. Privilégio grande ter esses quadros. Naturalmente vamos aproveitar toda a experiência deles para, juntamente com outros deputados, fazermos essa caminhada para transformar o PSDB cada vez mais forte.

Como o senhor viu a ida de Imbassahy para o governo de São Paulo?
Uma grande oportunidade. Ele que já contribuiu em várias posições diferentes. Agora está ao lado do governador João Doria, que inicia de maneira positiva o governo de São Paulo. Ele tem experiência, tanto na prefeitura de Salvador, como no governo de Estado e como ministro. Então ele vai agregar.

Mas ele se distancia da Bahia, né?
Naturalmente se distancia naturalmente da Bahia. Até porque ele está secretário. Fica na ponte aérea Brasília x São Paulo, mas a gente tem tido a oportunidade em Brasília de conversar sempre, trocar ideias. A gente não vai perder a oportunidade de está também recebendo conselhos, ouvindo. Na AL-BA a gente tem Paulo Câmara, David Rios, Marcell Moraes, Tiago Correia, tem eu. Somos uma geração abaixo de Jutahy, Imbassahy, Gualberto e João Almeida. Se a gente conseguir aliar essa experiência que eles têm com essa força que essa nova geração está trazendo, vamos fazer o PSDB grande aqui no Estado.


 

Sobre a eleição de 2020, o PSDB estuda candidatura própria a prefeito de Salvador?
Sem dúvida nenhuma. A gente tem grandes quadros e, naturalmente, a gente vai trabalhar e no momento oportuno a gente vai tomar uma decisão. Essa decisão só vai ser tomada no momento oportuno.

Quando é o momento oportuno?
Eu acho que no final desse ano, início do ano que vem é o momento de se reunir.

Então até o início de 2019 o PSDB define se vai ter candidatura própria ou não?
Vamos trabalhar para ter candidatura própria. Agora é uma decisão que você não toma com tanta antecipação. A gente vai trabalhar para que isso aconteça. No momento oportuno a gente vai decidir que nome representa melhor o partido e que nome oferece as melhores condições para administrar a cidade de Salvador.

O senhor mesmo já colocou João Gualberto, Paulo Câmara e David Rios, que teve 39 mil votos em Salvador, como possíveis nomes. O senhor acredita que já está na hora de o PSDB encabeçar uma chapa?
Eu acho que o PSDB tem grandes nomes. O PSDB é aliado do prefeito em Salvador. Não resta a menor dúvida. Ajudamos a construir a nova realidade de Salvador. A cidade se transformou nesse período. Mas naturalmente a gente reconhece, dentro dos nossos quadros, pessoas com qualificação para continuar esse trabalho, fazendo com que Salvador avance. É inquestionável que Salvador avançou muito nos últimos seis anos e que o soteropolitano é que continue a avançar. Eu gosto de falar que o nome de João Gualberto é uma referência porque ele, tanto foi referência na iniciativa privada, quanto na gestão à frente de Mata São João e no Congresso nacional. É diferenciado. Paulinho [Paulo Câmara] uma grande passagem na Câmara Municipal, contribuiu em Brasília na Secretaria de Governo. David Rios é um fenômeno eleitoral. Se você observar, David Rios teve 39 mil votos em Salvador. Ele não é aquele deputado que mais gosta da tribuna, que mais gosta dos discursos. Não é esse grande orador, mas é um cara que trabalha demais e que tem naturalmente o reconhecimento do povo de Salvador.

Quando se discutia a candidatura de ACM Neto ao governo da Bahia, João Gualberto postulou a chance de ser vice. Depois que tudo ruiu, Gualberto até mesmo deixou de ser candidato à reeleição à Câmara dos Deputados. Ele ainda é um jogador que foi para o banco de reservas ou o PSDB acredita que a parcela de contribuição dele já foi dada e encerrada?
Gualberto é muito claro nas posições dele. Não tem vontade nenhuma de voltar ao Legislativo, mas ele tem vontade de contribuir no Executivo. Não tem ansiedade. Espera a oportunidade, mas espera dar a contribuição dele no Poder Executivo, onde ele fala que se sentiu melhor. Realizou para quem mais precisava. Mata de São João ele administrou por oito anos. Transformou a cidade, fez sucessor. A cidade não para de avançar. A qualidade de vida das pessoas melhorou muito. Educação de qualidade. Saúde de qualidade. Cidade se desenvolveu muito. Naturalmente ele não está no banco reservas. Ele sempre estará na mesa, tomando as decisões. Quadro diferenciado e qualificadíssimo.

PSDB discute candidatura própria a prefeito de Salvador, mas hoje o nome natural da base governista é Bruno Reis, vice-prefeito de Salvador. O senhor imagina uma aliança futura com Bruno Reis?
Bruno é muito meu amigo. A gente iniciou junto na Assembleia Legislativa. Quadro muito qualificado, trabalhador e tem todas as condições de ser candidato do DEM a prefeito de Salvador. Muito meu amigo, mas o PSDB vai buscar ter a sua candidatura. Lá na frente estaremos prontos para conversar. Momento é o PSDB construir seu nome, a sua caminhada. Para que no momento oportuno tome a sua decisão.


 

No interior, a ideia é ter candidaturas nas maiores cidades?
Sem dúvidas. A gente já está fazendo um levantamento. Começamos a fazer contatos com novas lideranças. É importante ter nas grandes cidades e nas pequenas também. Nosso trabalho vai ser para ter representatividade nas 417 da Bahia. Essa é a nossa meta. Não vai ser fácil. É uma missão difícil. 

A Câmara analisa desde o ano passado o Projeto de Lei que regulamenta a desestatização do setor de energia no Brasil, a ser feita a partir do aumento do capital social da Eletrobras e de suas subsidiárias. O senhor que tem diversas proposições nessa área, o que acha desse projeto de lei?
A gente faz parte da Comissão de Minas e Energia. Tivemos a oportunidade de ouvir o ministro. Temos tido oportunidade de aprender muito. Existem deputados muito experientes. Momento de formar opinião para poder construir algo que seja interesse para o país. Amadurecimento constante dentro da Câmara. São temas que requer decisões importantes, estudos importantes e, naturalmente, quando a gente se posiciona é quando estamos convencidos. Tem matérias que por não estamos convencidos ainda, temos que debruçar de uma maneira mais especial para se posicionar da melhor maneira possível.

O que o senhor acha do futuro da Eletrobras?
É um tema que a gente precisa conversar com mais profundidade. Prefiro me aprofundar mais. Ver que maneira a gente pode dar a melhor contribuição na Comissão de Minas e Energia. 

Em 2018, o PSDB foi uma das legendas com maior retração. O candidato à presidência, Geraldo Alckmin teve desempenho pífio. A bancada da Bahia na Câmara caiu de três para apenas um representante. O candidato ao Senado, Jutahy Magalhães, ficou longe de garantir uma vaga. A que você atribui essa posição ruim?
O PSDB encolheu em todo o país. É uma realidade. Temos ainda grande representatividade na Câmara Federal: 30 deputados, mas de fato o PSDB encolheu. A gente precisa fazer autocritica, fazer as correções, se enxergar. O partido deu grande contribuição ao país.

 

Por qual motivo o PSDB encolheu?
Cometeu alguns erros, naturalmente. Se desconectou das ruas, e esse é momento que precisamos ficar reconectados com a população. Certeza que a gente vai saber fazer nisso.

O que acha do governo Bolsonaro?
Governo que está amadurecendo. Está precisando encontrar o seu melhor modelo. Teve muita dificuldade no relacionamento com o Congresso. Tenho certeza que logo em breve eles vão ajustar os ponteiros. Acredito no Brasil. Sou novo no Congresso, mas sinto uma vontade do Congresso para que o Brasil dê certo. Acho que a população quer um governo liberal na economia, mas que tenha também um olhar justo para o social. Eu acho que isso que a sociedade espera. Nós do PSDB não somos de extrema de esquerda, nem de extrema direita. Somos de centro.

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