Segunda, 06 de Maio de 2019 - 11:10

Paulo Azi

por João Brandão / Rodrigo Daniel Silva

Paulo Azi
Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

Presidente do DEM na Bahia, o deputado federal Paulo Azi afirmou, em entrevista ao Bahia Notícias, que o vice-prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), é hoje o candidato natural do grupo à sucessão de ACM Neto (DEM). Para ele, o número 2 do Palácio Thomé de Souza tem "todas as qualificações" para ser o postulante governista no próximo ano. 

"O Democratas em Salvador tem muitas lideranças jovens, como Leo Prates, Alexandre Aleluia, Cláudio Tinoco, Duda Sanches. É legítimo almejarem um dia administrarem a nossa capital. Agora, repito a candidatura hoje colocada como natural é do vice-prefeito Bruno Reis", afirmou Azi.

Ainda na entrevista, o deputado federal disse que o seu partido vai buscar candidaturas próprias na grande maioria dos municípios em 2020. "E investir em novos atores, que não estão na política e desejam entrar. E, claro, tendo uma olhar muito especial para os 50 maiores municípios do estado", acrescentou. 

Azi reclamou do "assédio brutal" que os prefeitos do seu grupo sofrem do governador Rui Costa (PT) e aliados. Segundo ele, a oposição não perdeu tantos gestores municipais com a decisão de ACM Neto de não ser candidato ao governo em 2018. “Muitos poucos saíram. Tenho conversado com muitas lideranças do interior. E a gente tem sido objeto de muita solicitação, de prefeitos de outros partidos, inclusive", pontuou. Confira a entrevista:  


A reforma da Previdência do governo Temer trouxe desgaste para muitos parlamentares. Alguns não conseguiram se reeleger. Arthur Maia, que foi então relator, admite que foi prejudicado. O senhor também foi prejudicado eleição passada com a reforma?
Não com relação à reforma da Previdência, porque ela não chegou a ser votado. Foi votada apenas na comissão especial, mas não foi submetida ao plenário. Agora, a reforma trabalhista trouxe um desgaste político muito grande para todos nós. O PT usou isso como arma, de que a gente estaria se voltando contra os direitos dos trabalhadores. E mesmo a gente perguntando qual o direito as pessoas estavam perdendo – porque ninguém perdeu direito nenhum -, mas isso ficou no imaginário das pessoas. E isso nos trouxe prejuízo eleitoral. 

Se arrepende de ter apoiado o governo Temer?
Não tenho como dizer que me arrependo. A gente trabalhou muito pelo afastamento da presidente Dilma [Rousseff], que estava levando o país para um abismo. Ela perdeu completamente as condições de governar. Isso levou ao impeachment. Todos nós que naquele momento apoiamos o impeachment tínhamos o dever de dar a contribuição para que fosse feito um governo de transição. O governo (Temer) teve avanços na área econômica, com redução da inflação, juros e a diminuição do desemprego. Mas ele pecou muito na área política. Foi um condescendente com determinadas pessoas que participavam do governo e isso enfraqueceu ele. 

O senhor é integrante da CCJ na Câmara e votou a favor da reforma da Previdência no colegiado. O senhor teme sofrer novamente com o desgaste? 
Se a gente conversar com 10 economistas, todos os 10 vão dizer que a reforma da Previdência é necessária. A alternativa é aumento do imposto e aumento da inflação. A reforma é necessária. É preciso, porém, que seja justa. Sendo necessária e justa, (a reforma) vai receber a concordância da população. Vão acontecer uma série de debates para aqueles que estão na base da sociedade sejam protegidos pela reforma. E aqueles que têm condições econômicas mais consolidadas contribuam mais. E só assim a sociedade vai entender que a reforma, além de necessária, é justa. O que dá a todos nós, que iremos votar o projeto, uma tranquilidade. 

O senhor vai repetir no plenário a votação a favor da reforma da Previdência?
O voto que a gente deu foi apenas com relação à constitucionalidade. Agora que a gente vai discutir o mérito da matéria. Existem muitos pontos que sou contra. Sou contra alterações no BPC, na aposentadoria do trabalhador rural e reservas à capitalização. Sendo os pontos alterados e acordados, vai dar as condições de enfrentar a matéria em plenário e aprovar. 



O senhor acredita que esses pontos citados serão alterados?
O que sinto lá na Câmara, especialmente em relação ao BPC e ao trabalhador rural, é de que há uma resistência muito grande de se alterar esses pontos. A própria questão de aposentadoria dos professores é outra questão que está sendo debatida. A questão se, neste momento, vai se legislar sobre os planos de previdência dos servidores estaduais e municipais é também um ponto muito polêmico. Eu, por exemplo, defendo que isso fique fora da reforma e seja tratado por cada governador. Então, são pontos que efetivamente serão muito debatidos agora na comissão especial. 

Com a decisão do prefeito ACM Neto de não ser candidato ao governo da Bahia no ano passado, muitos prefeitos do grupo decidiram sair e migraram para a base do governador Rui Costa (PT). Como o senhor viu essa movimentação? 
Não foram tantos assim. Foram muito poucos. É claro que todos os prefeitos, que têm certa relação conosco, sofrem um assédio muito grande do governador e dos aliados. O assédio é realmente brutal. Mas eu efetivamente não percebi que tenha havido um número significativo de lideranças que tenham ido para o lado de lá. É claro que vamos iniciar agora um processo de restruturação partidária, para que possamos chegar à eleição de 2020 com palanques consolidados, seja com candidatos do Democratas ou apoiando candidatos aliados.

Acredita que os prefeitos podem retornar para a oposição? 
Muitos poucos saíram. Tenho conversado com muitas lideranças do interior. E a gente tem sido objeto de muita solicitação, de prefeitos de outros partidos, inclusive.

O prefeito ACM Neto errou ao desistir da candidatura ao governo?
A decisão do prefeito foi muito pensada e corajosa. Eu, inclusive, participei e dialoguei muito com ele. Já no final de dezembro do ano anterior as eleições, ele já me dizia que a tendência era não ser candidato, por dois fatores principais. Primeiro pela reação da população de Salvador. E também um desgaste da vinculação não só do prefeito, mas de todo nosso grupo com o governo de Michel Temer, que o PT soube muito bem explorar. Esses dois fatores foram fundamentais para que ele não fosse candidato. E acho que tomou a atitude correta.

 


Qual a estratégia do DEM para eleição de 2020?
Buscar candidaturas próprias na grande maioria dos municípios. E investir em novos atores, que não estão na política e desejam entrar. E, claro, tendo uma olhar muito especial para os 50 maiores municípios do estado. 

É possível que Colbert Martins se filie ao DEM para que o partido mantenha a prefeitura de Feira de Santana?
É possível. Mas, eu pessoalmente não tive com o prefeito Colbert. 
 


Na convenção do DEM na Bahia, o prefeito de Salvador, ACM Neto, foi lançado candidato ao governo para 2022. No entanto, o vice-prefeito Bruno Reis, que é visto como candidato do partido para 2020, não foi lançado. Isso quer dizer que Bruno ainda não é unanimidade no grupo para ser o candidato de ACM Neto?
ACM Neto é um desejo de todos os partidos e filiados do nosso partido de que ele seja candidato em 2022. O nome de Bruno Reis foi muito citado na convenção. Ele é o nome natural para candidatura do nosso partido. É uma pessoa que está construindo seu espaço. É competente. Tem todas as qualificações para ser o nosso candidato, com chances reais de vitória. Agora, é claro que o comando das articulações se dará pelas mãos do próprio prefeito ACM Neto. Mas, eu diria que o nome de Bruno é o nome naturalmente escolhido para o ser sucessor.

Como o senhor vê essa movimentação do secretário municipal de Promoção Social e Combate à Pobreza, Leo Prates, para também ser candidato, ao se considerar o plano B?
É natural. O Democratas em Salvador tem muitas lideranças jovens, como Leo Prates, Alexandre Aleluia, Cláudio Tinoco, Duda Sanches. É legítimo almejarem um dia administrarem a nossa capital. Agora, repito a candidatura hoje colocada como natural é do vice-prefeito Bruno Reis.

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