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Entrevista

Walter Barretto Jr. avalia que facilidade nos financiamentos aumenta venda para classe C - 14/07/2008

Por Cíntia Kelly



Facilidade nos financiamentos aumenta venda para classe C

Por Cíntia Kelly

Bahia Notícias - Qual a previsão de crescimento do setor para este ano?
Walter Barretto Jr.
- Em 2008 vamos vender mais de 12 mil imóveis, o que representa um crescimento de mais de 60% em relação ao ano passado. No primeiro trimestre vendemos mais de três mil imóveis, o que gerou um crescimento de 200% em relação ao mesmo período do ano passado. Nós já estamos com crescimento forte e contínuo desde 2005. Isto é importante porque representa mais obras, mais impostos sendo arrecadado e o crescimento do Estado.

BN - Há a impressão que existem imóveis encalhados, que já foram lançados há mais de um ano e ainda não foram vendidos.
WB
- Dentro de um cenário imobiliário vender todas as unidades ainda em construção é um grande negócio. Não há expectativa de se vender em um mês ou dois. Vender em um ano quase todas as unidades em uma obra que vai levar dois, é muito bom. O cenário há cinco anos era bem diferente. Nós entregávamos os empreendimentos ainda sem vender.

BN - A que o senhor atribui essa mudança?
WB
-  À disposição dos bancos públicos e privados em financiar. Depois ao alongamento do prazo que vai até 30 anos. A redução da taxa de juros é menor do que a de outros financiamentos, o que fez com que a prestação caísse sensivelmente. Muitas vezes a parcela do financiamento é o mesmo valor do aluguel de um imóvel semelhante. O cliente precisa ir aos stands ver as condições de financiamento e vai poder ver que financiamento é um investimento para família. Já o aluguel é perder dinheiro.

BN - Dá para traçar o perfil do comprador atual?
WB
- A pesquisa da Ademi mostra que a faixa de valor mais procurada vai de R$ 150 mil a R$ 250 mil. Só que foi observado que está crescendo a procura por imóveis com o número de parcelas maiores e de imóveis voltados para a classe C. Então, incorporada já se atentaram para isto já estão fazendo projetos com vistas a classe C. São imóveis que custam entre R$ 80 mil e R$ 150 mil com excelentes áreas de lazer, com infra-estrutura, segurança.

BN - Temos visto a entrada da Tenda na Bahia, que financia imóveis para a classe C. O sr. Poderia falar mais sobre essa incorporadora?
WB
- Sei apenas que é do Sudeste do Páis, se não estou enganado é de São Paulo e tem como público alvo a classe C. mas não é associada a SAdemi, por isso não tenho muito o que falar.

BN - Mas na Bahia existe alguma empresa com o mesmo perfil da Tenda?
WB
- Sim. Temos a Odebrecht que está criando o Bairro Novo e tantas outras.

BN - Quando o sr disse que o crescimento imobiliário de 2008 será de 60%, ainda já está incluída a classe C.
WB
- A venda direcionada à classe C deve crescer 30%.

BN - E onde estão os imóveis direcionados a esse público?
WB
- Em todos os bairros de Salvador, em Lauro de Freitas e Camaçari. Os imóveis da classe C são construídos em terrenos com m² mais barato, para que o financiamento também seja. E nesse aspecto o Cabula é um bairro com empreendimentos por ser aconchegante e com estrutura. Mas Salvador já está expandido para Lauro e Camaçari.  A Ademi tem conversado com os candidatos a prefeito de Salvador, Lauro e Camaçari. Não é possível que cada município faça seu plano diretor sem perceber que já há essa integração. Propomos que o metrô de Salvador vá em direção a BR-324, passe por Simões Filho, pelo Pólo Petroquímico e o centro de Camaçari, depois por Lauro de Freitas, aeroporto, Avenida Paralela, região do Iguatemi e desemboque na Rótulo do Abacaxi. Essa integração tem que haver entre as cidades da Região Metropolitana. Salvador está com um problema sério de tráfego. Se não abrirmos os olhos agora, daqui a 10 anos vai ficar insustentável o trânsito. O transporte integrado, que seja o metrô, o trem metropolitano ou VLT, não importa o nome, é a saída para o problema.

BN - No caso das intermediárias, o sr. não acha que isso pode afastar potenciais compradores da classe C?
WB
- Com a concorrência acirrada, o cliente deve falar das suas dificuldades e tentar diluir essas intermediárias em parcelas. Ninguém quer perder cliente. Hoje há essa facilidade.