Segunda, 18 de Fevereiro de 2019 - 11:10

Bruno Reis

por Lucas Arraz / Rebeca Menezes / Rodrigo Daniel Silva

Bruno Reis
Foto: Priscila Melo / Bahia Notícias

Após o desejo de se tornar prefeito de Salvador em 2016 não se concretizar, o vice-prefeito Bruno Reis (DEM) descartou qualquer possibilidade de romper com o grupo de ACM Neto (DEM), caso não seja indicado para ser o candidato ao Palácio Thomé de Souza no próximo ano. 

 

Bruno Reis tinha expectativa de virar chefe do Executivo soteropolitano no ano passado diante da hipótese de Neto deixar a prefeitura para ser candidato ao governo da Bahia. “Não faço política na base da chantagem. Não sei fazer meias conversas. Ou conversas que não sejam firmes. O que vier será fruto do meu destino, do que Deus nos reservar na nossa caminhada política. Com os princípios e os valores que tenho e pela força de trabalho, muitos desafios virão pela frente. E tem que estar pronto para cumprir esses desafios”, declarou, em entrevista ao Bahia Notícias.

 

Ainda na entrevista, Bruno garantiu que o candidato da base não está definido. Afirmou que todos do grupo podem ser o postulante de ACM Neto em 2020, inclusive, o presidente do Esporte Clube Bahia, Guilherme Bellintani.

 

O vice-prefeito negou que tenha feito pressão para integrar a chapa de ACM Neto em 2016. Também falou sobre os projetos que irá comandar na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra).


Qual é o principal desafio ao gerir a Secretaria de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra)?
O grande desafio é acelerar a realização de projetos. Também acelerar a execução das obras, que são muitas e temos que fazer nos anos de 2019 e 2020. A meta da nossa gestão é nos próximos dois anos fazer mais entregas do que fizemos nos últimos seis anos. Temos grandes projetos sendo ainda elaborados e outros sendo executados, a exemplo do BRT, do Centro de Convenções e de intervenções no Centro Histórico. A nossa ida para a Seinfra é para, com a nossa força de vontade e disposição do trabalho, poder fazer um trabalho de forma transversal, tendo em vista que isso envolve diversas pastas, e entregar no tempo mais ágil esse conjunto de investimentos que estamos fazendo na cidade.

A prefeitura entregou obras estruturantes no primeiro governo de ACM Neto. Agora, temos obras como BRT e Centro de Convenções. Além dessas obras, a prefeitura tem mais projetos para lançar?
Sim. Projetos que nós estamos elaborando, como toda a requalificação da Estrada Velha do Aeroporto, uma obra de mais de R$ 50 milhões. O Novo Mané de Dendê, que uma é obra de R$ 500 milhões. Temos um conjunto de investimentos para o Centro Histórico, que passa pela reforma do Elevador do Taboão, que depois de 50 anos vai voltar a funcionar. A recuperação dos Arcos da Montanha. A construção do Museu da Música brasileira, uma obra de R$ 80 milhões. Já vamos iniciar a licitação para toda área externa daqueles azulejos azuis ali no Comércio. Nós temos a construção do Arquivo da cidade de Salvador, que é obra de R$ 33 milhões. Nós temos requalificação de trechos da orla importante como o caso o de Ipitanga, Stella Maris e Praia do Flamengo. Eu poderia passar horas aqui elencando um conjunto de mais de 60 obras que nós vamos iniciar ao longo da nossa gestão. A minha liderança a frente destes projetos é para que possamos antecipar os prazos de início e de entregar. Fui para Seinfra com a missão específica de acelerar os projetos.

As tragédias que aconteceram recentemente, como o rompimento da barragem de Brumadinho, acenderam algum tipo de alerta na prefeitura? 
Sim. Inclusive, está dentro do conjunto de novos projetos que nós vamos lançar o projeto de recuperação de viadutos e pontes. Nós já vimos catástrofes ocorrer em outros estados e já estamos fazendo esse trabalho preventivo. Já há uma empresa contratada realizando estudos em 41 viadutos na parte estrutural para identificar quais trazem riscos para de imediato realizar as licitações para fazer as devidas intervenções.

O senhor se filiou ao MDB para ser candidato a vice-prefeito de Salvador. Depois, migrou para o DEM. Não soa como oportunismo político se filiar a um partido apenas para conquistar uma candidatura? 
Não é verdade. Eu me filiei ao MDB no ano de 2013. Disputei a eleição para deputado no MDB. Fui o deputado mais votado do partido na Bahia na eleição de 2014. Talvez, eu tenha enxergado na frente de outros nomes, que estavam no nosso grupo, que lá na frente, na eleição de 2016, o prefeito orientaria os demais pré-candidatos para cada um ficar em um partido da base. Um foi para PSDB, outro PPS. Outro para PV e outro para o PRB, porque dentro da análise do nosso grupo, o vice deveria sair de outro partido, com tanto que tivesse uma relação e uma identicidade com o prefeito ACM Neto. Naquele momento, a escolha minha pelo MDB foi porque era o maior partido da nossa aliança e acabou, diante do nosso trabalho e condição que tive dentro do MDB, eu sendo alçado a condição de vice em 2016. Mas eu não fui para o MDB por um oportunismo. Foi uma estratégia política do nosso líder ACM Neto de distribuir os nomes entre os partidos da base. E acabou se confirmando o fato de  ter sido vice foi o fato de visto antes e ter ido [para o MDB] lá atrás no ano de 2013, no primeiro ano da gestão do prefeito ACM Neto.



O senhor é o mais cotado para o ser candidato à sucessão de ACM Neto em 2020, mas há diversos nomes dentro da base. Qual será a estratégia para se destacar e garantir a vaga até lá? 
Não é estratégia. Eu aprendi nesses quase 20 anos de vida pública que não se coloca a política na frente do trabalho. Não tem como colocar os interesses da cidade, que são necessidades urgentes, acima de qualquer interesse pessoal ou projeto político-partidário pessoal. Eu acredito muito na força do trabalho. Se me perguntar por que consegui aos 41 anos de idade chegar à condição de vice-prefeito, tendo a história de vida que tive de muita superação e dificuldades, é porque acredito muito na força do trabalho. Então, esses anos de 2019 e 2020 são de muito trabalho. O ano do debate político vai chegar e esse momento é a partir do ano que vem. Hoje, a única a se realizar é trabalhar e trabalhar muito pela cidade. Coisa que tenho feito com muito amor. Estou no melhor momento da minha vida pública. Nunca tive tão realizado como homem público porque nesses dois primeiros anos do mandato, eu estava com o prefeito governando a cidade e ajudando a realizar projetos. E não estava tão na linha de frente das entregas e inaugurações. A partir do momento que eu assumo esse novo papel, que é mais de gestão, eu tenho tido a oportunidade de conviver mais com as pessoas, de ver quanto a força do nosso trabalho tem ajudado a transformara vida de milhares e milhares de pessoas na nossa cidade. E isso é muito gratificante. Não tem preço.

O senhor ficaria magoado caso não fosse escolhido pelo grupo para ser candidato a prefeito de Salvador em 2020? 
É muito cedo para falar de escolhas de candidato. A gente na política não pode trabalhar no campo das hipóteses e conjecturas. 2020 vai chegar e esse debate vai acontecer. Eu sou um homem de grupo. Estou neste grupo há 20 anos. Já ganhamos e já perdemos eleições. Já passamos pelas mais diversas dificuldades. Temos uma história. Nunca ninguém me viu fazer qualquer tipo de jogo. Eu sou uma pessoa que tenho linha, lado, posições, convicções firmes e ideias. E acredito muito no nosso poder de transformar a vida das pessoas através do trabalho. É isso que tenho feito no nosso grupo. Seja qual for a missão que o grupo venha me dar em 2020, eu, como um bom soldado, irei cumprir com disposição e entusiasmo.

Há alguma chance de o senhor romper com o grupo? 
Não faço política na base da chantagem. Não sei fazer meias conversas. Ou conversas que não sejam firmes. Como eu disse, isso é um projeto de construção. Nós estamos construindo um projeto há vinte anos. Um projeto que é reconhecido pela população como o melhor do Brasil. Então, fazer parte deste grupo e está hoje à frente da Secretaria de Obras, vindo de onde eu vim, já sabe que superei toda lógica da vida. O que vier será fruto do meu destino, do que Deus nos reservar na nossa caminhada política. Com os princípios e os valores que tenho e pela força de trabalho, muitos desafios virão pela frente. E tem que estar pronto para cumprir esses desafios.

Como fica a situação no Palácio Thomé de Souza com os acenos do presidente da Câmara de Salvador, Geraldo Júnior, ao grupo do governador Rui Costa?
Geraldo é o presidente da Câmara. É presidente de um poder. Poder que é independente e trabalha em harmonia com o poder Executivo. Um poder que nunca faltou à cidade. Todos os projetos que a gestão encaminhou para o Legislativo foram emedados, debatidos, aperfeiçoados, mas foram 100% aprovados. Esse é o trabalho do presidente da Câmara, de fazer um trabalho institucional. Ele tem que se relacionar com o chefe do Poder Executivo e de outros poderes. Esse é o papel dele. O que eu vejo é muita especulação. Muita conjectura. Neste momento, a população não está pensando em política. Quer ver o resultado. 2020 vai chegar e natural que, neste momento, todos possam conversas com todo mundo.

Mas causa tensionamento?
Não. Não causa nenhum tipo de tensionamento. Não causa qualquer tipo de dificuldade. Até porque, todos nós conversamos.

O senhor acha que o presidente do Esporte Clube Bahia, Guilherme Bellintani, tem alguma chance de ser o candidato de ACM Neto à prefeitura de Salvador?
Todos que estão no grupo e têm pretensões e ideias que comungam com o nosso propósito, todos têm essa possibilidade. Não há nada decidido para 2020. O prefeito tem dito isso nas suas últimas declarações. Não haverá candidatura imposta. Não haverá candidatura retirada do bolso. Ninguém aqui é poste de ninguém. Cada um tem a sua vida própria e o seu trabalho próprio. Lá na frente, a cidade que vai escolher quem é o candidato do nosso grupo. E a cidade que vai escolher quem vai ser o próximo prefeito. Aquele que conseguir conquistar a vontade da cidade, é que vai acabar sendo o candidato. 
 


Na época da reeleição de ACM Neto, os aliados disseram que o senhor jogou pesado para o ser candidato a vice na chapa. Realmente, houve essa pressão para o senhor ocupar a cadeira?
Nunca. Como eu disse, não faz parte da minha postura, da minha atuação política. Sou um homem do diálogo e da construção. Um homem fácil de conviver. Eu estava naquele momento no maior partido da aliança, que era o MDB. Tinha um tempo significativo de televisão. Montamos um MDB forte que acabou no final elegendo três vereadores. E foi um processo de construção natural. Dizer que um nome que tem uma história de quase 20 anos com o prefeito, de lealdade e parceria, jogou pesado, isso não procede. Não é a realidade. Deve ter acontecido em outro cenário político.

Qual o conselho que o senhor dá para Leo Prates que assumiu a Secretaria de Promoção Social e Combate à Pobreza, que já foi administrada pelo senhor?
Procure, principalmente, dar uma atenção especial às pessoas que estão em situação de rua. Temos uma série de ideias em conjunto, estamos debatendo e em breve ele vai apresentar para toda a sociedade. Tenho certeza que Leo vai entrar para a história como um dos maiores secretários que a Semps já teve. Eu conheço sua capacidade e sua competência.

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